A luz da manhã invadia meu quarto pelas frestas da persiana.
Mesmo com o sol lá fora, a casa parecia mergulhada em uma escuridão sufocante desde o jantar na casa dos Cameron. Não era só a casa que estava assim. Eu estava assim.
Depois que chegamos ontem à noite, Enzo entrou direto no antigo escritório do nosso pai.
Não trocamos muitas palavras, apenas o vi desaparecer com uma expressão determinada e raivosa. Fui atrás dele, querendo ajudar, mas ele estava fora de si. Nervoso, frustrado... ele me expulsou de lá.
- Bella, por favor... eu preciso fazer isso sozinho. Sai daqui. - ele disse, sem nem me olhar.
Eu quis argumentar, mas sabia que ele não me ouviria. Então, fui para o meu quarto, sem saber o que fazer além de me enfiar debaixo das cobertas e tentar dormir.
Claro, tentar foi a palavra certa, porque o sono nunca veio de verdade, apenas lagrimas de frustração, raiva e tristeza.
Agora, na manhã seguinte, um leve bater na porta me tirou dos pensamentos vagos que tentavam me levar de volta para o caos da noite anterior.
- Bella? - A voz de Enzo veio do outro lado da porta, hesitante. - Posso entrar?
- Sim, claro. - Sentei-me na cama, puxando os joelhos para o peito enquanto ele entrava no quarto.
Ele parecia desgastado, com olheiras profundas e os cabelos bagunçados. Carregava o peso da responsabilidade em cada passo, como se estivesse prestes a desmoronar.
Ele se sentou ao meu lado, suspirando profundamente.
- Me desculpa por ontem à noite. Eu estava... fora de mim. Não devia ter falado daquele jeito com você.
- Tá tudo bem, Enzo. Eu entendo. - Coloquei minha mão sobre a dele. - Você estava nervoso. A gente perdeu muito ontem... e não é fácil processar tudo isso.
Ele fechou os olhos por um instante, respirando fundo como se estivesse tentando controlar as emoções.
- Eu só... queria ter encontrado alguma coisa. Qualquer coisa que pudesse nos ajudar. Passei a noite inteira vasculhando os papéis do nosso pai.
- E encontrou algo? - perguntei, tentando manter uma ponta de esperança na voz.
Enzo balançou a cabeça devagar, a expressão se tornando mais sombria.
- Só contratos e documentos que... confirmam que o Ward pode fazer isso. Ele tem o direito legal de tirar a casa da gente.
O peso das palavras dele caiu sobre mim como uma pedra.
Sabíamos que Ward era cruel, mas agora estava confirmado que ele também era intocável.
- Me desculpa, Bella. - Enzo me puxou para um abraço apertado, como se quisesse carregar parte da dor que estava me esmagando.
Mesmo frustrada e preocupada, eu sabia que não era culpa dele. Enzo não podia prever que Ward fosse tão baixo ao ponto de tirar a casa que significava tudo para nós.
- Não é culpa sua, Enzo. - sussurrei enquanto o abraçava. - Você não sabia que esses contratos existiam. Ninguém sabia. Mas nós vamos dar um jeito.
Ele assentiu, mas o brilho nos olhos dele me dizia que ele não acreditava muito nisso.
Ainda assim, era melhor mantermos um ao outro de pé, porque se desistíssemos agora, não haveria volta.
Depois do momento reconfortante com Enzo, ele me deu um sorriso fraco.
- Eu vou tomar um banho e depois sair para ver o advogado da família. Talvez ele consiga encontrar alguma brecha que eu não vi.
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Promessas
Hayran KurguUma história sobre segundas chances, amores passados, traições e segredos, que vai te prender do começo ao fim. Promessas, uma história sobre Bella Hayes, uma menina de 18 anos que acaba sendo obrigada a encarar seu sentimento mais aterrorizante e c...
