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Pov:Ana

Bom, eu já estava acostumada com o cheiro asqueroso da maconha e sabia que esse lugar fedia, mas esse cheiro estava me dando dor de cabeça. Como eles conseguem ficar o dia todo aqui, meu Deus?

Não fazia ideia onde o Vinicius estava, então só fui abrindo qualquer porta na esperança de encontrá-lo.

– Você tá louco, Vinicius? O que pensa que tá fazendo? – digo, tirando a garrafa da sua mão.

– Vai embora – ele falava meio embolado; custei pra entender.

– Tá ficando louco, só pode. Qual é a sua? Não sabe lidar com as coisas sem se embriagar ou se entupir de maconha?

– Não, eu não sei, assim como eu também não sei mais viver sem você.

– Não fala besteira, anda logo, você precisa ir pra casa – coloco seus braços em volta do meu pescoço na tentativa falha de levantá-lo.

– Por que você veio aqui, hein?

– Precisava conversar com você sobre a Yara, mas pelo visto...

– Pode falar.

– Você acha que está em condições de conversar sobre um assunto sério? Pelo amor de Deus, né? Agora vê se se esforça pra tentar levantar – ele levanta, se apoiando em mim.

– Não quero que você me ajude, me deixa aqui.

– Só cala a boca, pelo amor de Deus – esse cara não sabe nem agradecer, credo. A gente ajuda e ele ainda reclama.

– Se não, eu me apaixono mais por você – só o que faltava.

– Já falei pra parar de falar besteira. Vou ligar pra alguns dos meninos virem te buscar. Eu não tinha contato com nenhum dos meninos além do Viera, ele foi a única opção que tinha. Expliquei a situação pra ele, e ele só disse que ia pegar o carro e que já estava chegando.

Ele não demorou muito, veio o caminho todo dando bronca no Vinicius. Ele parou em frente à casa do Vinicius e me ajudou a levá-lo até lá.

– Obrigado, Viera. Desculpa te atrapalhar com isso. Vai lá que a Kaylane deve tá te esperando.

– Que isso, cuida bem desse irresponsável aí – ele deu um beijo na minha testa e entrou no carro.

Peguei a chave no bolso dele e abri o portão. Imaginava de tudo, mas cuidar de um bêbado irresponsável foi novo pra mim.

-Juro, antes de te conhecer
Eu prometi não me apaixonar
A gente começou a ser envolver
Já sabia aonde ia parar- ele começou a cantar, ele vivia cantando essa música.

-Difícil é viver nesse mundo insano
Como duas pessoas diferentes se encontram
De lembrar o que eu passei, 'to vivendo o meu sonho
Minhas mãos em um toque só pra te arrepiar - Ele me abraçou. Recusei no começo, mas, já que amanhã ele não vai lembrar de nada mesmo, não tem por que negar, né?

-Quando a gente briga
Você fica mais linda e eu
De noite, na cama, eu dou um jeito pra gente se acertar, ah-ah
Que todas as brigas
Vem pra consertar o que é de Deus, sou seu
Até quando o mundo acabar, ah-ah- Ele cantarolava em meu ouvido, me fazendo dar um sorriso. Esse filho da puta pegou no meu ponto fraco; era a nossa música. Ele vivia cantando pra mim quando a gente brigava. Teve uma vez que nós saímos de casa escondidos dos nossos pais pra ir ao show do MC Kevin, e essa foi a primeira música que ele cantou quando chegamos lá. Lembro como se fosse ontem daquele dia.

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