Capítulo 47

56 3 0
                                        

No dia seguinte, aproveitamos que Antony tinha acabado de dormir e todos pareciam ocupados com seus afazeres. Eu e Hector trocamos um olhar cúmplice na varanda.

— Agora? — ele perguntou, com aquela esperança nos olhos.

— Agora — respondi, puxando ele pela mão.

Subimos para o quarto quase correndo, tentando não chamar atenção. Ele trancou a porta, me puxou pela cintura, me deu aquele beijo que fazia minhas pernas fraquejarem e...

PAM PAM PAM

— Bianca? Você viu onde deixei a chave do galpão? — gritou Luke do lado de fora.

Hector encostou a testa na minha e sussurrou:

— Eu tô começando a achar que o universo conspira contra a gente.

                                                                           (...)

Tentamos de novo mais tarde. Só nós dois, rindo feito adolescentes no galinheiro.

— Aqui ninguém vai nos achar — falei, ajeitando a camisa dele entre beijos.

— Eu vou arrancar a porta daquele quarto e escrever "PROIBIDA A ENTRADA DE ADULTOS RESPONSÁVEIS".

Nos beijamos com urgência, aquele tipo de beijo que faz o tempo parar.

— VOCÊS VIRAM A MARGARETH? — gritou Helen, entrando de repente com uma cesta de ovos.

Nós dois congelamos.

— ...acho que ela tá... no jardim? — respondi, tentando esconder o cabelo bagunçado.

— Ah, obrigada, querida! — Helen saiu sorridente como se não tivesse interrompido nada...

                                                                                    (...)

À noite, com todos dormindo, achamos que enfim... agora sim. Quarto escuro, silêncio absoluto. Hector deitou ao meu lado e me abraçou.

— Agora vai.

— Agora vai.

Dois segundos depois, ouvimos um choro do Antony vindo do outro quarto.

Suspirei tão fundo que o travesseiro afundou comigo.

— Você quer que eu vá? — murmurei.

— Não... eu vou. — Hector se levantou, arrastando os pés. — A gente tenta amanhã.

E assim foi. Tentativa após tentativa. Interrupção após interrupção. Se não era o bebê, era o Luke pedindo ajuda com o trator, a Margareth querendo conversar sobre receitas ou Helen trazendo cobertores "porque esfriou um pouco essa noite".

Eu amava todo mundo. De verdade. Mas a verdade é que eu e Hector começamos a tratar qualquer tempo sozinhos como item raro, tipo ouro, café importado ou chocolate suíço.

E mesmo com toda essa loucura, toda essa falta de espaço, eu ainda olhava pra ele e sabia: era com ele que eu queria enfrentar todas as interrupções do mundo.

— Um dia, amor... — cochichei, quando ele voltou pra cama depois de colocar Antony pra dormir.

— Um dia — ele repetiu, me abraçando forte.

E dormimos assim. A privacidade podia esperar. O amor, não.

Bruto e  RústicoOnde histórias criam vida. Descubra agora