Capítulo 7

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Retiro o que disse. Ela é apenas bonita. Uma mulher atraente aos olhos de qualquer homem - nada além disso. Por um instante, fui patético, iludido por essa ideia tola de "amor à primeira vista". Aposto que foi exatamente isso que me aconteceu hoje.

- E então? Conseguiu falar com ela? - pergunto, balançando a cabeça, como quem tenta se livrar de pensamentos absurdos. - Essa história de amor instantâneo... que idiotice.

Melhor eu me concentrar nas fotos. Talvez essa garota nem seja convidada da festa - o que, convenhamos, é bem provável.

Itachi retorna, aproximando-se com um semblante mais sereno. Provavelmente conseguiu falar com Meyerumi ou, quem sabe, com alguma amiga dela. Ele é sempre assim: se não encontra a Mey, imediatamente recorre a alguma das amigas que costuma acompanhá-la.

- Conseguiu? - indago, enquanto continuo clicando os convidados.

- Sim, felizmente - responde, aliviado, afrouxando o nó da gravata. - Ela estava no aeroporto, aguardando a chegada da irmã. Tinha me esquecido de que o voo era hoje - comenta, lançando olhares pelo salão, como se procurasse alguém. - Mey disse que ela desembarcou há umas duas horas. Deve estar por aqui.

- Hm... E você conhece essa irmã dela? - pergunto, levemente curioso. Na verdade, sei pouquíssimo sobre a família de Meyerumi. Nem sequer sabia que ela tinha uma irmã. - Imagino uma adolescente cheia de espinhas, lidando com um amor não correspondido.

- Uma descrição bem precisa de você aos quinze anos, Sasuke - retruca Itachi, arqueando uma sobrancelha. - Mas, lamento informar, você está redondamente enganado. Veja - ele aponta discretamente para uma mesa. Melhor dizendo, a mesa. A da garota que eu estava observando minutos atrás. Jamais, nem nos meus devaneios mais ousados, cogitaria que ela fosse irmã da Mey. Aliás... sequer imaginava que Mey tivesse uma irmã.

- Para de brincadeira, Itachi. Aposto que ela só está esperando alguém... um encontro, quem sabe.

- Diga o que quiser, mas é ela. Reconheceria aquele rosto em qualquer lugar - afirma, com aquele sorriso irritante de quem tem plena certeza de estar certo. Odeio isso. - E, antes que insinue qualquer coisa, não é uma adolescente. Formou-se recentemente no MIT, em História da Arte. Bem-sucedida. E solteira.

Ah... Então era isso. Sei bem o que ele quis dizer com "solteira". Odeio admitir, mas Itachi vem tentando, há tempos, me empurrar para as amigas da Mey. Tudo bem... já saí com uma ou outra, por insistência dele. Mas agora... ele quer me jogar para cima da cunhada?

- Descrição impecável de uma garota exemplar... mas, para mim, isso não significa absolutamente nada. Itachi, eu sei que sou um irmão difícil, admito. Mas o que mais me irrita é essa sua mania insuportável de se intrometer na minha vida. Especialmente na minha vida pessoal!

Estou exausto disso. Cresci, me tornei um adulto, mas parece que minha família se recusa terminantemente a aceitar esse fato. É sufocante.

- Bem... Essa reação eu não esperava - diz ele, mantendo aquela expressão neutra que me tira do sério. Odeio essa falsa serenidade, esse jeito de quem parece carregar o mundo nas costas sem se abalar, tal qual uma versão mais jovem do nosso pai, Fugaku Uchiha. - Sasuke, vamos deixar essa discussão idiota para outro momento - declara, ajustando novamente a gravata. - Agora, vamos até ela. Ainda não tive a chance de conhecê-la pessoalmente. E, convenhamos, pode ser uma boa oportunidade pra você também.

- Ah, Itachi! Você por acaso não ouviu absolutamente nada do que acabei de dizer?! - protesto, mas ele já segue em direção à mesa, ignorando solenemente minhas palavras. - Inacreditável...

Caminho, a contragosto, até onde ele se posiciona, ao lado da mesa da garota.

- Finalmente vou conhecer alguém da família da minha esposa - diz ele, acomodando-se à mesa, de frente para ela. Só então consigo, de fato, observar seu rosto com nitidez. E, sim... é inegável: ela é deslumbrante. Um rosto delicado, pele alva - ainda mais clara que a da Mey -, olhos absurdamente azuis e cabelos longos, tão negros que, dependendo da luz, parecem azul-escuros. E o sorriso... ah, o sorriso é simplesmente encantador. Sim, ela é belíssima. Mas isso não significa nada. Já me deixei enganar pela aparência uma vez, e a queda foi brutal.

𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪Onde histórias criam vida. Descubra agora