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O ar do hospital parecia pesado, sufocante. Cada segundo que passava fazia meu coração bater mais rápido, e minha mente estava inundada de pensamentos.

Sarah e eu corremos até a recepção, onde ela deu o nome de Rafe.

Seus dedos tremiam enquanto ela falava, e eu só conseguia observar, completamente tensa, sem conseguir dizer uma palavra.

- Rafe Cameron. - Sarah repetiu, quase em um sussurro, tentando se controlar.

A enfermeira que estava nos atendendo nem teve tempo de responder antes que um médico, parado próximo ao balcão, se virasse na direção dela.

- Você é irmã dele? - perguntou com um tom sério, mas gentil.

Sarah assentiu rapidamente, quase sem respirar.

- Sim. Sou eu. Como ele está? O que aconteceu?

O médico respirou fundo, com uma expressão grave no rosto, antes de se apresentar.

- Sou o Dr. Manning, estou responsável pelo caso de Rafe. Tentamos entrar em contato com o pai de vocês, mas não conseguimos localizá-lo, então ligamos para você.

- O que aconteceu? - Sarah insistiu, sua voz já começando a falhar.

- Encontraram Rafe desacordado e com pulsação muito fraca. Ele foi trazido de ambulância para cá e, ao chegar, precisou de massagem cardíaca e de um desfibrilador para que conseguíssemos reanimá-lo. Ele está estável agora, mas ainda desacordado.

Meu corpo ficou imóvel. Eu mal conseguia respirar enquanto o médico continuava.

- Fizemos alguns exames e, pelo que já conseguimos identificar, havia uma quantidade significativa de drogas no sistema dele. É muito provável que tenha sido uma overdose.

Sarah colocou as mãos na boca, completamente abalada, enquanto eu sentia minha visão ficar turva.

Não era surpresa para mim. Algo dentro de mim já sabia o que estava acontecendo desde que Barry tentou me ligar duas vezes naquela noite.

Mas ouvir o médico confirmar aquilo era diferente. Era real.

Sem falar no fato de que o coração de Rafe parou por um tempo. Ele ficou morto por um tempo.

- Ele vai ficar bem? - Sarah perguntou, com os olhos cheios de lágrimas.

- Como eu disse, ele está estável agora, mas com overdoses é impossível prever. Ele pode acordar em algumas horas, dias, semanas... ou mais. As primeiras 48 horas são cruciais, então ele ficará sob supervisão médica constante.

O médico nos deu um olhar compreensivo antes de pedir licença para verificar outros exames e prometeu que voltaria logo com mais informações.

Assim que ele saiu, o silêncio entre mim e Sarah era tão forte que parecia gritar.

Sarah sentou-se em uma das cadeiras da sala de espera, colocando a cabeça entre as mãos. Eu fiquei de pé, paralisada, encarando o chão.

- Isso... isso é minha culpa.

Minha voz saiu baixa, quase inaudível. Mas Sarah levantou a cabeça, me olhando surpresa.

- O quê? Do que você está falando?

Eu respirei fundo, tentando conter o caos dentro de mim, mas foi impossível.

As lágrimas começaram a escorrer sem controle.

- Eu menti para você. Quando disse que era Nick me ligando, era mentira. Era o Barry, Sarah. Barry tentou me ligar aquelas duas vezes e eu simplesmente ignorei e desliguei meu celular.

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