Capítulo 55

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Dois dias depois

A caminhonete cortava a estrada de terra, levantando uma poeira dourada atrás de nós. O sol começava a descer no horizonte, pintando o céu com tons de rosa, laranja e violeta. Era como se até o universo estivesse conspirando a favor — finalmente.

Hector dirigia com uma mão no volante e a outra descansando na minha coxa, os dedos fazendo desenhos distraídos no tecido do meu short jeans. Ele estava com a camisa aberta nos botões de cima, óculos escuros e aquele sorriso de quem estava prestes a cometer uma pequena imprudência... ou várias.

— A gente tá longe o bastante pra alguém desistir e correr atrás da gente? — perguntei, olhando pelo retrovisor.

— Se não estamos, vamos estar em mais quinze minutos.

— Ainda acho que a Helen vai aparecer de helicóptero. Ou Luke vai surgir do mato pedindo ajuda com um bezerro doente.

Ele deu uma risada baixa, virando na estradinha que levava direto ao chalé.

— Se alguém aparecer, eu tenho um plano.

— Qual?

— A gente se esconde e finge que virou lenda urbana. "O casal que fugiu e nunca mais voltou".

— Bonito. Poético até.

Ele olhou de lado, o sorriso agora com uma pontinha de malícia.

— Mas se for você quem some... eu saio procurando. Nem que tenha que revirar cada pasto do Texas.

Aquilo me atingiu mais fundo do que eu esperava. Suspirei, e minha mão buscou a dele, entrelaçando nossos dedos.

— Não vou sumir, cowboy.

— Ainda bem.

O chalé era do jeitinho que eu lembrava — simples, rústico, cercado por árvores altas e silêncio absoluto. Tinha uma varanda com rede, um fogão a lenha na cozinha e uma cama de casal enorme no quarto, com cobertores grossos e janelas que davam direto pro céu.

Assim que entramos, Hector largou as mochilas no chão e me puxou pela cintura.

— Agora sim — ele disse, a voz grave. — Nada de batidas na porta. Nada de sogras, amigos ou pão de queijo. Só você, eu... e aquela vingança acumulada.

Sorri, mordendo o lábio, o corpo já respondendo à proximidade dele.

— Então fecha a porta, cowboy.

Ele obedeceu.

E dessa vez, ninguém bateu.

A porta se fechou com um estalo suave.

E o silêncio que veio depois foi quase sagrado.

Nenhuma voz chamando nossos nomes. Nenhum bebê chorando. Nenhum "só mais uma coisinha". Só o som do vento lá fora... e nossas respirações aceleradas.

Hector me encostou contra a porta, os olhos escuros fixos nos meus, o corpo colado no meu como se estivesse tentando matar uma fome antiga.

— Eu esperei tanto por isso — ele murmurou, a mão deslizando pela minha cintura, subindo devagar, como se quisesse redescobrir cada parte de mim com calma.

— Esperou? — perguntei num sussurro, já perdida no toque dele. — Eu tava quase fazendo uma lista de inimigos.

Ele riu baixo, a boca encostando na minha pele, no ponto exato onde meu pescoço começava. Um arrepio correu pela minha espinha.

— E agora? Vai se vingar?

— Isso é uma promessa — respondi, puxando a barra da camisa dele, revelando o abdômen que me fazia esquecer meu próprio nome.

Fomos nos despindo entre risos, provocações e beijos cada vez mais profundos. Como se o tempo que passamos nos esbarrando pela casa, nos provocando com olhares e não podendo fazer nada... tivesse virado combustível.

Nos jogamos na cama entre lençóis que cheiravam a sabão caseiro e madeira. O quarto era simples, mas tinha aquela magia de ser só nosso. Como se o mundo lá fora tivesse tirado um cochilo e deixado a gente brincar um pouco.

As mãos dele exploravam meu corpo com uma mistura perfeita de urgência e carinho. Beijos demorados, toques precisos, suspiros que escapavam antes que eu pudesse controlar. Ele sabia exatamente onde me tocar, onde parar, onde insistir.

— Você é bonita demais — ele disse, os olhos fixos nos meus enquanto deslizava os dedos pela minha coxa. — E quando olha pra mim assim... eu esqueço quem sou.

Eu puxei ele pra perto, invertendo nossas posições, montando sobre ele com um sorriso vitorioso.

— Então lembra de uma coisa, cowboy... essa noite, quem comanda sou eu.

— Deus me livre discordar.

O resto da noite foi feita de risos abafados, promessas sussurradas e corpos entrelaçados como se o mundo tivesse encolhido até caber ali, naquele colchão, naquele chalé.

E pela primeira vez em muito tempo, ninguém interrompeu.

Só o som da lareira estalando... e da nossa respiração se misturando, como uma dança que a gente esperou tempo demais pra começar.

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⏰ Última atualização: Sep 04, 2025 ⏰

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