Bern estava em seu quarto se remexendo em sua cama, ele virava de um lado para o outro querendo dormir, derepente a ansiedade gritou 'supresa!' e ele acordou em um pulo se sentando na cama assustado.
Bern tentou sair do quarto, pensava que poderia ir dormir com o irmão para a ansiedade e o medo passar mas o seu corpo não se mecheu, ele não conseguia sair dali. Escutou um estalar de língua percorrer por todo o quarto, olhou em volta e não viu nada.
- Você não vai ser nada na vida. - Uma voz igual a de Bern fala, as palavras que ela – ou ele – falava ecoavam pela mente de Bern repentinas vezes seguidas sem parar.
Ele tampou os ouvidos enquanto lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto, sua mente estava a mil, não queria acreditar nisso, não poderia ser verdade, algum dia ele vai ser alguém na vida, irá ter um legado digno de uma pessoa que passou por tanto que nem ele.
Ninguém estava ligando para os choros que viam do quarto de Bern, os soluços de um coração partido e pisoteado várias vezes davam de ser ouvidos até pelo vizinho mas ninguém ligava...faze oque.
•°Bern pov°•
- Mãe eu acho que preciso ir no psicólogo. - Falei com as mãos na frente de minha barriga e meu corpo todo reto.
- Para que psicólogo? Vai querer que eu gaste mais do meu dinheiro com você é sua peste!? - Minha mãe gritou enquanto se levantava da mesa onde ela trabalha. - Isso tudo é frescura sua. Agora vaza daqui.
Me virei sem nem falar mais nada e saí do escritório dela de cabeça baixa, quando fechei a porta vi meu irmão com uma cara de deboche me olhando.
- Estão quer dizer que meu irmão quer ir no psicólogo? - Falou vindo até mim com as mãos no bolso. - Pelo jeito virou um louco por completo.
Ele tirou meu capuz o jogando para trás com força e então pegou no meu cabelo os puxando muito forte, minha garganta ficou pesada pela dor mais não disse nada, se eu reclamar vai ser pior mesmo e então ele jogou minha cabeça para trás fazendo eu bater na porta e saio falando:
- Tchau tchau maluco, a escola vai adorar saber disso. - Andava para longe de costas com um sorriso travesso, respirei fundo esperando que ele se afastasse uma distância o suficiente para eu poder subir para o meu quarto.
Subo as escadas correndo e vou até meu quarto fechando a porta, pego o meu celular e começo a jogar Minecraft com pessoas desconhecidas, um sorriso sincero aparece em meu rosto.
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Desligo o celular rápido quando escuto a porta do quarto abrir e então vejo meu pai bem ali na minha frente, ele vem até mim me pegando pelo capuz e me joga no chão.
- Denovo nesse celular Bernardo? - Ele disse pegando o celular. - Só fica nessa merda de celular, não faz nada para ajudar a família.
Ele vem até mim pegando em meu capuz e me sufocando, tento ao máximo voltar a respirar mas não consigo, ele me solta e eu caio no chão, minha respiração fica ofegante tentando voltar todo o ar que eu pedir.
- Para aprender a fazer algo que preste isso vai ficar comigo. - Falou, até tentei rebater mas minha respiração continuava falha, ele saio do quarto me deixando ali jogado no chão.
Até pensei em tentar desabafar com algum amigo mas que amigo? Até parece loucura eu não ter nenhum amigo mas meu irmão faz questão disso, ele nem liga como eu vou me sentir apenas espalha coisas falsas de mim e agora eu estou sozinho.
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Minha mãe deixou eu vir no psicólogo, não por um motivo bom é que...eu tentei me matar...realmente não tinha porque eu viver mas como eu já vi algumas pessoas falarem o 'pior do suicídio é quando ele não dar certo' e aqui estou eu com um psicólogo falando comigo.
- Mas porque você fez isso? Algum motivo em específico? - Ele me perguntou com a sua prancheta em uma das mãos e na outra um caneta.
- É que doutor eu não tinha tanta sorte, toda meia noite eu conversava com a morte. - Falei sorrindo e jogando minha cabeça para trás, vejo por baixo do olho que ele anotou algo e fez sinal para eu continuar. - Eu não tinha mais medo, era tanta dor que eu guardava em segredo.
- E porque você guardava essa dor? - Falou e eu virei para ele, forcei um sorriso que não pareceu forçado.
- Para quem eu iria contar doutor? Minha mãe que vive trabalhando? Meu irmão que faz questão de fazer uma vida um inferno? Meu pai que tira a única coisa que me faz sorrir? - Faço as perguntas já revelando tudo oque eu preciso. - Acha que vai me ajudar com isso? Minha mãe que te paga e você vai contar tudo para eles? Por mim eu só pulava e sabe o mais legal? Ninguém vai ligar.
- Olha para janela vê que a vida é bela tenta dá um sorriso só mais uma vez. - Meu psicólogo falava enquanto eu conduzia meu olhar para a janela. - O mundo é grande em algum lugar você pode encontrar mais.
- Minha paz não está no mundo doutor, e dessa vez não irei ficar até o fim da sessão. - Falei quanto me levantava. - Eu tenho uma coisa para fazer.
- Oque? - Perguntou se levantando também, sorri, a primeira vez que tinha sorriso com sinceridade para ele.
- Me passa seu telefone, irei te dizer por ele, estou atrasado. - Falei e ele me passou e então sai.
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- Oi doutor. - Falei em cima de uma prédio.
"Olá Bern? Então porque saio mais cedo de minha sessão?"
- Oh doutor...eu finalmente irei encontrar a minha paz, obrigado por tentar me compreender mas minha alma já está quebrada, ninguém vai consertá-la.
"Oque!?"
Foi a última coisa que eu ouvi antes de pular do prédio deixando o celular cair em cima dele, só quero que ele grite mais um pouquinho de desespero, não sou uma pessoa má, apenas uma vez quero fazer o mal para alguém.
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Vejo todos chorando, minha mãe, meu irmão, meu pai e alguns parentes e colegas de turmas, riu pensando em onde elas estavam na hora? Quando eu estava chorando e todos ouviam onde eles estavam? Quando pedi ajuda? Quando perguntei aquelas coisas? Onde eles estavam?
Passo por todos eles, enfim eles me perderam, tarde de mais para pensar nos erros, eu implorei muito mas nunca recebi uma ajuda sigue.
Agora todos se culpam era só ter me dado uma ajuda, um abraço, uma palavra de afeto, qualquer coisa já ajudava mas não, ele tinham que me xingar, bater e humilhar para só agora então se culparem.
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● 1150 palavras ●
○ Sei lá se ficou bom ou ruim mas eu até que gostei, amo essa música e quis fazer um one com ela, fiquem com a depressão.
○ Espero que tenham gostado.
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Ones Shorts. Creative Squad
Fiksyen PeminatOnes shorts da creative squad. Maioria dos ones shorts serão enemies to lovers porque é meu gênero favorito mas terão outros gêneros também. Terá apenas os seguintes shipps: -Mendrux -Fern -Tonigon×Geleia -Chip×Onerb Terá apenas esses shipps p...
