42. É Real

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A consequência mais séria do dia foi o número de curandeiros perdidos.

Era uma coisa e tanto de se dizer, muitas pessoas haviam morrido, mas o que mais custaria à Ordem era a falta de medibruxos, e também não havia muitas deles. Pelo menos a maioria deles havia ficado na mansão quando o ataque estava acontecendo para esperar pelos feridos mais graves.

Isso não apagou o fato de que dezessete dos vinte e cinco no acampamento morreram.

Padma foi uma das vítimas.

Uma parte do cérebro de Harry se perguntou de uma forma muito macabra por que ela havia sido salva na Áustria, por que ela era tão importante para ele. Fez algum sentido?

No final do dia, ela morreu de qualquer maneira.

Todas as pessoas que lutaram no St. Mungo já estavam lá, enchendo a mansão mais uma vez. Eles não sabiam como organizá-los: aqueles que lutaram, os feridos, os sobreviventes e aqueles que conseguiram resgatar estavam todos misturados, e a Ordem estava mais preocupada com os afetados pela explosão. Os bruxos restantes e as pessoas ilesas estavam fazendo o que podiam para ajudar. Eles tinham alguns estoques de poções que Draco vinha fornecendo ao longo dos meses e que serviriam por enquanto, mas Harry sabia que eles precisariam de mais.

O problema era que Draco ainda não tinha indo para a base, e Harry sentiu o medo se alojar no canto de sua mente pensando que talvez Voldemort o estivesse punindo por algo estúpido.

Ou que algo pior aconteceu com ele enquanto ele não estava lá.

Por mais que quisesse largar tudo para testar sua hipótese, Harry não conseguia continuar pensando nisso sem enlouquecer, e ele tinha coisas mais urgentes que exigiam sua atenção.

Como Luna.

Ela estava acompanhada por Theo, que não se importava em ficar com os Comensais da Morte para manter as aparências. Um dos curandeiros estava com Luna e Madame Pomfrey estava ao seu lado observando-a. Tinha sido um milagre que eles não estivessem na tenda, pelo que Rony e Hermione lhe disseram. Apenas alguns minutos antes, Poppy havia saído para perseguir Luna e forçá-la a descansar.

— O que realmente aconteceu com ela? — Harry perguntou quando ele e Hermione chegaram à mansão. Luna estava entre os feridos.

— Luna foi atingida quando caiu enquanto lutava, — explicou Hermione, com os braços cheios de poções. — Além da maldição, começaram a pisar nela. Quando alguém a viu e a levou para a tenda para tentar curá-la, ela tentou se levantar antes de estar completamente curada. Madame Pomfrey e os meninos que conseguiram salvá-la a seguiram. Demorou um minuto para a tenda explodir.

Isto é, minutos depois que Harry saiu com Draco.

Luna poderia ter morrido e ele não teria notado.

Depois que mais algumas palavras foram trocadas, e depois que a culpa diminuiu, Harry entrou na sala onde Madame Pomfrey e Luna estavam. Seu primeiro instinto foi perguntar se ela precisava de alguma coisa, mas ela negou e parecia querer ser deixada sozinha. Harry não tentou se aproximar, ele simplesmente seguiu o curso dela e foi até onde Theo e Luna estavam conversando devagar. O homem segurou a mão delicada de Luna na dele e acariciou-a como se estivesse grato a cada respiração por ela estar lá. Luna, enquanto isso, olhava para a parede, perdida.

— O que aconteceu com ela? — Ele perguntou, vindo para o lado de Theo. — Qual foi o feitiço que a pegou durante a batalha?

— A última maldição que Draco criou a atingiu, — ele respondeu distraidamente. — Se não fosse pelo fato de que ele criou uma contra-maldição também...

Desolation | DrarryOnde histórias criam vida. Descubra agora