Taylor está rindo, ou melhor, gargalhando, quando termino de contar toda a minha situação pra ela. Falei pra ela que não sei o que fazer com Dinah Jane e que Camila não parece estar nada feliz com a ordem dos acontecimentos. Inclusive, peguei as duas discutindo. De novo, aquela mania minha de ouvir atrás da porta.
— Eu perguntei, Camila! — Dinah se defendeu enquanto eu fazia de tudo para ouvir melhor e não ser pego — eu perguntei se você se importava comigo ficando com Lawrence, se fosse mais do que um encontro por causa de uma maldita rifa.
— Quer saber? — Camila aumentou ainda mais o tom de voz — que se foda, Dinah. Lawrence é todo seu!
Já tem uma semana dessa situação e não sei mais o quanto aguento fingir que gosto de Dinah. Ela é uma amiga legal, razoável até, mas ter que segurar sua cintura no horário do intervalo, não é a minha melhor ideia de paraíso. E posso ver que talvez o tiro esteja saindo pela culatra, porque quanto mais fingimos nos envolver, mais vejo Normani furiosa. Hoje mesmo ouvi ela comentando na hora do almoço sobre como o mapa astral de Dinah é maluco.
— Ela é de leão com lua em escorpião! E vênus é em Áries!— Nem sei como Normani conseguiu a hora de nascimento de Dinah para fazer o seu mapa astral, mas relevo. Às vezes, você não pode entender Normani. Tem que deixar as coisas do jeito que estão — essa garota é um perigo, Lawrence! Escuta o que eu tô te falando...
Do jeito que está dizendo, nem parece que ela mesma gostava de passar um tempo com Dinah até fazer as pazes com Ally. E se eu tiver que ser franco comigo mesmo, na maioria das vezes, tento imaginar Camila no lugar de Dinah e isso faz melhorar as coisas. E tolo fui eu, que achei que Dinah iria se abater por causa de uma briga com Camila, mas pelo visto, ela queria ir ainda mais fundo, porque me deu um beijo na bochecha na hora do intervalo, chegando perto da boca. Eu senti minhas pernas tremerem. Eu não quero que o meu primeiro beijo seja com ela.
— Sério, irmãozinho — odeio quando Taylor me chama de irmão no diminutivo porque não gosto do tom de zombaria, mas de qualquer forma, ela me tira das minhas próprias lembranças me trazendo de volta para a realidade — você virou um ímã pra mulher bonita agora?
— Taylor — minha mãe ergue a sobrancelha — pare de caçoar do seu irmão.
— Vai procurar outra pessoa pra atazanar — levanto da mesa de jantar, irritado.
No dia seguinte, resolvo passar o intervalo do almoço em paz na arquibancada do campo de futebol tentando raciocinar meus pensamentos porque hoje eu teria minha consulta com a psicóloga. Tenho tanta coisa pra falar para Audrey que mal sei por onde começar. E na verdade, eu mal podia acreditar que tinha ganhado vinte minutos de paz de espírito, quando a garota loira se senta ao meu lado.
— Eu estava procurando você no refeitório — ela dá de ombros — demorei pra te achar.
— Ótimo — resmungo porque estou furioso com Dinah — você não pensou nem por um segundo nessa mente brilhante que eu queria ficar sozinho?
— Desculpe, Lawrence — ela parece sincera, mas eu reviro os olhos. Não quero suas desculpas.
— É tudo o que você tem pra dizer? — pergunto ácido.
— Não... — Dinah se vira pra mim. Diferente de Camila, o uniforme de Dinah das líderes de torcida não é passado e os fios de cabelo de Dinah fogem do rabo de cavalo. E se eu olhar mais de perto, consigo ver roxos embaixo de seus olhos por noites não dormidas, mas tirando isso, qualquer idiota pode ver que além de linda, Dinah é sexy. O problema é que ela só não é a garota certa pra mim, só isso. — Me desculpe por ter tido essa ideia estúpida. Eu só quero ver Camila feliz, Lawrence. E ela está se segurando muito esses dias, desde que a mãe dela foi embora.
— Uhmm — não sei o que ela quer que eu fale, mas deixo ela continuar com sua explicação.
— Achava que ela precisava de um choque de realidade, sabe... se perceber que você está ficando fora de mercado, talvez ela pensasse duas vezes. Afinal, ela comprou vinte rifas. Achei que isso significasse alguma coisa.
Camila ter comprado tantas rifas ainda me tira da órbita, admito. E eu acho uma ironia do destino ela não ter ganhado, porque pelo que não demoro a descobrir, Dinah comprou apenas uma.
— Eu não vou questionar os seus meios e métodos porque são bizarros — falo dando de ombros — mas eu sei que você se importa com ela. E se ela não está pronta para admitir que gosta de mim...— sinto minhas bochechas esquentarem — eu não me importo em esperar até que ela esteja.
— Pera... — Dinah olha pra mim desconfiada — você gosta dela de volta? Tipo, você está apaixonado por ela, Lawrence? Eu imaginei que sim, porque sabe, você tem esse olhar idiota toda vez que ela passa e parece um cachorrinho que acabou de cair do caminhão de mudança... mas estar apaixonado com A maiúsculo, muda as coisas.
— Argh! — o resmungo que saí da minha boca é alto e eu levanto de onde estou sentado, como se tivessem formigas na minha bunda e eu ansioso demais para não me mexer — eu não sei, tá legal? eu sinto coisas perto de Camila, coisas que eu não deveria sentir porque isso entre a gente não vai funcionar nem em um milhão de anos porque há muito mais envolvido na equação e ela nunca me olharia da mesma forma se soubesse de todos os meus segredos e.. e eu não quero arruinar isso entre a gente, mas sim, Dinah, eu gosto dela, tá bem? Eu sinto minhas mãos suarem, meus pelos da nuca arrepiarem e meu coração acelerar toda maldita vez que ela passa naquele corredor. Desde que cantamos Stereo Hearts na casa de Niall, eu soube. Eu soube que estou fodido.
— Uau — Dinah olha pra mim desacreditada — é pior do que eu pensei.
Eu sei que metade da minha fala é contraditória. Parte de mim quer que Dinah e suas maluquices estejam certas, e que eu esperaria Camila por tempo indeterminado. Mas a outra parte de mim, a parte que eu escondo de todo mundo, me diz que talvez, Camila não olharia pra mim da mesma forma se soubese que eu não um garoto cis.
— E Dinah... — volto a dizer — eu sei que você tem mas melhores intenções em mente, eu sei. Mas acho que temos que parar com isso. Normani está ficando chateada.
— Normani? — ela ergue a sobrancelha, sem entender meu ponto — porque Normani ficaria chateada?
— Eu acho... que ela gosta de você — dou de ombros — vocês se aproximaram por toda a coisa de signo, mas não consigo não ver a cara feia que ela faz quando estamos de mãos dadas. A menos que ela esteja apaixonada por mim, o que acho que não está, ela realmente gosta de você.
Dinah sorri.
— É... eu admito que essa ideia estúpida fez até Siope ficar magoado.
Reviro os olhos.
— Viu? — falo pra ela, tentando que ela veja a razão — a gente fica tão focado em ajudar outras pessoas as vezes, que esquecemos de nós mesmos. E acho que você não quer magoar nem Normani e nem Siope.
— Tudo bem — Dinah deu de ombros — mas se perguntarem, foi eu quem terminou com você.
— E o encontro? — pergunto desconfiado — ainda temos que cumprir o prêmio da rifa.
— Hmmm — ela abre outro sorriso maníaco que me faz erguer a sobrancelha, preocupado.
— Eu tenho uma ideia — ela sorri ainda maior.
— Dinah... — falo, tentando pará-la — eu acho que já deu de ideias estúpidas por um semestre, não?
— Eu juro! — ela fala — eu prometo que dessa vez vai ser brilhante! Não vai envolver nenhuma coisa ilícita, só uma mentirinha aqui e ali.. mas prometo que vai dar tudo certo.
Reviro os olhos.
— Tudo bem, desde que você não me beije de novo, estamos resolvidos.
Dinah se levanta e bate no meu ombro.
— Eu não beijo tão mal assim! — ela reclama.
— Imagina... — eu reviro meus olhos, mas não controlo minha risada.
Essa garota é um perigo.
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Lawrence
FanfictionLawrence Jauregui está começando uma nova vida. O último ano do ensino médio está prestes a começar e agora que ele finalmente deixou seu nome morto para trás e tem a aceitação completa de sua mãe e de seus irmãos, ele conhece Camila Cabello, a líde...
