38. Traços do passado

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Draco teve permissão para visitar Pansy porque aos olhos do mundo mágico ela ainda era sua noiva.

E também porque Draco Malfoy era Astaroth, um membro do Nobilium.

Os acontecimentos recentes aconteceram tão rápido que ele mal teve tempo de processá-los. A fuga de Azkaban, ver o estado mental de seu pai, recuperar algumas — ou talvez todas — de suas memórias da tortura de sua mãe e, finalmente... Pansy Parkinson presa por traição.

Não, não havia tempo para processar. A guerra estava avançando, avançando, avançando, e todos tinham que se ajustar à sua velocidade.

Draco sabia que seu relacionamento com Pansy não era o mesmo. Eles tiveram mais de uma briga durante aqueles meses, e na última Pansy rompeu o noivado, pelo menos simbolicamente. Eles pediram mais do que o outro estavam dispostos a dar e então abandonaram um ao outro. Draco se descuidou por dois segundos, a deixou de lado por dois segundos, e agora— isso.

Ele estava andando pelo andar térreo do Ministério acompanhado por Johan Avery, que ele reconheceu de suas memórias e torturas. Draco o observou como se ele fosse uma barata assim que foi designado como seu acompanhante, e o homem se encolheu, levando-o em direção às masmorras sem encontrar seu olhar. Talvez fosse porque anos suficientes haviam se passado e Draco havia mudado o suficiente para que os papéis fossem invertidos; ou talvez a raiva com que ele encarava sua vida cotidiana o fizesse parecer mais intimidador do que nunca. De qualquer forma, uma parte dele estava satisfeita em vê-lo tão... pequeno.

Avery abriu a porta de uma das celas lotadas para ele, e Draco entrou, sem saber o que encontrar. Ele não conseguia olhar para frente; ele não era tão corajoso. Mas ele tinha que encarar o que tinha ido fazer.

Ele olhou para cima.

Pansy estava olhando para ele com raiva do outro lado da cela.

— O quê, você está aqui para me torturar?

Draco a ignorou, fechando a porta atrás de si. Se fosse qualquer outra pessoa, Avery provavelmente teria ficado, mas Draco era seu superior, então não havia muito que ele pudesse fazer. E se ele tivesse tentado...

— O que aconteceu? — Ele decidiu perguntar.

Pansy bufou.

— Você está brincando, não é? Inacreditável.

— Pansy, eu não entendo. Não tenho a mínima ideia do por que diabos você está aqui.

— E você espera que eu acredite nisso?

— Estou falando sério, — Draco disse, perdendo a paciência. Ele precisava ajudá-la, não isso. — Eu quero tirar você daqui, é por isso que eu vim. Mas para fazer isso eu preciso saber o que aconteceu.

Pansy andou até as barras de metal, enfiando a cabeça por um dos buracos e rangendo os dentes. Suas unhas ainda estavam perfeitamente pintadas; suas roupas estavam quase completamente limpas.

— O que aconteceu? — Ela sibilou, furiosa. — Tudo bem. Vou te contar o que aconteceu. Blaise veio me procurar como eu disse que ele faria. Ele foi o mais longe que pôde através da fronteira e chegou até mim, porque como eu disse a você, estamos apaixonados. E o mínimo que eu podia fazer era cumprir a outra parte, ou seja, encontrar uma maneira de nos tirar desse buraco de merda e ir embora para sermos felizes em outro lugar. Movi meus contatos, fiz o que pude, tudo estava perfeito e pronto, e pouco antes de podermos fugir através da fronteira, fomos parados. Alguém nos entregou.

Draco poderia ter ficado tonto com a enxurrada de informações.

— O que?

— Então não se faça de bobo. — Pansy não respondeu à pergunta dele. — Porque a única pessoa que sabia era você. A única.

Desolation | DrarryOnde histórias criam vida. Descubra agora