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O ar fresco da madrugada italiana envolveu nossos rostos quando saímos da festa.

Eu estava rindo de algo que Kiara tinha acabado de dizer, e Sarah tropeçou no meio-fio, fazendo todas nós cairmos na gargalhada de novo.

Estávamos exaustas, mas completamente tomadas pela felicidade da noite.

Por um momento, enquanto caminhávamos pela calçada, eu esqueci de tudo. De Rafe, da conversa que tínhamos para ter, de qualquer peso que pudesse existir.

Mas assim que meus olhos captaram sua figura encostada em um carro, à sombra de uma árvore, tudo voltou como um choque.

Ele estava ali, me esperando. O olhar sereno, os braços cruzados, mas seu rosto carregava algo que eu não conseguia decifrar. Ele não disse nada. Não precisava.

Sarah e Kiara notaram, e Sarah me deu um sorriso cúmplice antes de abraçar meu ombro.

- Nos vemos de manhã. Feliz aniversário de novo, Bella. - ela disse, piscando para mim.

Kiara assentiu e, sem mais palavras, ambas desapareceram pela rua, deixando apenas o som de seus risos ao longe.

Eu respirei fundo e me aproximei de Rafe.

Ele descruzou os braços e deu um pequeno sorriso, discreto, mas que parecia carregar um milhão de intenções.

- Vamos dar uma volta? - ele perguntou, a voz baixa, mas firme.

Eu apenas assenti, o coração acelerado, e segui ao seu lado, sem saber o que a noite ainda guardava para nós.

Caminhávamos pelas ruas de paralelepípedos, as luzes quentes dos postes iluminando o caminho e projetando sombras suaves ao nosso redor.

O silêncio entre nós era pesado, quase sufocante.

Eu estava perdida em meus próprios pensamentos, tentando encontrar as palavras certas para começar qualquer conversa, mas Rafe foi mais rápido.

- Sabe... eu li em algum lugar que as gelaterias daqui têm mais de cinquenta sabores diferentes de sorvete. - ele disse de repente, a voz casual.

Eu pisquei, surpresa pelo comentário inesperado.

- Cinquenta? Isso é muita coisa! - respondi, quase sem pensar.

- Não é? E, honestamente, acho que metade deve ser só variação de chocolate. Tipo, "chocolate amargo", "chocolate belga", "chocolate com laranja"...

Dei uma risada curta, balançando a cabeça.

- Não duvido. E mesmo assim aposto que você escolheria um básico, tipo baunilha.

Ele arqueou uma sobrancelha, fingindo indignação.

- Baunilha? Isso é subestimar minha criatividade. Eu escolheria... pistache.

Soltei uma risada de verdade dessa vez, e ele sorriu, satisfeito.

Aos poucos, a tensão parecia se dissolver, dando lugar a uma leveza que eu não sentia havia muito tempo e que eu não esperava considerando a conversa que ambos sabiamos que tinhamos que ter.

- Pistache é até respeitável. - admiti, balançando a cabeça. - Mas nada nunca vai superar o clássico morango.

Rafe fez uma careta exagerada, e por um momento parecia que éramos só dois bons amigos jogando conversa fora, deixando o peso do passado para trás, pelo menos durante aqueles instantes.

Enquanto ainda discutíamos sobre sabores de sorvetes e ria com os comentários de Rafe, passamos rápido por uma ruazinha que me parecia familiar.

Voltei para trás para olhar com mais calma e percebi que era a rua do meu café favorito daqui da Itália. Eu vinha todos os dias quando morava aqui.

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