Você acredita em amor a primeira vista?
Sasuke uchiha não, ele nunca foi o tipo de cara que sonhava em encontrar o amor da sua vida numa esquina, muito menos a primeira vista.
Digamos que ele é até um pouco fechado em relação á sentimentos amorosos...
Dirijo em direção a Tóquio. Ao meu lado, Hinata está sentada, sua mão delicada repousa sobre a minha, e ela sorri. Por um momento, tudo parece um sonho. Não a conheço profundamente - ainda - mas algo dentro de mim diz que ela é a pessoa certa. Pelo menos desta vez.
- O que foi? - ela pergunta com um sorriso nos lábios. Sei que devo estar com uma expressão ridícula, mas há tempos não me sentia assim.
- Nada... só estou feliz por estar com você. - Ela sorri novamente.
- Estamos parecendo adolescentes. E, sabe... eu gosto disso - diz, lançando-me um olhar cheio de malícia. - Para o carro ali. - Ela aponta para uma estradinha de terra que leva à floresta. O veículo em que estão o senhor Hiashi e Hanabi já começa a desaparecer no horizonte.
- Por quê? - pergunto, entrando na trilha indicada. Ela se vira em minha direção e me beija. Suas mãos suaves tocam meu rosto, e num impulso, ela se desloca para o meu colo. Minhas mãos deslizam naturalmente para sua cintura, e nossas bocas se encontram em perfeita sintonia. Aos poucos, afasto-me, fitando seus olhos azuis, intensos.
- O que foi isso? - indago, surpreso.
- Não sei - responde. Ela me encara e sorri. - Eu só... queria fazer isso.
- Aqui? No carro? - Ela assente com a cabeça. Nunca imaginei que Hinata tomaria a iniciativa assim - tão repentina, tão ousada. - Eu não me importo que seja aqui, mas... você está confortável com isso?
Ela gargalha, e meu rosto esquenta.
- Do que está rindo? - pergunto.
- No que você está pensando?
É óbvio: estou pensando em transarmos no carro, no meio da floresta.
- Bem... e você, está pensando em quê?
Ela leva a mão ao queixo, pensativa, e olha em volta.
- Estou pensando que meu namorado acredita que nossa primeira vez será no carro dele, no meio do mato. Só que ele está muito enganado se acha que sou esse tipo de garota. - Ela sorri, e sinto meu rosto queimar ainda mais.
- Está pensando isso de mim? - Ela confirma com a cabeça e volta ao seu assento. - Isso é um pouco injusto, não acha?
- Injusto? Não acho. Leve em conta o susto que me deu ontem.
Suspiro, tentando amenizar o constrangimento.
- Então, o que viemos fazer aqui? Seu pai já deve estar longe.
- Eu queria conversar com você, longe do tumulto que nos espera. - Concordo com a cabeça. - Oficialmente... estamos namorando? - pergunta-me.
- Achei que ontem à noite eu tivesse sido bem claro - digo, fazendo um leve bico. Um gesto nada típico - bom, talvez seja, ao menos quando estou apaixonado. - Estamos sim, se depender de mim.
- Isso depende de mim também - ela responde, firme.
- Então... como estamos?
- Namorando - afirma, com seriedade.
- Estamos, então - digo, apertando sua mão.
- Tem algo que preciso te contar. - A encaro, dando-lhe espaço para continuar. - Vou voltar para a Inglaterra em duas semanas.
Meu coração se aperta. Olho para seu rosto, depois para nossas mãos entrelaçadas.
- Fala alguma coisa - pede, baixinho.
- Não sei o que dizer - suspiro. - Eu falei sério sobre querer estar com você. Mas parece que a vida sempre conspira contra mim.
A neve começa a cair, cobrindo o mundo de branco, como se o próprio céu compartilhasse do meu pesar.
- Eu também quero ficar com você - diz.
- Podemos fazer dar certo. Tenho certeza.
- Por mais que eu queira acreditar nisso, Sasuke... essa não é a primeira vez que me encontro em uma situação assim - murmura, soltando meus dedos e pousando as mãos sobre as pernas. - Eu não quero me machucar de novo.
- Eu nunca te machucaria. - Ela me olha e sorri, mas há tristeza em seus olhos. Um sorriso diferente de todos que já vi. - Vamos pensar em outra coisa. Você disse que vai em duas semanas, certo? - Ela assente. - Então vamos fazer cada um desses catorze dias valer a pena. Serão os melhores das nossas vidas. Começando hoje.
Dou ré no carro e sorrio quando vejo o brilho nos olhos dela. É o mesmo do nosso primeiro encontro. E isso me basta.
O sol já se põe quando chegamos à casa do Itachi. Ao sair do carro, seguro a mão de Hinata, que retribui com um sorriso suave. Na sala de estar, todos se voltam para nós. Itachi, ao lado de Meyrumi, sorri de lado. Minha mãe nos olha, surpresa. O senhor Hiashi franze o cenho.
- Onde vocês estavam? - pergunta com a voz carregada de impaciência. - Chegamos há horas.
- Papai, temos algo a dizer - anuncia Hinata, apertando minha mão. - Eu e Sasuke estamos juntos.
O silêncio dura poucos segundos. Todos nos encaram, exceto Itachi e Hanabi, que apenas sorriem. Minha mãe aplaude, e o senhor Hiashi mantém o olhar severo. Um pouco demais sobre mim, para ser honesto.
- Finalmente. Já estava demorando - comenta Itachi, com seu típico sarcasmo.
- Admito que isso já tava virando novela. Parabéns, Hina - diz Hanabi, acomodando-se no sofá.
- Ai, meu Deus! - exclama Mikoto. - Isso é maravilhoso! Vou agradecer a Buda por ter ouvido minhas preces!
Ela se aproxima e toma a mão de Hinata entre as suas.
- Desde que te vi, soube que era a mulher certa para o meu filho. Vamos nos dar muito bem, minha querida!
- Sim, senhora. Vamos nos dar muito bem... sogra - responde Hinata, sorrindo, inflando ainda mais o ego da minha mãe.
- Você sabe que vamos embora em duas semanas, não é? - diz o senhor Hiashi, sem rodeios.
- Sim, senhor. Já conversamos sobre isso - respondo, sério. - Quero que saiba que tenho as melhores intenções com sua filha. - Faço uma leve reverência. - Por favor... cuide bem de mim também.
Há um momento de silêncio, então ouço um leve suspiro e uma risada contida ao fundo.
- Cuide bem dela - diz ele, enfim.
Respiro aliviado. Foi mais fácil do que imaginei.
- Bom, chega de conversa fiada. Vamos ao que interessa - interrompe Itachi. - Estamos esperando vocês para ir ao aeroporto.
- Aeroporto? - pergunto, confuso.
- É típico de você esquecer as coisas, irmãozinho. Vamos buscar o Shisui.
- Ah, é... tinha esquecido disso - digo, notando os olhares de expectativa nos rostos dos meus pais. - Vamos?
- É isso aí! Estão prontos para conhecer o novo tio de vocês? - pergunta Meyrumi, animada. Os gêmeos respondem que sim em uníssono.
- Então vamos - diz Itachi. Sim... isso vai ser interessante.
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