No dia seguinte, aproveitamos que Antony tinha acabado de dormir e todos pareciam ocupados com seus afazeres. Eu e Hector trocamos um olhar cúmplice na varanda.
— Agora? — ele perguntou, com aquela esperança nos olhos.
— Agora — respondi, puxando ele pela mão.
Subimos para o quarto quase correndo, tentando não chamar atenção. Ele trancou a porta, me puxou pela cintura, me deu aquele beijo que fazia minhas pernas fraquejarem e...
PAM PAM PAM
— Bianca? Você viu onde deixei a chave do galpão? — gritou Luke do lado de fora.
Hector encostou a testa na minha e sussurrou:
— Eu tô começando a achar que o universo conspira contra a gente.
(...)
Tentamos de novo mais tarde. Só nós dois, rindo feito adolescentes no galinheiro.
— Aqui ninguém vai nos achar — falei, ajeitando a camisa dele entre beijos.
— Eu vou arrancar a porta daquele quarto e escrever "PROIBIDA A ENTRADA DE ADULTOS RESPONSÁVEIS".
Nos beijamos com urgência, aquele tipo de beijo que faz o tempo parar.
— VOCÊS VIRAM A MARGARETH? — gritou Helen, entrando de repente com uma cesta de ovos.
Nós dois congelamos.
— ...acho que ela tá... no jardim? — respondi, tentando esconder o cabelo bagunçado.
— Ah, obrigada, querida! — Helen saiu sorridente como se não tivesse interrompido nada...
(...)
À noite, com todos dormindo, achamos que enfim... agora sim. Quarto escuro, silêncio absoluto. Hector deitou ao meu lado e me abraçou.
— Agora vai.
— Agora vai.
Dois segundos depois, ouvimos um choro do Antony vindo do outro quarto.
Suspirei tão fundo que o travesseiro afundou comigo.
— Você quer que eu vá? — murmurei.
— Não... eu vou. — Hector se levantou, arrastando os pés. — A gente tenta amanhã.
E assim foi. Tentativa após tentativa. Interrupção após interrupção. Se não era o bebê, era o Luke pedindo ajuda com o trator, a Margareth querendo conversar sobre receitas ou Helen trazendo cobertores "porque esfriou um pouco essa noite".
Eu amava todo mundo. De verdade. Mas a verdade é que eu e Hector começamos a tratar qualquer tempo sozinhos como item raro, tipo ouro, café importado ou chocolate suíço.
E mesmo com toda essa loucura, toda essa falta de espaço, eu ainda olhava pra ele e sabia: era com ele que eu queria enfrentar todas as interrupções do mundo.
— Um dia, amor... — cochichei, quando ele voltou pra cama depois de colocar Antony pra dormir.
— Um dia — ele repetiu, me abraçando forte.
E dormimos assim. A privacidade podia esperar. O amor, não.
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Bruto e Rústico
Roman d'amourBianca recebe um castigo de seu pai após ter dado uma festa em casa e acaba indo parar em uma fazenda no Texas para deixar de ser a menininha do papai , lá ela conhece Hector o dono da Fazenda , e muita coisa rola entre esses dois...
