Naquele mesmo fim de tarde, enquanto o resto da casa se ocupava com as tarefas de sempre, eu e Hector estávamos sentados na varanda, dividindo um copo de suco gelado e os planos de fuga.
— E se a gente for pra aquele chalé da sua tia? — sugeri, olhando o céu começar a se pintar de laranja. — Aquele no meio do mato, sem sinal, sem vizinho, sem barulho...
— Sem interrupções — ele completou, me lançando um olhar malicioso.
— Exatamente.
Ele pegou o celular e começou a digitar.
— Vou mandar mensagem pra ela agora. Se tiver disponível, a gente já arruma as malas amanhã.
— Acha que vamos conseguir escapar sem levantar suspeitas?
Hector me olhou como se fosse óbvio.
— Bianca, se eu conseguir manter a Mari distraída e a Helen focada no Antony, o Luke nem vai notar que a gente sumiu. Vai ser um plano de guerra, mas eu tô disposto a correr o risco. Pela pátria e pela paz conjugal.
— Ah, um herói — brinquei, me debruçando no braço dele. — Vamos inventar uma desculpa boa. Tipo... uma feira agrícola. Ou um workshop de criação de galinhas caipiras.
— Ou um retiro espiritual pra casais. "Conexão do campo ao coração", algo assim.
— A cara da gente — respondi, rindo.
No fundo, sabíamos que ninguém ali ia realmente impedir. Mas manter a aparência de normalidade fazia parte do jogo.
— Agora sério — ele disse, pegando minha mão —, a gente precisa disso. Só eu e você. Nem que seja por dois dias. Sem despertador, sem batidas na porta, sem pão de queijo invadindo a madrugada.
— Com muita vingança acumulada.
Ele riu, puxando minha mão até os lábios.
— Com todas as dívidas a serem cobradas. Com juros.
No dia seguinte, logo após o almoço, Mari entrou na cozinha com uma caixa de roupas do Antony, enquanto eu fingia não estar empolgada dobrando umas camisetas minhas.
— Vai viajar? — ela perguntou com um sorrisinho suspeito.
— Um final de semana só. Eu e o Hector. Coisa rápida. A gente precisa... respirar.
Ela ergueu as sobrancelhas, claramente segurando um comentário indecente.
—Ahhh, entendi. Respirar. Com bastante intensidade, né?
Joguei uma toalha de rosto nela e Mari caiu na gargalhada.
— Vai tranquila, amiga. A gente segura as pontas por aqui.
Sorri, grata por ela entender — e torcendo pra que ninguém mais resolvesse bater na porta no meio do caminho.
O chalé nos esperava.
E se tudo desse certo... ninguém ia sair ileso dessa viagem.
Nem eu, nem ele.
Só amor. E um pouco de malícia.
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Bruto e Rústico
RomanceBianca recebe um castigo de seu pai após ter dado uma festa em casa e acaba indo parar em uma fazenda no Texas para deixar de ser a menininha do papai , lá ela conhece Hector o dono da Fazenda , e muita coisa rola entre esses dois...
