Capítulo 53

109 3 0
                                        

Acordei com o cheiro de café invadindo o quarto e um braço forte me puxando de volta quando tentei sair da cama.

— Onde pensa que vai? — a voz rouca do Hector soou atrás de mim, ainda carregada de sono.

Sorri, me virando pra encará-lo. O cabelo bagunçado, o peito nu e aquela expressão de quem não estava nem um pouco disposto a me deixar levantar.

— Ia buscar café pra gente... — sussurrei, mas ele me puxou mais pra perto, os lábios encontrando meu ombro nu.

— Eu prefiro o que já tenho aqui.

Fiquei ali por alguns segundos, só curtindo o calor do corpo dele, a respiração lenta contra minha pele e a paz rara daquele momento. Era estranho como, mesmo depois da noite mais intensa da nossa vida juntos, tudo parecia tão... simples. Tão certo.

— A gente sobreviveu — falei, passando os dedos pelo peito dele.

— Sobreviveu e venceu — ele respondeu, com aquele sorriso preguiçoso. — Essa madrugada foi o troféu da minha paciência.

— Engraçado... achei que o troféu fosse meu.

Ele me virou de leve, ficando por cima de novo, e sussurrou:

— A gente pode disputar de novo. Melhor de três.

— Hector...

— Shhh. Ainda temos tempo antes da casa acordar. E dessa vez, eu tranco a porta.

Rimos juntos, mas ele fez mesmo. Levantou nu da cama, trancou a porta e voltou com aquele olhar safado que já dizia tudo. Me puxou pelos tornozelos devagar, me fazendo deslizar até ele, e murmurou:

— Eu te avisei que não ia sobreviver à sua vingança.

— E eu te avisei que jogava sujo.

Mais tarde, com o sol já alto e o cheirinho de pão de queijo fresco vindo da cozinha, a gente apareceu de mãos dadas, fingindo normalidade enquanto Mari, Luke e Helen estavam sentados à mesa tomando café.

— Dormiram bem? — Helen perguntou, com uma sobrancelha arqueada.

— Como pedras — respondi, mordendo um sorriso.

Hector fingiu um bocejo dramático.

— Eu tô exausto, inclusive. Deve ser a lua cheia.

Luke riu com um copo de leite na mão.

— Ou a vingança da Bianca finalmente aconteceu?

Hector me encarou por um segundo. Eu ergui o queixo, triunfante.

— Não só aconteceu. Foi lendária.

Mari engasgou com o café e Helen soltou uma gargalhada.

— Esses dois... — ela balançou a cabeça, divertida. — Ainda bem que o Antony dormiu a noite toda.

O olhar que troquei com Hector foi rápido, cúmplice, e cheio de promessas silenciosas.

Sim, a vingança aconteceu. Mas o jogo estava longe de acabar.

Bruto e  RústicoOnde histórias criam vida. Descubra agora