Desabafar é bom.

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•°Feuripe pov°•

Destranco a porta do dormitório logo entrando nele, quando fecho a porta começo a ouvir alguns barulhos de choro vindo de dentro do dormitório, fico confuso e então começo a entrar mais depois de tirar o sapato.

Eu divido meu dormitório com Bernardo Lisboa, podemos dizer que não temos a melhor relação de todas mas também não se odiamos, apenas não se gostamos e por conta disso cada um fica no seu canto e não falamos muito diferente de outros colegas de quartos e muitas das vezes são melhores amigos ou amigos.

Meus pés dando sem fazer barulho no piso que mesmo estando de meia eu consigo sentir que ele está gelado, ando até o corredor que divide os quartos e o banheiro e o choro fica mais alto, vou até a porta do quarto de Bern e então coloco meu ouvido na porta sem fazer nenhum barulho, o choro parecia de alguém frágil.

Respiro fundo saindo de perto e batendo duas vezes na porta, ninguém responde mas o choro cessou mesmo que ainda dá de ouvir alguns pequenos soluços que parecem estarem abafados por alguma coisa.

E então a porta é aberta e vejo Bern em minha frente, seus olhos estão inchados e vermelhos, seu queixo teme demonstrando que quer ainda chorar mas está se segurando.

- Oi Feuripe. - Falou e até tentou abrir um sorriso mas não conseguiu. - Precisa de algo?

- Está tudo bem? Eu ouvi os choros e fiquei preocupado. - Falei o olhando para ele, falando a verdade nem eu sabia que eu estava preocupado com ele.

- Está tudo bem...na verdade não...mas não é algo grave. - Falou se embaralhando nas palavras. - Não precisa se preocupar...

- Quer desabafar? Sei que não somos próximos mas falar isso para alguém pode ajudar. - Perguntei e ele me olhou curioso por um momento mas então acentiu.

Falando a verdade não sei porque estou preocupado com ele e nem porque me ofereci para ele desabafar comigo, acho que estou misturando dó com preocupação as vezes, pode ser isso.

- Entra. - Falou dando espaço para eu entra e assim eu fiz, me sentei em sua cama e logo ele acendeu a luz e se sentou de meu lado.

- E então oque aconteceu? - Perguntei e ele me olhou por um tempo e então soltou o ar que estava em seus pulmões.

- Eu briguei com meus pais, na verdade meu pai. - Ele falou olhando para o chão e mexendo em seus mãos. - Nós não temos uma boa relação e brigamos o tempo todo eu achava que já estava acostumado mas quando ele...

Fiquei o olhando por um tempo e então senti que ele iria começar a chorar novamente, respirei fundo pensando no que fazer.

- Ele? - Perguntei, nós não temos intimidade não sei oque fazer apenas vou deixar ele falar.

- Ele me chamou de viadinho e gayzinho de merda meu mundo desabou. - Disse entre alguns soluços.

O olhei supreso e então sem minha mente pensar no que fazer o abracei, ele aceitou o abraço e encostou a cabeça no meu ombro com as suas mão também ali em minhas costas.

- Sei como deve doer. - Falei tentando pensar no que falar. - Já passei por uma situação parecida mas em vezes de meu pai foi a minha vó, dói muito e você sente como tivesse nascido errado.

- E que ninguém nunca vai ter amar por conta disso... - Ele completou a minha frase de um jeito diferente que eu completaria.

- Saiba que alguém pode ter amar, muitos lgbt pensam assim e não é culpa deles por isso é culpa dos pais e familiares, as vezes amigos e colegas por fazer eles pensarem assim. - Continuei e sinto ele abertar o abraço. - Você não é um erro porque nasceu diferente, sendo assim todos seriamos erros já que nenhum de nós é igual.

Os soluços dele pararam e ele soltou o abraço, apenas deixei que ele saísse, me sentei no chão o olhando com agora preocupado de verdade, ele limpou as lágrimas mas eu sabia que isso não iria passar tão rápido.

- Tenta não pensar nas palavras do seu pai, ele é só uma pessoa antiga que não aceita que todos podemos amar quem quisermos. - Falei olhando para ele e então sorri tentando o conforta. - Muitos dos mais velhos pensam assim por conta de antes ser assim mas agora as coisas mudaram.

Ele sorri para mim e eu retribuo esse sorri, percebo que o sorriso dele é muito bonito e seria mais bonito ainda se não tivesse lágrimas em seus olhos.

- Obrigado Feuripe. - Falou secando novamente sua lágrimas. - Acho que eu realmente precisava desabafar.

- Não tem problemas. - Falei sorrindo para ele. - Desabafar e bom mas muitos tem medo de ser julgados por causa disso mas saiba que se precisar desabafar é só bater no meu quarto ou me esperar que eu estou a todos ouvidos.

Ele riu e meu coração por um momento parou repetindo essa risada algumas vezes em minha mente, sorri novamente, agora um sorriso bobo e então levantei do chão.

- Acho melhor eu ir tomar um banho agora, nem fiz nada quando cheguei da escola.

- Obrigado denovo.

- Não tem nada Bern, posso ter chamar assim?

- Claro.

Então eu sai do quarto dele e entrei no banheiro. Eu realmente gosto de ajudar os outros e sinto que sou bom nisso, quando eu crescer quero poder ajudar mais pessoas com problemas não físicos e sim emocionais, apenas não sei a profissão certa para isso.
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● 933 palavras ●

○ Acho que é uma das primeiras vezes que faço o Feuripe como um reflexo de mim e não o Bern, eu gostei.

○ Espero que tenham gostado.

Ones Shorts. Creative SquadOnde histórias criam vida. Descubra agora