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Acordo de manhã e vejo que Rafe ainda estava dormindo.

Resolvo me levantar para não acorda-lo.

Pego um casaco que estava em cima da poltrona no quarto e desço para sala.

Esquento uma xícara de café para mim e me apoio na bancada da cozinha olhando peja janela.

Aquele lugar sempre tinha sido um refúgio para Rafe, longe do caos de Outer Banks, longe das confusões da família Cameron. Eu consigo enteder-lo.

A casa era simples, no nível Kook, mas muito aconchegante, com uma vista deslumbrante para o lago, rodeada por árvores altas que deixavam tudo ainda mais isolado e tranquilo.

Logo escuto alguns passos descendo a escada e em questão de segundos Rafe aparece na cozinha.

- Bom dia princesa. - ele diz entrando na cozinha e dando um sorrisinho.

Um daqueles sorrisos que sempre faziam meu coração bater mais rápido.

Era estranho, admito. Estar com ele novamente, sentir tudo o que eu sentia por ele de novo, era como pisar em um território desconhecido.

Eu sabia o que podia acontecer se eu me permitisse cair de novo, mas, ao mesmo tempo, não conseguia evitar. Ele era diferente agora, ou pelo menos eu queria acreditar que era.

- Eu te acordei? - pergunto.

- Não, acordei sozinho. - ele me responde. - Você quer fazer alguma coisa específica hoje?

Ele perguntou, me puxando para mais perto pela cintura, os olhos brilhando com uma mistura de diversão e carinho.

Eu dei de ombros, tentando parecer indiferente, mas minha mente estava muito ocupada com a ideia de passar um fim de semana inteiro só nós dois.

- Só quero aproveitar o dia. Relaxar.

Ele assentiu e, sem dizer nada, me levou pela mão até a varanda da casa.

O sol estava refletindo no lago de um jeito quase mágico, e por um instante, fiquei hipnotizada pela calma do lugar.

Rafe foi até um dos sofás-balanço que tinha na varando e se sentou ali.

- Então, vamos fazer isso. Relaxar. - disse ele, puxando-me para sentar ao lado dele.

Sentada ali com ele, vendo o Sol levantar cada vez mais, senti uma onda de paz que eu não costumava associar a Rafe. E era isso que me assustava.

Ele tinha sido a causa de tanto caos na minha vida, e agora ele estava sendo a fonte de calmaria.

Uma parte de mim ainda estava esperando que o caos voltasse, mas, por ora, eu estava feliz com o silêncio.

Eu encostei minha cabeça no ombro de Rafe, e nós dois ficamos ali, só observando.

- Você sabia que a primeira vez que eu vim aqui sozinho com alguém foi com você? - ele comentou, a voz suave e baixa.

- Mesmo? Pensei que você já tivesse trazido outras pessoas. - brinquei, tentando aliviar o momento que estava ficando um pouco emocional demais para mim.

- Não. Eu nunca quis trazer ninguém aqui. Minha família raramente vinha aqui, então eu sempre estava sozinho. Ou com muitas outras pessoas quando eu dava alguma festa. Então esse lugar sempre foi meio que... só meu. Mas eu queria que você visse da mesma maneira que eu - ele disse, apoiando de leve sua mão em minha perna.

Meu coração deu aquele salto de novo, como se estivesse me alertando para alguma coisa.

Era difícil admitir, mas estava claro mais uma vez: eu estava me apaixonando de novo por ele.

E isso me deixava apavorada, porque da última vez que me deixei levar por esses sentimentos, eu acabei quebrada.

- Você tá bem? - Rafe perguntou, me observando com aquele olhar de preocupação que ele raramente mostrava para alguém.

- Sim. Só... pensando - eu respondi, evitando o olhar dele por um momento.

Eu não queria que ele soubesse o que estava passando pela minha cabeça. Não ainda.

Ele sorriu e me deu um beijo na cabeça.

Ficamos ali, lado a lado, o silêncio confortável, com exceção dos sons suaves do vento e das águas do lago batendo levemente na margem.

Rafe se virou para mim e começou a brincar com uma mecha do meu cabelo, enrolando-a nos dedos.

- Sabe que a nossa primeira vez foi aqui, né? - ele disse de repente, com um sorriso malicioso.

Eu olhei para ele e ri.

- Começou no corredor, né? Naquela festa que você deu aqui. E a gente acabou no quarto de hóspedes...

Ele riu junto comigo, claramente se lembrando dos detalhes.

- Foi meio louco. Você só estava de passagem, não queria nem ficar na festa. Sempre odiando estar ao redor de Kooks. - ele ri. - E de repente, a gente estava lá... no corredor. Todo mundo bêbado, e a gente se esgueirando pelo meio das pessoas para achar um quarto vazio.

- Ah, sim, o famoso quarto de hóspedes - eu disse, rindo mais, embora sentisse minhas bochechas esquentarem. - E a gente só entrou no primeiro quarto que estava destrancado.

Rafe riu alto agora.

- Nada romântico, nada especial. Foi só... aconteceu.

Eu estava rindo junto com ele até que, sem querer, as palavras saíram antes que eu pudesse controlá-las:

- Foi a minha primeira vez, sabia?

O sorriso de Rafe sumiu no mesmo instante.

Ele me olhou, piscando algumas vezes, como se estivesse tentando processar o que eu tinha acabado de dizer.

- Espera... o quê? Sua primeira vez?

Eu mordi o lábio, me sentindo um pouco envergonhada agora.

- É, foi a minha primeira vez.

Rafe ficou em silêncio por um momento, os olhos examinando o meu rosto.

- Bella, por que você nunca me disse isso?

Eu dei de ombros, tentando diminuir o peso do assunto.

- Eu não sei. Nunca pareceu o momento certo, acho. E, bom, foi... foi especial o suficiente só por ter sido com você.

Ele suspirou, claramente desapontado consigo mesmo.

- Eu... eu não fazia ideia. E agora, pensando bem, eu me sinto um idiota. A primeira vez de uma garota deveria ser especial, e a nossa foi... bom, no quarto de hóspedes, durante uma festa qualquer.

Coloquei minha mão no rosto dele, forçando-o a olhar para mim.

- Ei, para com isso. Foi o que foi. E eu não mudaria nada. Sim, não foi a coisa mais romântica do mundo, mas eu nunca me arrependi. Você foi o cara certo, Rafe. Mesmo naquela época.

Ele me olhou nos olhos, e eu podia ver o quanto aquilo o afetou.

- Você merece muito mais do que eu te dei naquela época - ele murmurou, com a voz baixa.

Sorri suavemente.

- Talvez, mas agora... agora você está me dando mais. E é isso que importa.

Rafe se aproximou, me beijando gentilmente, e eu me permiti esquecer, pelo menos por enquanto, os medos e as dúvidas que ainda existiam sobre nós.

Mesmo que o futuro fosse incerto, eu sabia que, naquele momento, estávamos exatamente onde precisávamos estar.

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