44. O Ministério da Magia

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Draco não esperava ser convocado no dia em que a Ordem atacou o Ministério.

Os últimos dias de janeiro não eram tão diferentes dos outros meses. Draco torturava, extraía informações dos traidores imundos e observava com indiferença enquanto cinco pessoas eram enforcadas no Ministério, deixadas para morrer e apodrecer ao longo dos dias, assim como a cabeça do falso Harry Potter, tantos anos atrás. A única coisa diferente em todas aquelas semanas aconteceu naquela noite. Fazia um ano desde a morte de sua mãe, e Draco já estava bebendo há horas, revivendo tudo como se tivesse acontecido no dia anterior. Lembrando-se de como foi segurá-la nos braços.

Ele tentou desenterrá-la em desespero, ele tentou, mas a cripta era feita de pedra e reforçada com magia, então tanto os cadáveres quanto os objetos mantidos lá pelos Malfoy eram praticamente impossíveis de remover, muito menos quando ele estava bêbado. Não importava no momento, no entanto; Draco quebrou as unhas enquanto puxava e arranhava as pedras, esperando vê-la mais uma vez, iludindo acreditando que poderia dizer adeus.

Um elfo apareceu ao seu lado quando percebeu que Draco estava se machucando além do que poderia suportar. E Draco, apenas porque sabia que não adiantaria resistir, permitiu que a criatura o aparatasse para seu quarto. Lá, ele próprio tratou de curar seus ferimentos. Isso não o impediu, ainda bêbado e um pouco mais recuperado, de vagar por aquela casa horrível onde ele tinha as lembranças mais felizes de sua vida.

Ele caminhou pelos corredores, e ao invés de ver seus primeiros passos, as risadas e os bons momentos juntos, Draco só podia ver Nagini deslizando pelo chão procurando por sua próxima presa. Draco olhou para uma parede e pensou que ainda podia ver sangue seco nela, de quando Greyback ou um dos outros matou e feriu à vontade. Em todos os lugares ele via flashes de Eric, do momento em que sua vida foi para a merda. Draco vagou por aquela mansão, o lugar que já havia sido sua casa, e tudo o que ele desejava era que ela deixasse de existir porque representava tudo o que ele não queria mais lembrar.

E enquanto caminhava, sem realmente querer, Draco de repente estava parado na frente do retrato de sua mãe.

Aquele que ele nunca havia visitado antes.

Ficava perto do salão principal. Havia os três. Narcissa em uma cadeira de um lado do fogo, Lucius do outro, e Draco no meio dos dois, sentados. Ele e Lucius ficaram imóveis, mas era perceptível a maneira como o peito de Narcissa subia e descia na escuridão, dormindo em seu retrato. Ela parecia tão jovem e forte, de uma forma que fez seu coração apertar.

— Mãe?

As palavras saíram de sua boca antes que ele pudesse pará-las.

Draco deu um passo para trás quando Narcissa abriu os olhos; azuis e tão vívidos que, por um momento, ele pensou que não estava olhando para uma pintura. Ele queria alcançá-la, tocá-la, sentir seus braços ao seu redor mais uma vez.

Mas ele não podia.

— Um pouco tarde para isso, não acha? — Ela perguntou, a voz sonolenta enquanto se aconchegava perto do fogo. — Achei que você nunca viria. Olhe para você... Está tão grande.

Sua voz.

Draco tinha esquecido o som de sua voz quando ela estava calma.

Ele se forçou a respirar devagar e profundamente, cerrando as mãos. Ele podia lidar com isso. Afinal, não era realmente sua mãe, era? Era só um retrato.

Isso era tudo o que lhe restava.

Uma ilusão de quem Narcissa era em vida.

O orgulho nos olhos de sua mãe era inegável, e mais uma vez, Draco sentiu seu mundo inteiro tremer. — Você está tão grande. — Sua mãe teve tempo de perceber o quanto ele cresceu quando ela foi presa? Ela tinha notado? Em algum momento ela percebeu quem Draco havia se tornado?

Desolation | DrarryHistórias para pegar e não largar. Descubra agora