Capítulo Extra: Mãos quentes e um coração de gelo.

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Este capítulo se passa, canonicamente, entre os capítulos 5 e 6 de CCEG, sob a visão do Jungkook, não se surpreenda com os acontecimentos, eles podem ser reveladores.

A razão é simples: a narradora oficial desta história não se lembra do que aconteceu naquela noite, mas ele nunca esqueceu.



JUNG

KOOK



Eunwoo [18:46]:

Você vem mesmo, né?

Eunwoo [18:46]:

Porra, Busan, não

vai me deixar na mão, cara!


Era uma ideia terrível do caralho.

Passei os olhos pela notificação antes de jogar o celular de volta na cama e, mentalmente, mandá-lo tomar no olho do cu. Eu nem conseguia entender por que tinha aceitado aquela porra em primeiro lugar. Quer dizer, claro: a insistência fodida de Eunwoo, me infernizando para acompanhá-lo a um encontro às cegas e martelando o mesmo assunto por uma semana inteira, sempre durante meus intervalos no refeitório.

Eu poderia negar o convite. Mas negar implicaria em bolar mentiras mirabolantes, inventar historinhas de merda, enfiar Leanor no meio disso, e eu não queria envolvê-la nos meus assuntos. O acordo entre nós era claro e não incluía, necessariamente, nada tão sério. Ela tinha sido enfática: se eu quisesse sair com qualquer outra pessoa, tinha total liberdade para isso. Não precisava de autorização prévia.

Ainda assim, tínhamos um relacionamento de fachada, e os boatos precisavam sobreviver a todo custo dentro do campus.

Eunwoo tinha deixado claro que o lance não envolvia romance algum. Antes que eu pudesse usar o totem da namorada para reforçar minha negativa, ele explicou: queria dar uns pegas numa tal de Yoo Jung, do curso de Economia, que era até meio gata, mas chata pra caralho. A garota tinha aceitado jantar fora, supondo que fosse a sobremesa, mas levaria uma amiga. Ele precisava de outro panaca para fechar a cota do encontro às cegas. O motivo da escolha recair no meu cu era uma grande mistério, embora eu tivesse minhas suspeitas de ser o maior otário na linha vertical daquele lugar.

Às vezes eu me perguntava se alguém levava aquela merda a sério de verdade. Ou se acreditava que, por algum motivo plausível, uma garota linda como Leanor teria interesse em um cara como eu: esquisito e com um péssimo corte de cabelo, palavras dela. Tudo bem que eu também tinha topado fazer parte daquele teatrinho barato de casal apaixonado, seduzido pela promessa manjada de dinheiro fácil e pelo inevitável empurrão na minha vida social, que àquela altura respirava por aparelhos. Não era nem pela nossa evidente falta de química, nem pela combinação desastrosa, nem pelo desacordo crônico sobre absolutamente tudo. Até então, os frutos que estava colhendo era tomar bastante no cu. E nem era um eufemismo.

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