Roberto

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Naquela manhã, enfrentei a intensa fúria de uma mãe determinada a defender seu filho. Valda, com um olhar que transmitia o desejo de vingança, parecia pronta para me atacar por ter quebrado o nariz do seu adorado filho. Ao invés de sentir medo, refleti que ela deveria me agradecer, pois a situação poderia ter sido muito mais grave, se eu quisesse.


A recepção na casa dos meus sogros era bastante simpática, embora o cunhado parecesse um tanto mais entusiasmado com a minha presença. Eu estava, de certa forma, confortável em seu lar, a ponto de já ter um espaço reservado na garagem para meu carro. Contudo, decidi sair sem tomar café da manhã. Não estava disposto a enfrentar mais um momento de tensão com aquela mulher insuportável.


Dirigi-me diretamente ao batalhão, onde encontrei Matias radiante. Ele estava transbordando alegria, pois Neto havia acordado e estava se recuperando, tentando dar seus primeiros passos sozinho. A cena era um verdadeiro alívio, e eu não pude deixar de refletir sobre o quanto minha mulher era extraordinária.


Ela havia salvado a vida de um dos meus melhores amigos com sua dedicação e habilidades. A forma como cuidou de Neto durante o tratamento foi admirável e reforçou minha admiração por ela. Em momentos como aquele, percebia o quão sortudo eu era por tê-la ao meu lado, sabendo que sua força e compaixão fariam toda a diferença em nossas vidas e nas vidas daqueles que amamos.


Eu e Matias caminhávamos em direção ao hospital do batalhão, trocando algumas ideias.

— Roberto, o Neto ainda está confuso. Não se preocupe se ele falar algo que faça você querer nocautear ele com um soco — disse Matias, tentando amenizar a situação.

— O que, caralho, ele está falando, André? — perguntei, surpreso.

— Roberto, fique tranquilo, ele está recentemente se recuperando — disse André, preocupado com o que podia acontecer..

Quando entramos no hospital, Neto caminhava com a ajuda de uma enfermeira que ali trabalhava. Ele se esforçou, mas o semblante demonstrou que ainda sentia a dor da recuperação.

Surpreendentemente, ele me deu uma leve continência, um gesto de respeito que me emocionou. Mesmo em meio ao sofrimento e à fragilidade, a sua atitude revelou o laço de camaradagem que construímos ao longo dos anos.

Eu retribuí o gesto, um sorriso imposto nos lábios, tentando não demonstrar o turbilhão de emoções que me consumia. A enfermeira ao lado dele olhou para mim com um sorriso encorajador, como se confirmasse a importância naquele momento.

A primeira coisa que saiu da boca de Neto quando cheguei perto foi:

— Meu capitão, quem é doutora? Quem é esse doutor que me salvou? Aquele anjo dos olhos cor de mel e da voz doce... Você sabe de quem estou falando, não sabe? Ela é linda! Quero conhecê-la!

Suas palavras me pegaram de surpresa e, ao mesmo tempo, fizeram meu coração apertar. O jeito como ele falou de Nathália, com tanta admiração e carinho, mexia comigo.

— É... ela é realmente incrível — respondi, tentando esconder a tensão que se formava dentro de mim. O orgulho que sentia por Nathália misturava-se ao ciúme, criando uma batalha silenciosa em meu interior.

Olhei nos olhos de André, buscando um pouco de apoio e compreensão.

— André, você vai me acompanhar para conversarmos a sós — pedi, com um tom de seriedade.

Ele acenou afirmativamente, e nos afastamos um pouco de Neto.

— Olha, eu preciso que você explique para ele o que está acontecendo — continuei, tentando controlar a ansiedade que começava a surgir. — É a tua missão dizer a ele que ela já é quase minha noiva!

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