Alice nunca conseguiu esquecer o que Joel disse naquele dia. E agora, vendo sua situação atual, ela tinha finalmente aceitado que Joel estava certo: ela era uma assassina e das boas, porque era a única adolescente mulher no meio de tantos adultos. E seria a única adolescente em si, se Carl não tivesse teimado e vindo junto.
A decisão sobre isso não tinha sido fácil. Rick, Michonne e Alice negaram até o último segundo, até pensaram em trancafiar o garoto numa torre. Mas aqui estava Carl Grimes, encostado no trailer, esperando ao lado de Alice, o pai terminar de desfigurar um zumbi para se parecer com o líder de Hilltop, a qual os Salvadores queriam a cabeça.
- Você tá com medo? - Questionou Carl, incomodado o silêncio infinito de Alice. - É por isso que tá quieta desde que saímos do trailer?
- Não estou com medo, estou irritada! - Alice esbravejou e Carl percebeu que talvez devesse ter ficado calado. - Você não devia estar aqui. Nem você, nem a Maggie. Ela está gravida! Qual o problema que ela tem na cabeça? E qual o seu problema, Carl?
- Eu queria proteger você, assim como a Maggie quer proteger o Glenn.
- Eu poderia proteger o Glenn pela Maggie e você também sabe bem que eu não preciso de proteção.
- Eles te chamaram porque disseram que você pode acabar com dez pessoas sozinha. - Disse Jesus, se intrometendo no assunto. Alice tinha percebido que aquele era seu passatempo favorito. - Eles não querem que você se preocupe em proteger todo mundo também. Seu trabalho aqui é matar os Salvadores. Assustador, já que você só tem catorze anos.
- Eu fiz coisa pior com treze. E matar pessoas dormindo não é difícil. - Alice resmungou, então encarou o homem com curiosidade. - Disseram que você luta bem.
- Não tanto quanto você, ao que parece. O seu amigo Daryl falou que você me arrebentaria. E você? Como conseguiu o titulo de assassina particular aos catorze anos? - Questionou ele, tão curioso quanto.
- Ei, não fala assim... - Carl repreendeu. - Ela não é assassina particular.
- Certo, desculpe. Desculpe, Alice, eu não queria ofender.
- Não ofendeu. Um homem bom me ensinou a lutar assim, mas é a minha raiva que me torna a melhor. - Respondeu Alice a pergunta que Jesus tinha feito antes.
- E está com raiva o bastante agora? - Paul sorriu, achando graça do que ela tinha falado.
- Eu tenho raiva acumulada de anos e anos, meu amigo. Eu estou sempre com raiva o bastante.
- É hora de ir. - Disse Rick, aparecendo com a cabeça de zumbi dentro de uma bolsa. - Ainda dá pra desistir.
- Não sou covarde. - Respondeu Carl, sabendo que aquela frase era para ele. - Vamos.
...................................................................................
Le'Roux? Le'Roux!
Eu? A Voz questionou, não sabendo se era com ela. Alice nunca a tinha chamado de nada além de "Voz".
Eu só queria saber se você vai estar comigo.
Eu sempre estou.
Vamos matar pessoas hoje. Falou Alice e toda aquela euforia que ela tanto desprezava passou pelo seu corpo.
Tem medo do que os seus amigos verem quem você realmente é?
Eu não acho que isso importa mais. Eles já sabem que eu sou um monstro. Alice soltou um riso amargo. Eu não tenho mais o que esconder.
A Voz não disse nada após aquilo, apenas aceitou que aquele fato era verdade e se preparou mentalmente para o que estava por vir.
Quando a noite chegou, o plano foi colocado em prática. Do lado de fora do posto avançado dos Salvadores, Alice assistiu a troca da cabeça falsa por um dos moradores de Hilltop. Depois, a morte dos dois homens responsáveis pela vigília da noite. Então entraram no local.
Se separaram em duplas. Alice obviamente foi com Carl, pois sua necessidade de protegê-lo era maior que seu medo da reação do garoto aos horrores que ela sabia que faria.
Alice sinalizou para Carl com os dedos, indicando que ele fosse para o lado da porta dar cobertura enquanto ela adentrava o cômodo e matava os Salvadores dormindo ali.
Eram apenas quatro pessoas e dividiam beliches. Alice precisou ser rápida e eficiente para que ninguém acordasse e fizesse barulho.
Quando saiu do quarto, olhou para Carl e o viu assentir aliviado por as coisas estarem indo bem. Então um alarme soou, trazendo consigo não apenas dezenas de Salvadores, mas também a aviso do universo de que aquilo com certeza não a acabaria bem.
- Merda!
- Isso aí, bonitinha. Que merda pra vocês.
Não vai ser uma morte limpa. Percebeu Alice, então soltou uma respiração falhada e triste. Me desculpem.
Tudo aconteceu muito rapidamente. Alice era como um raio, passando o facão bem afiado nos estômagos e gargantas, lançando facas atrás de facas e atirando em alguns cérebros enquanto Carl lhe dava cobertura com tiros certeiros.
De repente, Alice não era só ela mesma. A Voz a qual carinhosamente apelidara de Le'Roux estava presença também, trazendo destruição com seus movimentos graciosos e bem planejados. Essa era a diferença principal entre as duas: enquanto Alice era impulsiva e violenta, Le'Roux era bem planejada e meticulosa em seus movimentos, ainda que tivesse muita força bruta. Alice era mais rápida também, seus reflexos a faziam desviar das faquinhas que vinham em sua direção e dos golpes mau calculados que eram direcionados ao seu corpo.
No fim, aquela dúzia de homens estava caída em uma poça de sangue. Os que não tinham morrido de imediato, com certeza iriam morrer logo. Alice e Le'Roux não lutavam para machucar e sim para matar.
- Ruivo... - Um dos Salvadores balbuciou contra o walkie-talkie manchado de sangue escarlate. - Demônio ruivo. Demônio...
Pow! Um tiro o calou.
- Você não é um demônio. - Assegurou Carl, que tinha atirado. - Vamos.
Então os dois seguiram pelo corredor bem calmamente, prontos para qualquer ameaça que pudesse estar em seu alcance.
Aquela noite acabou em terror e sangue. Corpos dilacerados, vísceras espalhadas pelo chão. A visão mais grotesca do que o mundo era capaz de se tornar.
Mas o confronto não havia chegado ao fim, pois do outro lado daquela linha de Walkie-talkie, ouviram o chamado desesperado de seus companheiros assassinados.
Os Salvadores voltariam para o grupo de Rick e pediriam a cabeça do Demônio Ruivo como pagamento pelo sangue derramado.
O confronto estava apenas começando e para alguns, ele não iria acabar nada bem.
.
.
.
.
.
Olá pessoas, tudo bem? Eu precisava postar esse capítulo quanto antes porque é aqui que se inicia o grande problema com os Salvadores, afinal nosso Demônio Ruivo vai ser muito odiado por essa trupe de vilões nada empaticos
O que vocês acharam do capítulo? Perceberam que o Carl tá super protetor em relação a Alice? Ele originalmente não participaria do confronto, mas achei que faria sentido já que ele sente tanto medo em perder a Alice e ficar longe dela
Eu tô gripada e cansada, então não sei se o que eu escrevi faz algum sentido, então me perdoem se tiver muita coisa errada
Espero que tenham gostado. Por favor votem e comentem porque me anima muito mais a escrever saber que vocês gostam
Bjos e até o próximo capitulo ❤️
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝐋𝐞'𝐑𝐨𝐮𝐱 - 𝐂𝐚𝐫𝐥 𝐆𝐫𝐢𝐦𝐞𝐬.
Hayran Kurgu𝙰𝚕𝚒𝚌𝚎 𝚗𝚞𝚗𝚌𝚊 𝚒𝚖𝚊𝚐𝚒𝚗𝚘𝚞 𝚚𝚞𝚎 𝚞𝚖 𝚍𝚒𝚊 𝚎𝚜𝚝𝚊𝚛𝚒𝚊 𝚊𝚗𝚍𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚙𝚘𝚛 𝚊𝚒 𝚙𝚊𝚛𝚎𝚌𝚎𝚗𝚍𝚘 𝚞𝚖 𝚊𝚛𝚜𝚎𝚗𝚊𝚕 𝚊𝚖𝚋𝚞𝚕𝚊𝚗𝚝𝚎, 𝚖𝚊𝚜 𝚎𝚖 𝚞𝚖 𝚖𝚞𝚗𝚍𝚘 𝚍𝚘𝚖𝚒𝚗𝚊𝚍𝚘 𝚙𝚘𝚛 𝚣𝚞𝚖𝚋𝚒𝚜 𝚎...
