Hoje, meus caros, terei o dia inteiro ocupado. E por quê? Ora, porque chegou uma das datas mais "esperadas" do ano. Vou dar uma dica: ruas cheias, presentes sendo trocados, declarações de amor eterno e... muito chocolate. Já adivinharam? Imagino que sim. Mas, para os mais desatentos, eu revelo: hoje é o "maravilhoso" Dia dos Namorados.
Ah, que alegria! Fotografar casais e mais casais exalando felicidade em cada gesto, distribuindo juras açucaradas de amor eterno, como se o mundo inteiro precisasse assistir a seus espetáculos sentimentais. Sinceramente? Estou entediado. Nesses momentos, questiono fortemente minha escolha profissional. Quem me dera ter seguido outro caminho, qualquer um que não me obrigasse a aturar essa farsa anual de afeto plastificado, esse desfile de hipocrisias embaladas em papel-coração.
Sou duro em relação ao amor? Sim.
Sou egoísta por pensar assim? Sim.
Sou melancólico desde o último Dia dos Namorados? Sim.
Resumindo: eu detesto o Dia dos Namorados.
E por que, vocês devem estar se perguntando? Pois bem, sentem-se. Deixem-me contar.
Tudo começou quando me formei no colégio e ingressei na universidade. Tinha dezoito anos e estava eufórico com a tão sonhada liberdade. Para mim, liberdade significava duas coisas: entrar para uma irmandade e... transar. Sim, a liberdade carnal, crua e direta.
Minha cabeça, como a de qualquer adolescente prestes a se tornar um jovem adulto, girava em torno de um único pensamento: perder a virgindade com uma garota irresistível, daquelas que fazem os outros caras olharem com inveja. Não era apenas sobre sexo, era sobre status. Estúpido? Talvez. Mas era a lógica reinante entre mim e meus amigos de infância, especialmente Naruto.
Naruto... Esse dispensa comentários. Nascido neto de um homem que, se você o encontrasse na rua - especialmente se for mulher -, o conselho é um só: corra. Seu avô, o lendário Jiraiya, era um tarado assumido. Lembro bem de uma tarde em que, aos 16 anos, escutamos suas histórias picantes da juventude - detalhes sobre o que mais apreciava numa mulher, que dispensarei aqui em nome do bom gosto.
Naruto herdou o espírito livre do avô, ganhou o apelido de "relâmpago pegador" (não me perguntem por quê, apenas aceitem) e fazia jus à fama. Tinha carisma, um jeito fácil de conquistar amigos e - claro - garotas. Graças a ele, entramos rapidamente para uma das irmandades mais desejadas do campus.
Foi em uma dessas festas de irmandade que tudo começou. A noite estava como se espera: música alta, corpos suados, bebida barata e jovens libertinos. Naruto, como de costume, desapareceu rapidamente com uma loira estonteante, provavelmente de olhos azuis e um nome que esqueci antes mesmo de ouvir.
Enquanto todos se perdiam em danças e excessos, eu permanecia no meu canto, como um espectador invisível. E foi aí que a vi. Ela atravessava o salão como se o tempo se curvasse a sua volta. Cabelos rosa, pele alva, presença marcante. Sakura.
E então, ela veio até mim.
- Oi. - disse, ainda ofegante da dança.
- Oi, tudo bem? - respondi, olhando para o céu estrelado.
- Tudo sim. E você?
- Tudo. - continuei, fingindo desinteresse.
- Gosta de astrologia? - perguntou, depois de alguns minutos em silêncio.
- Não. Só gosto de observar o céu. E você?
- Não entendo muito, mas acho bonito.
- Legal.
- Qual seu nome?
- Sasuke. Uchiha Sasuke. E o seu?
- Sakura. Haruno Sakura.
- Flor da primavera?
- É... meus pais gostavam do significado.
- É bonito. Como você.
- O-obrigada...
Conversamos. Rimos. Ela me puxou para dançar. E, quando tocou uma música lenta, nossos corpos se aproximaram. Sentia sua respiração quente no pescoço, o toque de sua pele, o perfume de morango e álcool que embaçava minha razão. Então, ela me beijou. E eu a beijei de volta. O resto da noite nos pertenceu.
Começamos a sair. Frequentemente terminávamos em minha cama. O namoro foi surgindo de forma natural, quase poética. Por um breve período, a vida pareceu boa demais para ser verdade. E de fato era.
Exatamente um ano atrás, no mesmo Dia dos Namorados, cheguei em casa mais cedo. Encontrei minha namorada, Sakura, e meu melhor amigo, Naruto, transando no meu quarto. No meu quarto.
A partir daquele instante, tudo o que eu acreditava sobre amor desmoronou.
E é por isso que odeio o Dia dos Namorados. Porque aquele dia, que deveria ser feito de carícias e promessas, foi o mesmo em que perdi minha namorada, meu melhor amigo... e, talvez, até a mim mesmo.
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𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪
RomanceVocê acredita em amor a primeira vista? Sasuke uchiha não, ele nunca foi o tipo de cara que sonhava em encontrar o amor da sua vida numa esquina, muito menos a primeira vista. Digamos que ele é até um pouco fechado em relação á sentimentos amorosos...
