Capítulo 44

96 4 0
                                        


O céu estava tingido de tons alaranjados quando o avião pousou. Era a primeira vez que eu e Hector viajávamos juntos desde... bom, desde sempre. Nosso destino? Uma pousada charmosa no meio das montanhas, afastada de tudo e de todos. Só nós dois.

— Isso é um sequestro? — brinquei ao descer da caminhonete que nos buscou no aeroporto, olhando ao redor. Tudo era verde, silêncio, natureza e aquele ar de liberdade que me fazia lembrar quem eu tinha me tornado.

— Um sequestro autorizado por cartório, com aliança e tudo. — Hector sorriu, tirando as malas e passando o braço pela minha cintura.

A cabana era de madeira, com janelas enormes e uma vista de tirar o fôlego para o vale. Lá dentro, a lareira já estava acesa, e havia pétalas de rosa espalhadas até a cama.

— Está tentando me conquistar de novo? — perguntei.

— Eu vou passar o resto da vida fazendo isso, Bianca Mortz-Hernández. — Ele se aproximou, me puxando pela cintura. — Você me aguenta?

— Se você me der chocolate quente e me esquentar os pés à noite, posso pensar no caso. — Sorri, provocando.

Nos beijamos devagar. Com calma. Como se o mundo lá fora não existisse.

Naquela noite, tudo foi diferente.

Sem a correria da fazenda, sem Antony chorando ou gente entrando no quarto. Só eu e ele. Pela primeira vez, como marido e mulher.

As roupas caíram no chão com uma naturalidade que só os apaixonados entendem. O toque dele era firme, mas carinhoso. Como se me redescobrisse. E eu me deixava ser descoberta. Sem medo. Sem pressa.

— Sabe o que eu mais gosto em você? — sussurrou enquanto traçava beijos lentos pelo meu pescoço.

— Além da minha teimosia? — ri baixinho.

— O jeito como você se entregou à vida nova. E a mim. Você é brava, mas tem o coração mais lindo que já conheci.

Fechei os olhos, tentando conter a emoção.

— Eu nunca imaginei amar tanto alguém... nem viver tudo isso. Eu achei que a fazenda fosse um castigo. E no fim, foi meu lar. Meu recomeço.

— E agora é nosso. Para sempre. — ele disse, me puxando para ainda mais perto.

Dormimos abraçados, ouvindo o barulho da chuva caindo lá fora, como uma música feita só para nós.

**

Os dias seguintes foram perfeitos.

Caminhadas pela trilha, jantares à luz de velas improvisados, banhos de rio escondido. Ri como nunca, me senti leve como há anos não me sentia. E em cada detalhe, Hector me mostrava que amar também era ser livre, mesmo dentro de um compromisso.

No último dia, antes de irmos embora, ele me levou até o topo de uma colina.

— Por que viemos aqui? — perguntei, sem fôlego.

— Porque quero te prometer algo. — Ele pegou minhas mãos. — Que não importa onde estivermos, com ou sem fazenda, com dias bons ou ruins... eu vou te amar assim. Como agora. De corpo inteiro. De alma.

— Eu também. Para sempre. — disse, com os olhos marejados.

Nos beijamos ali, com o vento bagunçando nossos cabelos, e o sol se pondo atrás das montanhas. Nosso primeiro pôr do sol como marido e mulher.

E eu soube, naquele instante, que a garota mimada tinha ficado para trás. E que o amor que nascia da terra, da simplicidade e da entrega... era o mais verdadeiro que eu poderia ter.

Bruto e  RústicoOnde histórias criam vida. Descubra agora