Eu não acredito que ele não apareceu.
Eu já fui até o crematório buscar as cinzas sozinhas, que já foi difícil o bastante, esperando que quando eu voltasse ele estivesse aqui.
Mas não. Ele não estava.
E o pior é que ele sabia muito bem que eu faria isso hoje no final do dia. Ele sabia muito bem.
E mesmo assim ele resolveu me deixar sozinha fazendo isso. Aposto que ele está em algum bar enxendo a cara e afogando as próprias frustrações em copos de bebida, enquanto eu encarava a realidade sozinha.
As vezes eu sinto que nem tenho um namorado. Porque um namorado de verdade estaria comigo nesse momento independentemente de qualquer coisa.
Desde o momento em que Rafe me disse que vinha comigo para cá, em nenhum momento passou pela minha cabeça que eu teria que fazer isso sozinha, porque agora ele estaria comigo ao meu lado.
Mas cá estou eu. Sozinha no pequeno pier em frente a casa da minha vó prestes a jogar suas cinzas no lago.
A água do lago estava calma, refletindo o céu azul pálido daquele fim de tarde.
As montanhas ao fundo criavam uma paisagem tão serena que parecia irônico estar ali para fazer algo tão doloroso.
Segurei a urna com as cinzas nas mãos com cuidado, sentindo o peso simbólico da pessoa que mais amei no mundo. Minha vó. Minha confidente. Minha melhor amiga.
Respirei fundo, tentando conter as lágrimas que já ameaçavam cair novamente. Esse lago tinha sido testemunha de tantas despedidas. Minha mãe. Meu avô. E agora, minha vó. O pensamento fez meu coração apertar ainda mais.
- Eu nunca pensei que teria que fazer isso sozinha, vovó. - murmurei, minha voz trêmula. - Mas aqui estou.
O vento soprou suavemente, como se o próprio lago estivesse me encorajando.
- Obrigada por ser a luz da minha vida, por me ensinar tanto, por me amar do jeito que você amava. Eu vou sentir sua falta todos os dias. - continuei, a voz quebrando.
Com um gesto hesitante, inclinei a urna sobre a água.
As cinzas flutuaram por um instante antes de se misturarem ao lago, desaparecendo lentamente. Cada partícula que se ia parecia levar um pedaço de mim junto.
Minhas pernas ficaram fracas, e eu me ajoelhei no píer, incapaz de conter as lágrimas que caíam livremente. A dor era avassaladora, como se eu nunca fosse conseguir respirar de novo.
- Eu te amo, vovó. Para sempre. - sussurrei.
O vento soprou mais uma vez, como um abraço invisível.
Por mais que a solidão me esmagasse naquele momento, eu tentei encontrar consolo no fato de que, agora, ela estava com minha mãe e meu avô, no mesmo lugar que tanto amava.
Fiquei ali por um tempo, sozinha com minhas memórias e minha dor, até que o sol começou a se esconder por trás das montanhas.
Era o fim de mais um dia, mas o peso daquela despedida ficaria comigo para sempre.
[...]
Era quase meia noite quando Rafe finalmente chegou.
Eu estava sentada no sofá da sala, a perna inquieta, mexendo rapidamente para cima e para baixo, enquanto pensava em tudo.
Na minha vida, na minha vó, no Rafe e no futuro.
A porta bateu com força contra a parede quando Rafe finalmente entrou em casa.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Promessas
FanficUma história sobre segundas chances, amores passados, traições e segredos, que vai te prender do começo ao fim. Promessas, uma história sobre Bella Hayes, uma menina de 18 anos que acaba sendo obrigada a encarar seu sentimento mais aterrorizante e c...
