Acordar com o cheiro de café vindo da cozinha virou um dos meus momentos preferidos do dia. Desde que nos casamos, a vida ganhou um ritmo diferente. Mais simples, mais real. Nada de festas extravagantes ou dramas desnecessários — agora meu dia começa com barulho de galinhas, passos de botas no chão de madeira e beijos na testa antes do sol nascer.
Hector já estava lá fora, como sempre. Ele acordava antes de mim, cuidava dos cavalos, verificava os celeiros e só depois passava pela cozinha para o café que Mari fazia com gosto — ela resolveu passar uns dias com a gente depois do casamento, e a presença dela tem sido leve, tranquila. Meu pai foi embora depois de uma semana, prometendo voltar com frequência, o que é o máximo de compromisso que consigo tirar dele.
Coloquei minha camisa jeans preferida, calcei as botas que já estavam cheias de poeira e prendi o cabelo de qualquer jeito antes de sair. A fazenda estava calma naquela manhã, mas com aquele tipo de calma que só vem quando há trabalho pela frente.
— Achei que ia dormir o dia inteiro — Hector falou, me olhando com aquele sorriso torto que ainda me dava frio na barriga.
— Dormir não faz a colheita acontecer, cowboy — brinquei, encostando nele para roubar um beijo.
A gente ainda estava se ajustando. Casar não muda tudo de uma hora pra outra. Mas mudou o suficiente. Agora ele dividia os planos comigo, me chamava pra resolver coisas da fazenda e, mais do que isso, me ouvia de verdade. E eu... bom, eu tinha mudado também. Queria fazer parte de tudo, não só assistir.
— Hoje vamos separar o feno e revisar as cercas do lado sul — ele avisou, me entregando um boné. — Vai comigo?
— Sempre.
A rotina podia ser dura, mas era nossa. E eu não trocaria isso por nada.
Depois de um dia inteiro ajudando no campo, eu e Hector finalmente conseguimos escapar pro nosso quarto. A lua estava alta, a brisa quente... tudo perfeito. E o melhor: silêncio. O bebê tinha dormido, os pais dele estavam na casa de hóspedes, Mari tinham ido visitar uns vizinhos, e os outros estavam ocupados demais cuidando de afazeres da fazenda. Finalmente.
— Tranca a porta — falei baixinho, com um sorrisinho cúmplice.
Hector me olhou como se tivesse acabado de encontrar água no deserto. Ele trancou a porta, largou as botas no canto e veio até mim num segundo. Me puxou pela cintura e me beijou como se o mundo lá fora não existisse.
— Pensei que nunca mais ia conseguir ficar a sós com você — ele murmurou contra minha pele.
— Acho que a gente vai conseguir agora. Finalmente.
Mas claro... foi aí que ouvimos.
TOC TOC TOC
— Biaaaanca? O Antony acordou e tá chorando, acho que quer você — era Margareth, batendo como se fosse questão de vida ou morte.
Fechei os olhos, respirei fundo.
— Eu vou... — murmurei, derrotada, calçando o chinelo.
— Eu juro que essa casa é vigiada por um radar anti-romance — Hector disse, jogando a cabeça no travesseiro.
Sorri com pena. Dele. De mim. Da nossa privacidade em extinção.
— Um dia a gente vai conseguir, amor. Um dia...
E saí do quarto, já ouvindo o choro do pequeno Antony ecoando pela sala.
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Bruto e Rústico
RomansBianca recebe um castigo de seu pai após ter dado uma festa em casa e acaba indo parar em uma fazenda no Texas para deixar de ser a menininha do papai , lá ela conhece Hector o dono da Fazenda , e muita coisa rola entre esses dois...
