[CONCLUÍDA]
Eleanor está no seu último ano de faculdade e a essa altura tudo que deseja é seu diploma em mãos e os beijos do capitão do time de baseball, Kim Taehyung. Mas era incrível como o universo inteiro conspirava para que o mala do Jeon Jungk...
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Ao clã, para sempre,
Aroha atu.
Foram necessárias oito semanas para uma reconfiguração delicada da minha vida. Um tempo relativamente curto, ao menos sob a minha perspectiva, mas os dias parecem se dilatar ou se contrair de acordo com o estado de espírito, e, neste caso, estou experimentando, pela primeira vez, o que é viver um amor tranquilo.
Quer dizer, mais ou menos tranquilo. Seria um exagero afirmar, com todas as cinco sílabas da palavra tranquilidade, algo que envolva Jeon Jungkook e seu temperamento apaixonado, deliciosamente caótico, que me movimenta por dentro. Ainda assim, há algo curioso nessa experiência, como se fosse um fenômeno isolado, quase científico: ver-me entregue ao afeto de alguém assim, sem nenhuma ressalva.
Ainda me assusto com a confiança cega em meu próprio coração.
Mas eu me sentia mergulhada em paixão ㅡ daquele tipo que nunca tinha vivido antes. Sei lá. Já criei tantas expectativas sem sentido, baseadas nos garotos que inventava na minha cabeça, e me dava por satisfeita somente com o sonho, estava longe de viver um amor como o de papai e mamãe, ou qualquer promessa literária e musical ridícula que engoli como verdade absoluta durante o amorfo do meu crescimento. Eram só papéis de parede perfeitos dos contos de fadas que colei ao redor da casa para cobrir as janelas e me distanciar da realidade, e nos quais quis acreditar de todas as formas
Com o tempo, minha vida foi se afastando da ideia de uma comédia romântica, e o gosto amargo da desilusão se alojou na minha língua, cada vez mais intragável. Cheguei às entranhas de uma conclusão cruel de que vale mais estar no presente do que presa ao mundo dos sonhos impossíveis, das ideias das paixões irreais e da patética crença dos príncipes encantados. Deslizando para fora dos braços dos amantes imaginários, ao invés de correr na direção de um sensível salvador à minha espera, cai nas graças de um guerreiro que me ensinou a lutar também. Sem a iminência de salvação, agora posso empunhar minha própria espada.
E é assim que ele faz com que me sinta: tão impregnada de minha própria vida que não tenho tanto tempo para mergulhar em qualquer fantasia banal. Não é necessário fugir. Tudo que quero está aqui, ao alcance dos meus dedos.
Me dei conta desse mergulho nas profundezas quando Jungkook foi pessoalmente até Tóquio para conversar com os diretores do estúdio sobre as mudanças em sua vida, revisar o andamento dos projetos ㅡ os filmes, os animes, os roteiros dos próximos anos, as novas temporadas e alguns lançamentos inéditos. Ficou decidido que ele estaria presente nas reuniões semestrais para designar as funções de sua equipe. De volta ao Japão, resolvendo os trâmites da transferência no trabalho e organizando a papelada da venda de sua cobertura em Roppongi Hills. Estava tão decidido a dizer sim, mesmo que ninguém (ainda) tivesse perguntado nada, que estudou todas as formas de se livrar da recém-adquirida casa e do emprego remoto, enfrentando o fuso implacável e as não tão gentis catorze horas à frente de Nova York. Tudo isso apenas para cumprir, com obstinação quase infantil, a promessa feita sob efeito alcoólico e de um resquício de tesão (estávamos pelados prometendo amor e um par de peitos tira de Jungkook qualquer resposta que se queira): a de empacotar a própria vida se eu estivesse disposta a lhe dar uma chance.