Antes.
Faziam dois dias desde que ela foi embora e dois dias desde a morte do meu pai. O processo até sua morte foi cruel. Ele gritava e corria atrás de mim, ameaçando fazer coisas terríveis. Não era um morto-vivo comum. Era um tipo diferente de monstro: consciente, mas longe de ser humano. Meu pai gritava meu nome, me chamava de filho, mas não nutria mais nenhum amor por mim. Quando o enterrei no quintal, ao lado do canteiro de flores a qual dedicou à minha mãe, algo em mim já não era mais o mesmo. O amor que sentia por Alice já não parecia existir mais. O ódio tinha tomado o lugar daquele sentimento. Eu a culpava por matar meu pai e mais ainda por ter ido embora.
Pensei em ficar no que um dia foi a minha casa, mas já não me restava nada ali. Meditei sobre minhas opções: me matar, matar Alice...sobreviver. Pensei no que meu pai pediria a mim e escolhi a última opção, por mais vazia que me parecesse. Depois de meses infernais e sem propósito, decidi juntar a segunda opção e a última. Minhas noites sozinho pararam de ser apenas vazias, as preenchi com cenários cruéis onde encontrava Alice e a matava. Fantasiei sua morte centenas de milhares de vezes, mas nunca desejei realmente encontrá-la, era apenas um tipo de carga para continuar vivo.
No que deveria ser o quinto mês sozinho, encontrei um grupo de homens fortemente armados. Não pude correr e nem me esconder, então abaixei as armas e fechei os olhos, esperando boa e velha morte. Alguns soltaram risadas e outros sussurram entre si sobre me matar. Escutei a voz do meu pai me lembrando de lutar, mas o ignorei. De que valia lutar?
- Você quer morrer, garoto? - A voz familiar logo atrás de mim me fez virar abruptamente.
Negan.
- Esse é um arco bem bonito, o que está usando. - Disse ele quando eu não respondi nada.
- Pode ficar com ele se quiser.
- Mas dai como você me daria seus serviços? - Negan riu. - Não, garoto, eu não vou matar você. Eu estou mais interessado no que você pode me oferecer. Meu nome é Negan e eu conheço você. E você também me conhece, não conhece, menino soldado?
- Conheço. Você encontrou sua filha?
- Filha?
- Alice. - O nome saiu engasgado da minha boca.
- Alice... - Negan refletiu por alguns segundos. Pareceu culpado, mas essa culpa sumiu tão rápido que parecia falsa. - Ela estava com você?
- Já faz muito tempo.
- E o que aconteceu?
- Meu pai morreu e ela sumiu.
- Acha que ela está morta?
- Deve estar. E a mãe dela?
Negan deu um aceno de cabeça. Culpa estampou seus olhos por um tempo mais longo, mas sumiu também como se nunca tivesse existido.
- Temos um lugar pra você, garoto. É só escolher se ajoelhar.
Aceitei sem hesitar. Talvez eu pudesse achar naquele grupo um motivo pra continuar. Aceitei e depois descobri que deveria ter escolhido morrer.
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Agora.
- Você está agindo como uma idiota. - Digo e coloco a bandeja com sanduíche de carne de porco e um copo de água no chão, aos pés dela.
- E isso teria algo a ver com você por quê...?
- Se não quiser que o Negan estoure a cabeça de mais um amigo seu, principalmente o da besta, é melhor colaborar, ser um pouco mais legal e admitir se tem ou não tem envolvimento.
- Grande conselho, mas não. Acho que prefiro dar ao papai o sabor da dúvida. - Respondeu ela, arrancando um pedaço do sanduíche com os dentes. Ela cobriu a cicatriz com a mão livre, então desviei o olhar de seu rosto para o chão.
Eu não sabia de onde aquela cicatriz tinha saído. Imaginei inúmeros motivos, mas não perguntei. Não deveria me importar.
- Então vai ficar presa nessa cela o resto da semana. - Respondi um pouco rude. - Negan disse que você vai ficar até resolver falar.
- Que pai carinhoso eu tenho! Inclusive quando encontrar com ele, diga que vou arrancar as bolas dele e fazê-lo comer caso ele não esteja sendo legal com a Maeve.
- Está aí seu guia para a sanidade: se ama mesmo a menina, colabore. Não finja que seu joguinho de arrogância vai te levar a algum lugar. - Minhas palavras pareceram surtir algum efeito, porque eu vi Alice fazer algo raro como ficar em silêncio.
- Não ajudei Daryl a fugir. - Disse em um tom cabisbaixo. Era estranho vê-la utilizando outra forma de comunicação além de socos e sarcasmo. - Não sei onde ele está, mas espero que esteja bem longe.
- Já é um bom começo. Vou falar com ele. - Virei as costas, mas quando estava prestes a sair, Alice agarrou a barra da minha calça.
- Negan vai matar os meus amigos?
- Ele sempre irá matar alguém, seja do seu grupo ou dos outros. - Respondi a verdade nua e crua.
- O que eu deveria fazer então? Ele não se importa com o que eu penso. Não se importaria nem se eu fosse obediente. Não sei como protegê-los.
- Não tem nada que possam fazer. Esse mundo é do Negan. Só obedeçam.
- Poderia ser meu, se eu contasse da minha imunidade.
- Você tem uma cura?
- Ainda não, mas...
- Então você não serve para nada. É só uma assassina, um peão e uma escrava do Negan. Aceite, Alice, as coisas não vão ficar melhores que isso.
- Então eu vou matá-lo. Se um acordo não resolverá nada, posso matá-lo. Eu posso.
- Eu não acho que consiga. Vou dizer ao seu pai que você resolveu colaborar. Vou dizer que prometeu não atacar mais ninguém também.
- O que é mentira.
- Você é mesmo idiota. Você é filha do chefe, pode ter tudo que quiser.
- Mas não posso salvar meu grupo.
- Sua única obrigação é manter a Maeve viva. O resto do seu grupo pode sobreviver obedecendo e se curvando ao Negan.
- Isso não é viver.
- Mas é melhor que morrer. Não seja burra, Alice. E pare de tentar carregar o peso do mundo nas costas. - Disse e sai, trancando a porta atrás de mim antes que ela pudesse falar mais algo.
Chegando no meu quarto, me joguei na cama, revivendo sem parar o momento em que Alice puxou minha calça, precisando de mim. Revivi várias e várias vezes até parecer tosco e sem sentido. Fiquei com raiva dela por me fazer me sentir idiota. Então voltei a imaginar a cena que me fazia acordar todos os dias: Eu estou na floresta andando. Alice está na minha frente. Ela ouve meus passos, se vira sorrindo e então eu atiro uma flecha que perfura o meio de sua testa.
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Bom dia, pessoas, quanto tempo! Não escrevo fazem décadas, mas enfim tive inspiração para continuar.
Como vocês estão? Aproveitando o carnaval? Infelizmente aqui em Saint Catherine, especialmente na cidade que moro, as coisas são bem, beeeeem paradas, então sigo na minha casa.
Enfim, apesar do capitulo curto e enferrujado, espero que tenham gostado. Eu queria muito mostrar esse lado do Ethan e seu conflito interno entre amar e odiar a Alice.
bem, é isso. Votem e comentem se gostaram e se não gostaram please não me xinguem. Bjos e até o proximo
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𝐋𝐞'𝐑𝐨𝐮𝐱 - 𝐂𝐚𝐫𝐥 𝐆𝐫𝐢𝐦𝐞𝐬.
أدب الهواة𝙰𝚕𝚒𝚌𝚎 𝚗𝚞𝚗𝚌𝚊 𝚒𝚖𝚊𝚐𝚒𝚗𝚘𝚞 𝚚𝚞𝚎 𝚞𝚖 𝚍𝚒𝚊 𝚎𝚜𝚝𝚊𝚛𝚒𝚊 𝚊𝚗𝚍𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚙𝚘𝚛 𝚊𝚒 𝚙𝚊𝚛𝚎𝚌𝚎𝚗𝚍𝚘 𝚞𝚖 𝚊𝚛𝚜𝚎𝚗𝚊𝚕 𝚊𝚖𝚋𝚞𝚕𝚊𝚗𝚝𝚎, 𝚖𝚊𝚜 𝚎𝚖 𝚞𝚖 𝚖𝚞𝚗𝚍𝚘 𝚍𝚘𝚖𝚒𝚗𝚊𝚍𝚘 𝚙𝚘𝚛 𝚣𝚞𝚖𝚋𝚒𝚜 𝚎...
