31. A musa e o bobo da corte

5.5K 297 477
                                        

JUNG

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

JUNG

KOOK

— Cheguei numa hora errada? — Kim perguntou, empurrando a mala para dentro do cômodo. O retrogosto da minha mágoa subiu quente pela glote; eu tinha uma resposta desaforada pronta para dar na hora, uma performance épica de escrotice. Só tive dois pensamentos ao vê-lo parado na porta do apartamento de Leanor naquela manhã: 1. Mandá-lo para a casa do caralho no soco, ou 2. Mandá-lo para a casa do caralho no chute. E é verdade o que dizem: quando o diabo não vem, manda o secretário. Nesse caso específico, mandou seu advogado mais pau mole para me assombrar no melhor momento dos últimos vinte e cinco anos, com a desculpa mais esfarrapada que já ouvi.

Meu plano para o sábado envolvia preparar um café da manhã decente para Leanor, desfazer-me das bobagens e da base nutricional capenga que ela andava comendo todos os dias: o maldito cereal matinal açucarado e colorido, os bolinhos Twinkie e as rosquinhas com cobertura granulada guardadas na geladeira. Queria ficar com ela um pouco, assistindo a qualquer filme que, no fim das contas, não daríamos uma singela foda ao enredo; em algum ponto de Shrek 2, estaríamos centrados demais um no outro.

Eu também adoraria ouvi-la falar sobre o que estava escrevendo, sobre o trabalho, contando-me fofocas de gente que nunca vi as fuças, só pelo prazer de me sentir parte de sua rotina. Depois, queria comê-la de ladinho (antes do almoço), daquele jeito que fazia ela se contorcer inteira de tesão quando eu metia fundo (perna erguida, sua mão espalmada na coxa ou nos seus peitos gostosos) e meus dedos tocando no lugar certo, triplicando o prazer, fazendo-a abafar aqueles gemidos altos contra a minha boca com a ajuda da língua, ao ponto de me deixar louco e tornar tudo muito intenso. Leanor tinha flexibilidade para isso. Era uma verdadeira contorcionista na cama. Eu era só um espectador excitado.

Também queria levá-la ao boliche, jantar fora ou sair para dançar. Talvez tomar um sorvete sentados em um dos bancos do parque Hudson como um casal de namoradinhos da escola. Fiz até um pequeno cronograma dos lugares divertidos onde poderíamos ir nos arredores do bairro; as notas ainda estavam no meu celular, com horários de funcionamento e possíveis rotas.

Ao invés disso, temos Taehyung ocupando o sofá da sala e, antes dele, o arrombado do Ben, dizendo todo tipo de coisa que só me enfureceria. Não sei como não soquei a cara dele bem ali na sala de Leanor quando ele, sutilmente, me chamou de "George, o Rei da Floresta."

Poderia ter oferecido meu ódio em resposta, ter ido ao fundo do poço buscar o que eu tinha de melhor em termos de rancor para devolver, mas não deixei um pensamento intrusivo vencer – pelo menos, não daquela vez. Gastei toda a cota de paciência sendo humano com Ben. Era o que me restava de bom.

Os tronos do inferno devem estar vazios a essa altura, pensei.

— Achei que você me ligaria caso... — Leanor começou, tão desconcertada com a situação que sinto vontade de poupá-la daquele constrangimento desnecessário. Kim é quem estava sendo inconveniente. — Eu liguei! — Taehyung disse, mostrando a tela do celular com as chamadas perdidas. Ao lado do nome de Leanor, um emoji de pintinho amarelo. Puta merda. Meus punhos se fecharam quase automaticamente.

Como conquistar esse garoto.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora