37. Caminhando Sobre Cristais

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Harry não queria, mas estava segurando os ombros de Astoria com muita força para que ela saísse da cabeça de Draco de uma vez por todas.

Ele sabia que não ia funcionar, não enquanto ela quisesse continuar navegando em sua mente, mas Harry precisava desesperadamente que ela saísse. Draco estava gritando e se debatendo sob seu escrutínio, e até Astoria estava abalada. Ela os estava machucando, e não havia nada que ele pudesse fazer sobre isso. O desamparo sempre o desesperou, no entanto, ele não conseguia se lembrar de estar tão amarrado como agora. E embora isso provavelmente fosse uma mentira, Harry ainda se sentia como um animal atrás das grades; sem poder tocar em nada que estivesse fora de seu alcance.

Finalmente, Astoria escorregou da cabeça de Draco e caiu contra seu peito, afetado pelo que ela tinha acabado de ver. Draco, por outro lado, tinha sido apoiado por Theo para que ele não caísse no chão. Ele estava totalmente inconsciente.

— O que aconteceu?! — Harry exclamou. — O que você fez?!

Astoria se separou dele quando o ouviu gritar, e uma parte dele se sentiu mal por fazer isso, mas agora ele não conseguia agir racionalmente. E se ela tivesse deixado Draco louco? E se ela tivesse fragmentado sua mente?

— Harry, acalme-se.

A voz de Kingsley o fez recuar, só um pouquinho, e Harry tentou ouvi-lo. Ele respirou fundo, desviando o olhar de uma Astoria assustada, que ainda não parecia estar no presente. Os olhos dela disparavam de um lado para o outro.

— Eu consegui- eu consegui as memórias dele de volta, — ela gaguejou. Ou algumas delas. — Aquelas que estavam ao alcance. Eu-

Harry sentiu a raiva ferver novamente.

— Você não deveria ter feito isso. Você não deveria ter feito isso, muito menos agora. Ele acabou de descobrir que o pai dele tem sérios danos mentais, e você-

— Harry, — a voz de Kingsley soou como um aviso dessa vez, e Harry teve que se virar para não expressar toda a frustração que sentia.

— Eu sei, — Astoria murmurou. — Eu sei. Eu não deveria-

Pelo jeito que suas palavras falharam, Harry percebeu que ela estava tremendo. Naquele momento, ele não podia se preocupar, porque se ela estava assim, como Draco estaria quando acordasse? Quando soubesse de tudo o que fizeram com ele e sua mãe?

Como ele iria sobreviver depois de tudo isso?

— Porra.

Harry se virou para caminhar até onde Draco ainda estava nos braços de Theo e ficou na frente dele. Ele parecia em paz, como se nada fora do comum tivesse acontecido. Harry se perguntou quanto tempo isso duraria.

— Você viu alguma coisa? — Kingsley perguntou a Astoria. A mulher levou um momento para responder.

— Sim.

Era óbvio que ela tinha visto algo, mais do que óbvio, o problema era o que, ou se era uma informação útil. Se não, ela tinha feito Draco passar por tortura após tortura sem nenhuma razão real por trás disso.

Harry deu um passo para o lado de Theo, sem ousar olhar para Astoria. Talvez ele estivesse sendo injusto, mas não se importava.

— Eu não sei… — ela disse calmamente. — A coisa mais importante é-não. Eu não sei se é a mais importante, mas…

— Astoria, — Kingsley disse a ela suavemente, arrastando uma das cadeiras que eles tinham na cela até ela. — Por favor, sente-se.

A mulher obedeceu. Enquanto isso, Lucius Malfoy continuava no mesmo lugar em que estivera alguns minutos atrás, sem perceber que talvez Draco tivesse sofrido danos irreparáveis. Sem perceber nada. Harry estava sentindo um mal-estar que não lhe pertencia.

Desolation | DrarryOnde histórias criam vida. Descubra agora