Depois do café da manhã, que teve direito a um bebê Antony tentando jogar banana no café do Hector e meu sogro cantando uma moda caipira desafinada, Hector me puxou pela cintura quando eu estava prestes a lavar a louça.
— A gente precisa fugir daqui. Só por uns minutos — ele sussurrou contra meu pescoço, me causando um arrepio imediato.
— Fugir? Vai deixar sua mãe e seu pai sozinhos na cozinha? — falei, rindo baixinho.
— Eles se viram. Eu não estou aguentando mais, Bianca. Toda vez que eu encosto em você, alguém aparece. Tô começando a achar que é complô.
— Talvez seja. — Me virei devagar pra ele, com aquele sorriso que sei que o deixa louco. — Mas sabe o que é mais divertido? Provocar você sabendo que não vamos conseguir ficar a sós.
Ele estreitou os olhos, aquele olhar escuro cheio de intenções.
— Ah, você quer brincar, né?
— Quem disse que eu não tô brincando desde ontem?
Antes que ele pudesse responder ou me agarrar de vez, Antony apareceu engatinhando rápido até a gente, com a fralda meio torta e um gritinho de vitória, como se soubesse que tinha nos salvado de algo perigoso. Hector soltou um suspiro derrotado.
— Mais uma vez salvo pelo bebê.
— É um superpoder. — Peguei Antony no colo e dei um beijo no topo da cabeça dele.
Hector balançou a cabeça e saiu da cozinha, mas antes de virar o corredor, olhou por cima do ombro e disse:
— Quando eu conseguir cinco minutos com você... se prepara.
E o pior é que eu queria. Queria muito. E cada pequena provocação minha estava me matando também.
Mas a vida na fazenda não tem pausa. E eu já ouvi Margareth chamando meu nome lá fora...
(...)
Na tarde daquele mesmo dia, Hector teve a brilhante ideia de me chamar para ajudar a arrumar o celeiro. Segundo ele, ninguém se aproximaria de lá porque estava "cheio de poeira e cheiro de cavalo".
— É a nossa chance — ele cochichou no meu ouvido enquanto colocava as ferramentas numa caixa.
— Chance do quê? Você quer me seduzir no meio do feno, é isso?
— Já fizemos coisas em lugares piores, dona Bianca — ele respondeu com um sorriso torto que me deu até calor.
Seguimos para o celeiro e ele foi logo trancando a porta por dentro.
— Agora sim — disse ele, se aproximando como quem não quer nada.
— Você realmente tá levando a sério esse plano "cinco minutos sem ninguém" — provoquei, recuando um passo a cada avanço dele.
— Bianca, eu tô à beira de um colapso. Desde que a gente casou, não conseguimos passar nem trinta segundos sem alguém gritar nosso nome, chorar, pedir conselho ou perguntar se a vaca já pariu.
— E o que você vai fazer com esses cinco minutos? — perguntei, encostando na parede de madeira, bem no estilo "vem se tiver coragem".
Ele colou o corpo no meu, a voz rouca:
— Te lembrar por que você me disse sim naquele altar.
Só que, como já era de se esperar...
— BIANCAAAAA!
A voz de Margareth ecoou do lado de fora.
— Não... não pode ser agora... — Hector fechou os olhos, respirando fundo como se estivesse prestes a chorar.
— BIANCA, VOCÊ TÁ AÍ? A VACA LILICA DESAPARECEU! E ACHO QUE O LUKE PEGOU MEU CHAPÉU!
— Se a vaca sumiu E o Luke roubou o chapéu da Margareth... isso é um recorde — sussurrei, tentando não rir.
— Isso é um castigo divino, isso sim — Hector resmungou, encostando a testa no meu ombro. — Promete que depois que todo mundo dormir, você ainda vai querer brincar comigo?
— Prometo. Mas só se você me ajudar a achar a Lilica antes que Margareth acampe na nossa cama.
Ele me olhou com um sorrisinho.
— Você me deve uma. E eu vou cobrar.
Saímos do celeiro de mãos dadas, tentando parecer normais enquanto Margareth estava em estado de calamidade rural no quintal.
Mas a tensão? Só aumentava.
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Bruto e Rústico
RomansaBianca recebe um castigo de seu pai após ter dado uma festa em casa e acaba indo parar em uma fazenda no Texas para deixar de ser a menininha do papai , lá ela conhece Hector o dono da Fazenda , e muita coisa rola entre esses dois...
