Draco não se incomodou em voltar para a mansão, sua ansiedade para ver Harry era demais.
E se ele o tivesse machucado?
E se ele tivesse machucado o outro de um jeito irreversível?
Theo também estava lá quando apareceu do lado de fora da base, ambos cobertos de sangue, suor e cinzas. Theo estava se abraçando olhando para a frente, e Draco queria abraçá-lo por causa de quão frágil ele parecia... mas ele mal estava de pé sozinho. Draco não queria arriscar quebrar os dois.
— Ela está morta, — foi a primeira e única coisa que Theo disse, antes que o portão se abrisse.
Por pelo menos meio minuto, seu mundo pareceu parar. A frase não fazia sentido em sua cabeça.
Draco sentiu sua respiração prender em algum lugar em sua boca, e ele se virou para Theo, que estava tão sério como sempre. Não parecia natural, no entanto. Ele se parecia muito com Theo após a explosão em Godric's Hollow. Aquele após a morte de seus pais. Uma máscara. Eles eram feitos de máscaras.
— O quê? — Draco perguntou com o terror crescendo em seu sangue enquanto o seguia pelo labirinto. — Quem?
Quem? Quem perdemos agora?
Theo não respondeu, e Draco teve que... teve que juntar as peças sozinho.
Não demorou muito para ele encontrar uma resposta.
O Ministério havia caído, todos os que restavam estavam mortos. Theo estava ferido, tremendo, e Draco não conseguia imaginar a rachadura em sua voz. Ela está morta.
Duas palavras que Draco tinha ouvido mais do que queria.
E eles só podiam se referir a uma pessoa.
Pansy estava morta.
Ninguém veio em seu socorro, ele não veio em seu socorro do jeito que prometeu que faria. Pansy estava nas masmorras, e toda a porra do prédio tinha que ter caído sobre ela. Pansy estava morto, e Blaise estava morto, e Draco não podia fazer nada sobre isso. Talvez ela tenha esperado por ele, talvez ela tenha gritado o nome do Draco, e ele... ele nem pensou nela.
Pansy estava morta.
E eu prometi salvá-la.
Draco quase correu os últimos passos do labirinto, a ansiedade de encontrar Harry queimando por dentro. Harry provavelmente não saberia o que fazer, estaria exausto e arrasado como sempre depois de uma batalha, mas pelo menos estariam arrasados juntos. E, naquele momento, Draco precisava dele tanto quanto precisava respirar.
Mas não havia ninguém no início do labirinto além de Luna Lovegood.
— Você está viva, — ele ouviu, e logo Theo estava apertando-a em seus braços.
— Theo.
Draco lançou um olhar rápido para eles e seguiu em frente com os outros. Harry tinha aberto a porta, então ele tinha que estar ali, em algum lugar. Provavelmente se desgastando para ajudar, mas ali, atrás daquelas paredes e seguro.
Respire.
Draco ignorou os olhares perplexos enquanto caminhava pela mansão e foi de porta em porta, olhando através delas e procurando por Harry completamente. Ele tinha que estar lá, ele tinha que estar.
Respire.
Ele pensou tê-lo visto, embora apenas o confundisse com um menino de óculos. A cada segundo que passava, o coração de Draco batia mais alto em sua garganta, e o desespero o fazia querer puxar seu cabelo ou coçar seu rosto. Harry não estar lá nem era uma opção. Ele tinha que estar. Ele tinha que estar, e ele tinha que estar certo. Harry havia prometido a ele, dito a ele que sua vida pertencia a ele, e Draco não estava pronto para perdê-lo agora. Nunca. Não quando a última coisa que ele fez—. A última coisa que ele disse a ele...
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Desolation | Drarry
FanfictionHarry Potter estava morto. A guerra acabou. Todo o Mundo Mágico estava finalmente sob o regime de Voldemort. E Draco Malfoy fazia parte do círculo mais íntimo do Lorde das Trevas. Oito anos após a Batalha de Hogwarts, e com a aparição repentina de H...
