33. O meu mau comportamento.

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(Quatro dias depois)

- Eu resolvi dar uma passadinha mais cedo na comunidade do seu amiguinho Rick. Eu levaria você, mas acho que você não merece depois de ter quebrado o braço do meu amigão Thiago.

- Eu quero ir com você. – Disse de imediato, o desespero tomando minha voz. – Eu vou ir. Por favor...

- Não vai, Cenourinha. Vou deixar o garoto Ethan de olho em você. E nada de fugir, Cenourinha. Sabe que eu cumpro o que eu digo e vou fazer seus amiguinhos de Alexandria brincarem no parquinho com a Lucille. E você sabe como ela adora brincar de bate-bate.

Aquilo me enfureceu. Levantei do sofá em que dormia e joguei o primeiro objeto que pude encontrar em Negan. Infelizmente, era um travesseiro e acabou não surtindo efeito algum.

- Espero que um caminhão atropele você e os mortos comam suas tripas sujas de terra e gasolina.

- Veja quem acordou de bom humor hoje! – Negan riu, pouco se importando com meu jeito agressivo. – O que eu te disse sobre se comportar?

- Bom dia, Neganzinho. – Um sorriso falso emoldurou meu rosto coberto pela máscara hospitalar. – Espero que sua viagem corra bem e que a porta bata onde o Sol não bate.

- Se comporte. – Disse Negan uma última vez e então saiu, me deixando sozinha no quarto com uma torre de panquecas que ele tinha acabado de preparar.

Ethan. Sussurrou Le’Roux e eu me virei para porta por onde Negan tinha saído.

- Oi, Ethan. – Cumprimentei, tentando ser amigável. Ethan por outro lado não pareceu nem um pouco a vontade com a ideia de falar comigo.

Eu não te julgo. Pensei. Eu mereço que você me odeie.

- Eu não vou bancar a babá. Se quiser fugir ou atirar na própria cabeça, vá em frente, eu não dou a mínima. Só não fique no meu pé e nem faça o tipo de coisa que vai me obrigar a te proteger. – Disse Ethan o mais rude que aparentemente era capaz de ser e saiu, me deixando parada como estátua no meio do quarto.

Caramba. Ele me odeia.

Ignore. Le’Roux grunhiu sua resposta rápida.

Como eu posso ignorar? Ele é meu amigo! Minha família!

Ele deixou de ser sua família no dia que você foi embora, Alice.

Cala a boca!

Ele não é o mesmo Ethan de antes que te amava. As coisas mudaram, Alice. Precisa aceitar isso.

Como pode dizer isso?!?

É a verdade. Você também sabe disso.

E como Le’Roux estava completamente certa, eu não quis mais discutir, apenas me calei e comi as panquecas que Negan tinha deixado. Desejei que estivessem envenenadas. Sem Carl, Maeve, Daryl e todo meu grupo ali, eu não me sentia muito ansiosa em continuar viva.

Depois de muito tempo de mastigação e pensamentos suicidas, Le’Roux decidiu que eu deveria tomar um ar e eu obedeci antes que ficasse louca. Mas assim que passei pelo primeiro corredor e dei de cara com Simon, percebi que a loucura me perseguia.

- Como vai, cenourinha? – Simon sorriu, enquanto puxava suas calças mal presas com o cinto para cima. – Acordou de ovo virado hoje?

- Simon, vai ver se eu estou na esquina. – Respondi e apertei o passo, esperando fugir, mas Simon correu e parou de frente para mim outra vez.

Haja paciência.

Mata ele logo.

- Com o Negan fora, sou eu quem manda aqui. E nada mais certo que o braço  direito do lider cuide da filhinha dele. Sem contar que eu adoraria acompanhar uma moça tão bonita como você para um passeio. – Continuou Simon, usando de toda sua falta de noção do perigo para dar uma puxada na máscara preta em meu rosto, o que deixou minha cicatriz completamente exposta. – Bem, mais ou menos bonita.

𝐋𝐞'𝐑𝐨𝐮𝐱 - 𝐂𝐚𝐫𝐥 𝐆𝐫𝐢𝐦𝐞𝐬.Onde histórias criam vida. Descubra agora