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Passamos por uma pracinha iluminada com alguns postes de luz em que haviam algumas pessoas bem animadas, apesar de já ser madrugada.

Dava para ver as ruas italianas ganhando vida com a música suave do violão de um homem e o som das risadas que ecoavam por ali.

Algumas pessoas dançavam, despreocupadas, enquanto um homem sentado em um banco cantava com paixão.

- Vamos ali? - insisti, olhando para Rafe.

Ele cruzou os braços, desconfiado.

- Sem chances. Dança não é comigo.

Revirei os olhos e, sem pensar duas vezes, entreguei as botas que segurava para ele:

- Então segura isso aqui.

Antes que ele pudesse protestar, corri em direção ao grupo de pessoas. A energia era contagiante. Meu riso escapava alto enquanto girava, os pés descalços tocando o chão frio da praça.

Rafe, apoiado em um poste de luz, me observava à distância. Sua expressão parecia calma, mas seus olhos... eles não desviavam de mim.

A música continuava, e eu dançava sem pensar em mais nada. Me senti totalmente livre, algo que tenho sentido muito desde que cheguei aqui na Itália.

Rafe apenas sorriu de lado, como se eu fosse a única coisa no mundo que ele quisesse ver naquele momento.

Fiquei mais uns minutinhos dançando e me divertindo ali. Até desenrolei um italiano bem ruim para falar com as pessoas que estavam dançando também.

Enquanto isso só via Rafe rir de longe.

Ficamos naquela pracinha até que resolvemos ir indo na direção da casa da minha vó de novo, para voltarmos.

Foi mais uma caminhadinha de 30, 40 minutos com muitas outras conversas.

Mas conversas tão leves e tão gostosinhas que nem vi o tempo passar.

Eu não passava um tempo assim com Rafe a muito tempo. Na verdade com ninguém. Não desse jeito que foi.

Assim que chegamos, peguei minhas botas de suas mãos que ele veio carregando e logo brinquei o provocando:

- Eu até perguntaria se você achou bonita a casa, mas acho que não é a primeira vez que você vem aqui né?

Ele ri e responde:

- Mas caso você queira saber, eu achei bonita sim. - ele da uma olhada para cima para fachada da casa e depois volta a olhar nos meus olhos e com um tom de voz diferente continua a falar. - Muito bonita.

Fiquei presa nos seus olhos azuis por alguns segundos.

- Você não quer dormir aqui? O seu hotel é longe e aqui tem vários quartos de hóspedes vazios. - falo finalmente voltando a pensar de novo.

- Não precisa. Não quero incomodar, tenho certeza que Sarah ja ta dando muito trabalho ai. - ele brinca.

Dou uma risadinha mas logo respondo:

- Não vai incomodar. - ele fica alguns segundos em silêncio pensando. - Você já ta aqui, ta tarde, e você vai demorar para chegar no hotel.

- Tabom. Eu fico.

Ele concordou então seguimos para dentro de casa.

Oferecer um quarto para ele aqui era o minimo depois da noite super divertida que eu tive com ele e depois dele ter me acompanhado até aqui.

Invés de subir as escadas para o andar de cima onde tinham alguns quartos de hóspedes, o guiei até um quarto que tinha no andar de baixo mesmo.

A escada por ser velha era muito barulhenta e queria fazer o mínimo de barulho para não acordar ninguém.

Por sorte a cama do quarto de hóspedes já estava arrumada o que facilitou a nossa vida.

O quarto de hóspedes estava iluminado apenas pela luz fraca do abajur ao lado da cama.

- O banheiro é ali e se você precisar de mais cobertor, tem no armário, pode pegar. - falo apontando para o banheiro e em seguida para o armário.

Ele não disse nada, apenas assentiu.

- Bom, então acho que é isso. Bia noite. - disse, tentando soar casual, embora minha mente ainda estivesse girando com tudo o que tínhamos vivido naquela noite.

Quando coloquei a mão na maçaneta, senti Rafe se aproximar. Antes que eu pudesse reagir, ele segurou meu pulso levemente, me fazendo virar.

Seus olhos encontraram os meus por um instante antes de ele inclinar-se e pressionar os lábios contra os meus.

O toque era suave, mas cheio de intenção, e me pegou completamente desprevenida.

Quando ele se afastou, meu coração estava disparado.

- Você sabe que eu vou acabar me acostumando com isso, né? - brinquei, com um sorriso nervoso no rosto.

Ele arqueou uma sobrancelha, os cantos da boca se curvando em um meio sorriso provocador.

- Então talvez eu devesse garantir isso.

Sem esperar resposta, ele puxou meu rosto para mais perto, iniciando outro beijo. Desta vez, mais longo, mais intenso.

A intensidade fez meu coração bater ainda mais rápido, e o mundo ao nosso redor pareceu desaparecer.

Havia tantas coisas não ditas entre nós, mas naquele momento, nenhuma delas parecia importar.

Com as pernas meio bambas caminhamos até a cama onde deitamos e apenas nos beijamos.

Não transamos e nem nada do tipo, apenas nos beijamos.

Na verdade, conversamos também. Os próximos minutos se resumiram em conversas, beijos, conversas e mais beijos.

Enquanto conversávamos acabamos caindo no sono. Pelo menos eu, simplesmente capotei.

Aquela dia tudo tinha sido perfeito, e a noite então, mais ainda.

Eu não poderia ter pedido um aniversário melhor.

Começando meus 20 anos bem. Muito bem.

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