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Abri a porta da casa lentamente quando chegamos.

De alguma forma ela ainda exalava o cheiro da vovó, o que cortou meu coração mais uma vez.

Mas o ar estava diferente. Não trazia mais aquele sentimento de felicidade e acolhimento. Era um ar frio, escuro e pesado.

Espero que algum dia alguem possa trazer a vida dessa casa de volta para ela, assim como era antes. Era mágico.

Vou entrando na casa aos poucos, analisando cada centímetro. Doía pensar que tudo aqui esta do jeitinho que a vovó deixou pela última vez.

Vou até a porta que dava para a parte de trás da casa e para o lago, e fico parada ali, sentindo o frio do inverno invadir meu corpo e bagunçar meus cabelos.

Quando vejo a cadeira que a vovó costumava sentar todos os dias de manhã e no final da tarde, preciso fechar os olhos por alguns segundos.

Aquilo não podia real. Só podia ser um pesadelo horrível que eu estava louca para acordar.

- Você ta bem? - a voz de Rafe quebrando o silêncio ensurdecedor me tirou dos meus pensamentos.

Assenti tentando parecer estar bem.

- Eu to com fome, você ta? - começo a falar tudo muito rápido. Acho que era para me convencer que eu estava bem além de convencer Rafe tambem. - Vou pedir uma pizza para gente comer. Pepperoni ou marguerita? Por mim tanto faz, eu gosto das duas, mas acho que você ja sabe disso.

Eu estava tentando, tentando muito, parecer estar minimamente bem, mas eu estava falhando.

E claro que Rafe percebeu isso.

Antes que eu pudesse voltar para dentro da casa para pegar o telefone para pedir uma pizza, Rafe me segurou delicadamente pelos braços, tipo como um apoio.

Ele olhou nos meus olhos e repetiu a pergunta mais uma vez:

- Você ta bem?

Eu queria continuar fingindo, mas estava sem forças mais. Enguli em seco e balancei a cabeça de um lado para o outro enquanto sentia as lágrimas voltarem a tomar contar de mim mais uma vez.

Eu nunca chorei tanto quanto tenho chorado nas ultimas 24 horas.

- Não. Eu não to.

Na hora Rafe me envolveu em um abraço. Sem nem ter que pensar, só me encaixei em seu abraço e chorei.

[...]

No final das contas eu nem estava com fome, mas Rafe insistiu para que pedíssemos a pizza porque eu precisava comer alguma coisa.

Não retruquei muito, então só aceitei.

Enquanto ele arrumava as coisas que bagunçamos no jantar, ele me convenceu a ir tomar um banho para me deitar e descansar.

Ele estava sendo muito cuidadoso comigo. Não sabia dizer se era para compensar a maneira que ele agiu ou por simplesmente a minha avó ter falecido. Ou os dois.

Depois de tomar um banho bem longo que realmente foi bom para aliviar meu estresse das ultimas horas, pelo menos minimamente, sai do banheiro enrolada na toalha e entrei no quarto.

Iriamos ficar no meu quarto la, é claro.

Rafe estava do outro lado do quarto, do outro lado da cama, mexendo em algumas coisas na sua mala e assim que me viu, parou e apontou para cama.

- Eu separei para você o seu pijama ali. Eu ia levar para você se trocar no banheiro mesmo mas...

- Obrigada. - respondi indo até a cama e pegando o pijama.

Quando eu falei ele voltou a mexer na sua mala que estava meio afastada da cama.

Peguei meu pijama que ele tinha separado e quando fui vestir a parte de cima, eu resolvi me virar para o outro lado, para não ficar de frente para Rafe.

Sei lá. Só senti que era melhor fazer isso mesmo que eu nunca tenha tido problema em me trocar na frente dele.

Acho que Rafe percebeu e ficou meio confuso com aquilo por conta de sua cara quando eu me virei de volta, já com o pijama.

Eu puxei o lençol e edredom da cama para me deitar e Rafe acabou falando:

- Eu realmente preciso falar com você sobre ontem, porque eu sinto que-

- Amanhã, Rafe.

Nesse momento eu só queria me deitar e dormir. Tentar dormir pelo menos. Eu tomei remédio para conseguir dormir melhor hoje então acho que vou comseguir. Eu estou exausta.

Ele respirou fundo e assentiu, compreensível mais uma vez.

Logo depois que me deitei, ele saiu do quarto para ir tomar banho no banheiro.

Ele não demorou muito e quando voltou eu ainda estava acordada pensando nas coisas.

Ele se deitou na cama ao meu lado, de barriga para cima, enquanto eu estava deitada virada de costas para ele.

Eu conseguia sentir que ele ainda estava acordado tambem, mesmo depois de alguns minutos.

E eu tentei resistir, porque achei que era o melhor. Mas depois percebi que era melhor para quem? Porque para mim não era.

Então enfim me virei, me aproximando dele na cama e me deitando em seu peito. Ele passou seu braço por mim e me encaixei em seu corpo. Eu me sentia muito confortável e segura quando estava assim com ele.

Seu corpo que antes estava tenso, relaxou e em poucos minutos nós dois dormimos.

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