O problema não é a matemática.|Tonileia|

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°•Tonigon pov•°

Fecho meu caderno de matemática com calma para não ficar nenhuma ponta dobrada, uma das coisas que mais odeio em caderno, dica horrível. Pego meu lápis, borracha, caneta e marca texto vermelho que uso para marcar as coisas importantes, vermelho igual o inferno que é matemática. Guardo tudo no estojo.

Tipo, eu até que gosto de matemática, não é uma matéria que tenho dificuldade e comparado com geografia eu gosto muito de fazer as atividades e não sinto um tédio ensurdecedor ao fazer as atividades mandadas. Matemática é simples, apenas lógicas – algumas bem estranhas – que você tem que decorar e então é só vitória.

A coisa que eu menos gosto na aula de matemática é a bagunça que todos fazem, já que praticamente ninguém gosta da matéria e pouquíssimos estão dispostos a aprender realmente. Até mesmo o Pedrux não faz as atividades! O Pedrux! Que é o exemplar de todos os professores, o melhor aluno e vice-líder da sala de aula.

E também tem mais um motivo para eu não gostar tanto da aula de matemática, e esse motivo está todos os dias na frente da turma mostrando o quadro e explicando em um tom calmo, e é claro que esse motivo tem um nome. Luis Fernando, ou como todos os alunos chamam ele, Geleia.

Geleia é o típico professor que todos os alunos gostam, novo e divertido, um divertido não forçado. Ele tem 23 anos, e por ser bem novo e não posso negar que bem bonito ele é popular entre os outros professores e alunos, entre os meninos e ainda mais entre as meninas que só faltam babar quando ele passa no corredor.

Porque esse é um dos problemas, porque esse maldito professor não sai da minha mente e então não consigo aprender a matéria por causa disso, eu fico tão focado no quanto ele é lindo que esqueço de focar na explicação. E pelo jeito ele percebeu isso pois enquanto falo comigo tem horas que ele parece flertar comigo.

É claro que eu posso está ficando doido e isso é só ilusão da minha cabeça mas não vejo ele agir assim com mais ninguém, apenas comigo. O jeito que ele explica as coisas quando eu digo que não entendi me olhando profundamente nos olhos, as vezes toca minha mão de forma parece que intencional.

E tudo tão estranho mas eu não consigo entender oque ele realm...

- Podem sair alunos. - O professor falou me tirando dos meus pensamentos. - Menos você Antônio, quero falar contigo.

- Ihhhh fez merda é, líder de sala. - Nait zuou rindo enquanto saía com todos.

- Porque eu tenho que ficar professor? - Perguntei me levantando e me aproximando mantendo uma distância respeitoso.

- Quero falar um pouco com você. - Respondeu com sua voz calma como sempre, observando a última aluna sair da sala.

- Falar sobre oque professor? - Pergunto, minha mão suando por causa da tensão.

Geleia se virou mexendo em sua bolsa, de forma lenta, muito lenta, quase como uma tortura silenciosa. A cada som de papel se mexendo na bolsa minhas mãos ficavam ainda mais suadas.

E então ele virou, com uma folha em mãos me entregando. Nota 4,3, meu nome escrito com a minha letra na ala do nome.

- Oque... oque? Como que tirei uma nota tão baixa? - Perguntei em um sussurro, como se estivesse falando para mim mesmo.

- E isso que eu queria te perguntar, Antônio, suas notas andaram caindo bastante nesse segundo trimestre. - Falou me olhando e eu engoli em seco.

- Eu... eu não sei oque aconteceu professor... - Murmurei mas minha voz tremeu enquanto olhava para a folha, eu sei oque aconteceu. Ele aconteceu.

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