Capítulo 48

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Depois do café da manhã, que teve direito a um bebê Antony tentando jogar banana no café do Hector e meu sogro cantando uma moda caipira desafinada, Hector me puxou pela cintura quando eu estava prestes a lavar a louça.

— A gente precisa fugir daqui. Só por uns minutos — ele sussurrou contra meu pescoço, me causando um arrepio imediato.

— Fugir? Vai deixar sua mãe e seu pai sozinhos na cozinha? — falei, rindo baixinho.

— Eles se viram. Eu não estou aguentando mais, Bianca. Toda vez que eu encosto em você, alguém aparece. Tô começando a achar que é complô.

— Talvez seja. — Me virei devagar pra ele, com aquele sorriso que sei que o deixa louco. — Mas sabe o que é mais divertido? Provocar você sabendo que não vamos conseguir ficar a sós.

Ele estreitou os olhos, aquele olhar escuro cheio de intenções.

— Ah, você quer brincar, né?

— Quem disse que eu não tô brincando desde ontem?

Antes que ele pudesse responder ou me agarrar de vez, Antony apareceu engatinhando rápido até a gente, com a fralda meio torta e um gritinho de vitória, como se soubesse que tinha nos salvado de algo perigoso. Hector soltou um suspiro derrotado.

— Mais uma vez salvo pelo bebê.

— É um superpoder. — Peguei Antony no colo e dei um beijo no topo da cabeça dele.

Hector balançou a cabeça e saiu da cozinha, mas antes de virar o corredor, olhou por cima do ombro e disse:

— Quando eu conseguir cinco minutos com você... se prepara.

E o pior é que eu queria. Queria muito. E cada pequena provocação minha estava me matando também.

Mas a vida na fazenda não tem pausa. E eu já ouvi Margareth chamando meu nome lá fora...

                                                                                               (...)

Na tarde daquele mesmo dia, Hector teve a brilhante ideia de me chamar para ajudar a arrumar o celeiro. Segundo ele, ninguém se aproximaria de lá porque estava "cheio de poeira e cheiro de cavalo".

— É a nossa chance — ele cochichou no meu ouvido enquanto colocava as ferramentas numa caixa.

— Chance do quê? Você quer me seduzir no meio do feno, é isso?

— Já fizemos coisas em lugares piores, dona Bianca — ele respondeu com um sorriso torto que me deu até calor.

Seguimos para o celeiro e ele foi logo trancando a porta por dentro.

— Agora sim — disse ele, se aproximando como quem não quer nada.

— Você realmente tá levando a sério esse plano "cinco minutos sem ninguém" — provoquei, recuando um passo a cada avanço dele.

— Bianca, eu tô à beira de um colapso. Desde que a gente casou, não conseguimos passar nem trinta segundos sem alguém gritar nosso nome, chorar, pedir conselho ou perguntar se a vaca já pariu.

— E o que você vai fazer com esses cinco minutos? — perguntei, encostando na parede de madeira, bem no estilo "vem se tiver coragem".

Ele colou o corpo no meu, a voz rouca:

— Te lembrar por que você me disse sim naquele altar.

Só que, como já era de se esperar...

— BIANCAAAAA!

A voz de Margareth ecoou do lado de fora.

— Não... não pode ser agora... — Hector fechou os olhos, respirando fundo como se estivesse prestes a chorar.

— BIANCA, VOCÊ TÁ AÍ? A VACA LILICA DESAPARECEU! E ACHO QUE O LUKE PEGOU MEU CHAPÉU!

— Se a vaca sumiu E o Luke roubou o chapéu da Margareth... isso é um recorde — sussurrei, tentando não rir.

— Isso é um castigo divino, isso sim — Hector resmungou, encostando a testa no meu ombro. — Promete que depois que todo mundo dormir, você ainda vai querer brincar comigo?

— Prometo. Mas só se você me ajudar a achar a Lilica antes que Margareth acampe na nossa cama.

Ele me olhou com um sorrisinho.

— Você me deve uma. E eu vou cobrar.

Saímos do celeiro de mãos dadas, tentando parecer normais enquanto Margareth estava em estado de calamidade rural no quintal.

Mas a tensão? Só aumentava.

Bruto e  RústicoOnde histórias criam vida. Descubra agora