Hector ainda estava afundado no travesseiro quando a Helen apareceu na porta com uma cesta cheirosa e aquele sorriso maternal que era impossível negar qualquer coisa.
— Trouxe com goiabada e queijo curado, como vocês gostam — ela falou, entrando sem cerimônia.
— Obrigada, Helen... — disse, tentando esconder o riso enquanto Hector se virava na cama com um suspiro dramático.
— Tudo bem aí, querido? — ela perguntou ao ver ele deitado feito uma estrela do mar.
—Só sofrendo, Helen. A vida de um homem casado não é fácil.
— Ah, vocês são jovens, ainda tem muita energia pra gastar. — Ela piscou pra mim como quem sabia de mais. — Aproveitem enquanto podem, viu?
Assim que ela saiu, fechei a porta com cuidado e olhei para Hector, que me encarava com falsa dor no olhar.
— Não ri, Bianca. Tô me sentindo derrotado. Interrompido pelo pão de queijo!
— Pelo menos agora você tá alimentado — falei, pegando um pedaço e levando até a boca dele. — Vai precisar de energia...
— Energia pra quê?
— Pra quando for minha vez de sequestrar você. E vou te avisar: eu jogo sujo.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Eu gosto quando você joga sujo.
Dei um sorriso malicioso, me inclinando até ele e sussurrando no ouvido:
— Só que eu vou esperar o momento perfeito. Quando você menos esperar... pá. Minha vingança.
Ele se levantou como se eu tivesse apertado um botão.
— Você tá me ameaçando, Bianca?
— Tô te prometendo, Hector.
Passamos o resto da manhã tentando agir normalmente. Tentando. Mas a tensão entre nós era tanta que bastava um olhar mais demorado na cozinha, um esbarrão na varanda, ou ele encostar de leve a mão nas minhas costas enquanto passávamos um pelo outro no corredor... pra eu esquecer o que tava fazendo.
E ele sabia disso. Sabia muito bem.
À tarde, enquanto eu lavava os tomates na pia, ele veio por trás, colou o peito nas minhas costas e sussurrou:
— Vai ser agora?
— O quê?
— Sua vingança. Tô pronto.
— Achei que você não acreditava em mim...
— Acreditar eu acredito. Só não sei se vou sobreviver a ela.
Sorri, mantendo o olhar nos tomates.
— Bom. Fica atento então. Porque a Bianca vingativa é imprevisível.
Ele deu uma risada curta, aquele tipo de riso que vinha do fundo da garganta, e me deu um beijo estalado na bochecha antes de sair da cozinha.
Era isso.
O jogo tinha começado.
E dessa vez, eu tinha planos de vencer.
(...)
A noite caiu devagar, como se o universo estivesse tentando me dar o clima perfeito.
O céu tava limpo, a lua refletia prateada no pasto, e a casa... finalmente em silêncio. Antony já tinha dormido, Melanie estava no quarto, e Mari tinha ido dormir cedo depois de um jantar regado a vinho. Até Luke sumiu sabe-se lá pra onde. Era agora ou nunca.
Me troquei com cuidado, colocando uma das camisolas que ele mais gostava. Aquela de tecido leve, quase transparente, que mal cobria a metade da coxa. Passei um perfume suave, soltei o cabelo, dei uma olhada final no espelho e sorri.
Hoje a vingança ia ser doce.
Entrei no quarto devagar. Hector estava deitado, lendo qualquer coisa no celular, só de calça moletom, cabelo bagunçado e aquele abdômen que me desconcentrava sem esforço.
Ele ergueu os olhos quando me viu na porta — e eu vi o sorriso surgir devagar nos lábios dele, como se estivesse esperando por isso o dia inteiro.
— Achei que ia me torturar por mais uns dias... — ele murmurou, largando o celular no criado-mudo.
— Tava só amadurecendo a ideia.
Me aproximei, subindo na cama com calma, me apoiando sobre ele, minhas pernas envolvendo as dele.
— Então? — sussurrei. — Pronto pra minha vingança?
— Nasci pronto.
A gente se aproximou, o clima pegando fogo num piscar de olhos. A boca dele roçou na minha, nossas respirações já misturadas, as mãos dele deslizando pelas minhas costas, meu corpo respondendo antes mesmo de qualquer toque mais profundo...
TOC TOC TOC!
Uma batida forte na porta.
— Bianca! — Era a voz da Mari — Você sabe onde deixei a minha carteira?
Hector fechou os olhos e soltou um suspiro tão sofrido que eu quase ri.
— TÁ NA COZINHA! EM CIMA DA GELADEIRA! — gritei, tentando manter a compostura.
Silêncio por um segundo. Depois:
— Obrigado, filha! Boa noite pra vocês!
Esperei ouvir os passos dele se afastarem antes de desabar em cima do Hector, rindo contra o peito dele.
— Isso tá ficando pessoal — ele falou, a mão ainda na minha cintura.
— Eu juro que o universo conspira contra nossa vida sexual.
— Eu vou mudar a fechadura dessa porta amanhã. Com tranca de cofre.
— E forro acústico.
Nos encaramos por alguns segundos e, mesmo rindo, a tensão voltou. Porque por mais engraçado que fosse, a vontade continuava ali — pulsando entre nós.
— Se ninguém mais bater — falei, deslizando os dedos no abdômen dele —, a vingança ainda pode acontecer.
— Bianca...
TOC TOC TOC!
— AAAAAAAA!
— QUE FOI AGORA?! — gritou Hector.
— Desculpa! — era a Helen agora, envergonhada. — Só queria saber se vocês viram o Antony chorando. Acho que foi só um sonho... Mas ele voltou a dormir, tá tudo bem.
— TÁ TUDO BEM, HELEN! — eu respondi, mordendo um travesseiro.
Hector se jogou pra trás, completamente derrotado.
— É isso. A gente precisa fugir. Um fim de semana só nosso. Um lugar isolado. Sem bebê. Sem sogra. Sem amigos. Sem ninguém.
— Concordo. E dessa vez... vai ser você quem vai implorar por trégua.
Ele virou o rosto na minha direção, o olhar cheio de desejo e desafio.
— Promete?
— Prometo.
Mas até lá... a vingança vai acumulando.
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Bruto e Rústico
RomanceBianca recebe um castigo de seu pai após ter dado uma festa em casa e acaba indo parar em uma fazenda no Texas para deixar de ser a menininha do papai , lá ela conhece Hector o dono da Fazenda , e muita coisa rola entre esses dois...
