Três dias se passaram e eu continuava aqui no hospital.
Perdi três dias de aula na faculdade e tive até que inventar uma desculpa dizendo que estava doente.
Como eu disse, eu não sairia daqui até ter certeza que Rafe estava bem. E isso só aconteceria quando ele acordasse.
Sarah e Nick me trouxeram algumas atividades que eu precisava fazer da faculdade para me destrair e confesso que me ajudou por algumas horinhas.
Mas eu sempre acabava voltando a me preocupar com Rafe.
O pior de tudo é que o médico ainda não tinha me deixado ir vê-lo. Apenas familiares podiam entrar no quarto em que ele estava.
E mesmo assim Ward só apareceu aqui duas vezes para ver como ele estava. Ridículo.
Ele e meu pai com certeza competiriam para prêmio de pior pai do século.
Na noite de hoje, eu cansei de ficar parada naquela sala de espera, e quando o médico responsável pelo Rafe estava indo embora, resolvi abordá-lo.
- Doutor Manning, porfavor, me deixa entrar no quarto para vê-lo.
- Senhorita Hayes, não é? - ele pergunta e eu assinto. - São regras do hospital. Pacientes em coma em situações como a dele não podem receber visitas a não ser da familia.
- Porfavor doutor, eu te imploro! Eu estou nesse hospital a 3 dias seguidos, sem ver a luz do Sol, esperando alguma novidade do Rafe e eu não posso nem sequer ve-lo com meus próprios olhos. Eu posso não ser família de sangue mas eu me preocupo com ele igualmente, senao mais.
O médico me olha por alguns segundos.
- Você é casado doutor?
Ele assente meio suspeito e confuso.
- Se fosse sua esposa lá dentro e você não pudesse vê-la, como o senhor se sentiria? - ele fica em silêncio. - Eu sei que se fosse assim eles te deixariam entrar por ser família e que eu não sou a mulher de Rafe para me deixarem entrar, mas... - respiro fundo me preparando para o que eu ia dizer. - eu o amo doutor. Eu amo ele e por isso preciso ver ele, tocar em sua mão e estar ao lado dele.
O médico após alguns segundos pensando, fala alguma coisa baixinho para a enfermeira na recepção e logo diz:
- Eu vou abrir essa exceção para você. Mas só porque na situação dele as vezes ele consegue ouvir as pessoas falando com ele e talvez seja bom para ele ouvir a voz de alguem que o ama.
O Dr. Manning da um sorrisinho e eu lhe dou um abraço de tão feliz que fiquei.
- Muito muito muito obrigada doutor! - digo feliz.
- Tem uma poltrona dentro do quarto. É mais confortável dormir lá do que aqui.
Dou mais um sorriso, pego minhas coisas e vou direto ao quarto de Rafe que obviamente eu já sabia o numero desde que cheguei aqui.
Quando chego na porta do quarto, paro por alguns instantes de abri-la.
Eu não sei se estava pronta para ver Rafe daquele jeito. Mas eu precisava.
Lentamente abro a porta e logo já vejo Rafe com aquela roupa de hospital, deitado na cama de hospital, naquele quarto sem graça de hospital e com varios aparelhos de hospital a sua volta.
Ele usava uma máscara de óxigênio e ele parecia pálido e mais magro.
Fecho a porta do quarto e ando devagar em sua direção.
Deixo minha bolsa com minhas coisas em cima da mesa que tinha ali e me aproximo de Rafe.
Analiso ele de cima a baixo por mais alguns segundos.
Doia tanto dentro de mim saber as coisas que eu havia lhe dito e o fato de eu não ter atendido Barry e pensar que eu nunca me perdoaria se ele não acordasse de novo.
E pensar que a última vez que nos falamos foi naquela festa que tudo deu errado.
E que antes disso eu tinha dito que eu nunca mais queria falar com ele e muito menos ve-lo.
Mal imaginava eu naquele dia que hoje eu faria de tudo para ao menos ver os olhos azuis dele mais uma vez.
Me sento no cantinho da cama, ao seu lado e devagar apoio minha mão em seu braço.
Logo, levo minha outra mão até seu rosto, o qual acaricio com cuidado.
- Me desculpa Rafe. - digo sentindo as lágrimas virem. - Eu nem sei se você está escutando isso ou não, mas eu vou falar mesmo assim.
Engulo em seco enquanto penso nas palavras.
- Me desculpa por tudo. Desde que brigamos eu me culpo todos os dias pelas coisas que falei porque eu sei que não quis dizer de verdade nada daquilo. Eu não te odeio Rafe, estou longe disso inclusive. Eu não ligo se você me odeia e se você estava falando sério quando me disse isso, porque eu sei que nunca vou ser capaz de te odiar. Não depois de tudo que passamos.
Fico alguns segundos em silêncio apenas o olhando.
- Ouvir seu pai te culpando por isso tudo só me fez perceber que eu estava sendo uma hipócrita por ficar bravo com ele por caisa disso. Porque eu te culpei também e fiz exatamente o que ele estava fazendo. Eu te culpei por ter voltado as drogas mas eu percebi que não é culpa sua. Não é culpa sua se você sentiu que não tinha ninguém para se apoiar nos momentos ruins. Eu devia ter feito questão de que você soubesse que podia contar comigo e principalmente se sentisse bem em me procurar.
De repente sou pega de surpresa com a máquina que media seu batimento cardíaco começou a acelerar um pouquinho, mas nada que significasse algo ruim.
Acho que aquilo na verdade significava algo bom.
Dou uma risadinha.
- Pelo visto acho que você está me escutando sim. - sorrio. - Então porfavor Rafe, se você realmente está escutando o que eu to falando... abra os seus olhos azuis que eu amo tanto. Eu preciso de você acordado, bem e aqui comigo.
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Promessas
Fiksi PenggemarUma história sobre segundas chances, amores passados, traições e segredos, que vai te prender do começo ao fim. Promessas, uma história sobre Bella Hayes, uma menina de 18 anos que acaba sendo obrigada a encarar seu sentimento mais aterrorizante e c...
