Capítulo 47

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A porta se fecha às nossas costas com um clique sutil, abafando o mundo lá fora - o frio, a distância, os meses de silêncio. Restamos apenas nós dois, agora cercados pelo calor tênue daquele pequeno refúgio em Oxford.

Por alguns segundos, permanecemos assim - imóveis, sem saber quem se move primeiro. É estranho, e ao mesmo tempo... absolutamente natural.

Hinata respira fundo, como se precisasse reunir dentro do peito toda a coragem que um dia acreditou não possuir. Seus olhos - tão claros, tão límpidos - não desviam dos meus. Há ali uma mistura de apreensão, saudade e algo mais... algo que pulsa, queima, que quer transbordar.

- Você veio... - sussurra, quase como quem testa a realidade.

- Eu vim. - minha voz sai rouca, mais baixa do que gostaria, carregada demais de tudo o que ficou preso na garganta.

Aproximo-me. Sem pressa, sem alarde. E ela não recua. Pelo contrário, dá um meio passo, o suficiente para que a distância que nos separa se dissolva, como se nunca tivesse existido.

Meus dedos roçam de leve sua bochecha, traçando a linha delicada de seu rosto. Ela fecha os olhos por um segundo - e, naquele gesto tão simples, há uma entrega silenciosa que me desmonta por dentro.

Quando nossos lábios finalmente se encontram, não é urgente, nem apressado. É um beijo demorado, quase reverente. Um reconhecimento mútuo. Um reencontro não apenas de bocas, mas de tudo o que fomos e do que escolhemos ser agora.

Seus braços me envolvem, trêmulos no início, e logo se firmam em torno do meu pescoço, como se temesse que eu, de algum modo, evaporasse ali, em seus braços. Aperto-a contra mim, sentindo cada curva, cada batida acelerada de seu coração.

- Eu senti tanto a sua falta... - ela murmura, com a voz embargada, escondendo o rosto no meu ombro.

- Eu também... - respondo, apertando-a ainda mais. - Você não faz ideia do quanto.

Por um instante, nos limitamos a isso: estar. Respirar no mesmo compasso. Ouvir o silêncio confortável que se instala quando não há mais necessidade de se explicar.

Mas logo os olhares se encontram novamente, e há uma tensão ali - não aquela que machuca, mas a que chama, que pede, que anseia.

Nossos corpos começam a falar uma língua que as palavras jamais traduziriam. Minhas mãos deslizam até sua cintura, puxando-a com mais firmeza. Ela corresponde, suas mãos subindo por debaixo do meu casaco, buscando a pele, o calor, o abrigo.

Sigo o contorno de seu pescoço com os lábios, arrancando-lhe um suspiro involuntário, quase um gemido abafado que lhe escapa, tímido, mas intenso. Seus dedos apertam meus ombros, puxam meus cabelos, e o corpo inteiro dela se molda ao meu, como se sempre tivesse pertencido ali.

A caminho do quarto, os passos se tornam desajeitados, entre beijos roubados, mãos que se procuram, que se perdem e se reencontram. Rimos baixo quando ela tropeça no próprio tapete, mas nem isso quebra o encantamento. Pelo contrário, nos aproxima ainda mais, porque não há ensaio, não há perfeição. Apenas verdade.

Quando finalmente caímos sobre os lençóis, ela me olha com aquele olhar que mistura desejo e vulnerabilidade - e, mais do que nunca, entendo que não é só desejo. É entrega. É confiança.

Nossos corpos se encontram como quem se busca há muito tempo. Cada toque é mais do que carícia: é uma declaração silenciosa. Meus lábios exploram sua pele, sua clavícula, os contornos delicados de seus ombros, enquanto seus dedos traçam caminhos lentos por minhas costas, como quem grava memórias na pele.

Ela sussurra meu nome entre suspiros - como se meu nome fosse, naquele momento, a única âncora possível no mundo. E eu a chamo baixinho, roçando os lábios em sua testa, em seus olhos, em seus lábios, como quem ora.

𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪Onde histórias criam vida. Descubra agora