A música suave ecoava pelo jardim enquanto eu caminhava lentamente em direção ao altar. O pôr do sol tingia o céu de tons dourados, como se até ele soubesse que aquele era um dia especial.
Meus olhos encontraram os dele.
Hector estava lá, com aquele olhar firme que sempre me fazia tremer por dentro, mas dessa vez... tinha lágrimas. Sorrisos. Amor. Um homem que, um dia, me ensinou o que era pisar com os dois pés no chão — e agora estava ali, pronto pra dividir comigo todos os dias que viriam.
Cheguei até ele, e o mundo pareceu parar.
A cerimônia começou com palavras doces do celebrante, mas tudo se apagou quando chegou a hora dos nossos votos.
Hector respirou fundo e começou:
— Quando te vi pela primeira vez... confesso que pensei: "ela não vai durar três dias aqui". Você era barulhenta, teimosa, cheia de frescura... e linda de um jeito irritante. — Risadas baixas se espalharam entre os convidados. — Mas, dia após dia, você me surpreendeu. Você aprendeu a montar, a plantar, a cuidar. Mas o que mais me impressionou foi como você cuidou de mim, mesmo quando eu achava que não precisava. Você entrou na minha vida como um furacão e, de alguma forma, foi nesse caos que encontrei paz. Bianca, hoje eu prometo continuar sendo seu chão, mesmo quando você quiser voar. E prometo nunca deixar faltar café... nem paciência — ele piscou pra mim. — Eu te amo, pequena.
Segurei as lágrimas, respirei fundo, e comecei os meus.
— Quando cheguei aqui, eu queria fugir. De tudo. De mim. Do mundo. Eu odiei essa fazenda, odiei você, odiei cada grão de poeira grudando na minha pele. — Todos riram, inclusive Hector. — Mas o que eu não sabia é que, no meio dessa terra, eu ia encontrar minhas raízes. Você me ensinou a ter coragem, a ser forte, a ver beleza no simples. Você me mostrou que amor não é só flores... às vezes é plantar, esperar e ver crescer. Hector, eu não sei onde estaria se não tivesse cruzado o seu caminho. Mas hoje, de frente pra você, eu sei exatamente onde eu quero estar pro resto da minha vida. Ao seu lado.
Nos olhamos com os olhos cheios d'água e sorrisos largos. Era isso. A gente era isso.
O celebrante nos olhou com ternura:
— Hector, você aceita Bianca como sua esposa?
— Com todo o meu coração.
— Bianca, você aceita Hector como seu esposo?
— Para sempre sim.
— Então... podem se beijar!
E ali, diante de todos, no cenário onde tudo começou, eu beijei o amor da minha vida. Um beijo doce, cheio de promessas silenciosas, do tipo que só quem passou por muita coisa consegue entender.
(...)
A festa estava acontecendo no mesmo jardim onde a cerimônia tinha sido realizada. Luzes pisca-pisca estavam penduradas entre as árvores, mesas rústicas com flores do campo decoravam o espaço, e uma música animada tocava ao fundo. O cheiro de comida boa se misturava ao som das risadas — era exatamente como queríamos: simples, bonito e com o nosso jeito.
Logo após o jantar, Mari se levantou com uma taça na mão.
— Posso falar? — gritou ela, já meio emocionada.
Todo mundo riu e levantou as taças também.
— Eu conheço a Bianca desde que ela usava gloss de morango e achava que o mundo girava ao redor dela. — Risadas. — E olha... ela ainda acha isso às vezes, mas agora ela tem o Hector pra lembrar que o mundo gira em torno do amor. E que amar também é ceder, é crescer, é dividir. Bia, você me dá orgulho. Hector, cuida dela. Ela é brava, mas tem um coração do tamanho dessa fazenda. Eu amo vocês.
Nos levantamos e nos abraçamos. Até Hector parecia emocionado, tentando disfarçar com aquele jeitão dele.
Depois, foi a vez do meu pai. Ele levantou devagar, com um sorrisinho emocionado e a voz firme, como sempre teve.
— Ver minha filha casar já seria um momento marcante por si só. Mas vê-la feliz... isso sim é um presente pra qualquer pai. Bianca, sua mãe estaria tão orgulhosa. — Engoli em seco. — E Hector... quando te conheci, achei que você era um brucutu qualquer. Mas hoje, olho pra você e vejo um homem bom, justo, e, principalmente, apaixonado. Que sorte a minha ver vocês dois juntos. Que sorte a do Antony por crescer com pais assim. Amo vocês.
A essa altura, ninguém mais segurava as lágrimas — nem eu.
Mais tarde, já com a festa rolando no modo "pista cheia", nos esgueiramos pra fora por um momento, só eu e Hector. Sentamos no nosso cantinho favorito da fazenda, perto da cerca que dava vista pras estrelas.
— Cansada? — ele perguntou, passando o braço ao redor dos meus ombros.
— Um pouco. Mas feliz. Muito feliz. — encostei a cabeça no peito dele.
— Sabe... eu nunca imaginei casar. Ainda mais com uma menina mimada da cidade que apareceu aqui de salto no meio do barro.
— E eu nunca imaginei amar tanto alguém que me fazia levantar às cinco da manhã pra tirar leite de vaca. — Sorri. — A vida é meio doida, né?
— É. Mas quando ela junta a gente com a pessoa certa... tudo faz sentido.
Nos beijamos mais uma vez, agora com calma, com aquele gosto bom de amor tranquilo. O tipo de amor que não grita, que não precisa provar nada pra ninguém, mas que está ali, firme, no meio do silêncio.
A lua brilhava lá em cima e eu pensei comigo: se eu tivesse que voltar no tempo, eu iria de novo pra essa fazenda. Eu me apaixonaria de novo por ele. Passaria por tudo de novo.
Porque cada momento nos trouxe até aqui.
Até esse amor.
Até nós.
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Bruto e Rústico
RomanceBianca recebe um castigo de seu pai após ter dado uma festa em casa e acaba indo parar em uma fazenda no Texas para deixar de ser a menininha do papai , lá ela conhece Hector o dono da Fazenda , e muita coisa rola entre esses dois...
