Capítulo 49

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Se alguém me dissesse, há um ano, que eu acabaria me apaixonando por pelo cunhado da minha irmã, Sasuke Uchiha... eu provavelmente falaria que é um absurdo total, como iria ficar com um cara que nunca nem tinha visto?

Mas a vida - essa coisa teimosa - nunca segue o roteiro que a gente escreve.

Quando ele desembarcou em Londres, poucos dias atrás, e me encontrou ali, na porta da minha pequena casa alugada em Oxford, percebi que todas as certezas que eu achava que tinha sobre o amor, sobre mim mesma e sobre ele... estavam completamente erradas.

Aquela noite... bom, foi intensa.

Sem muito o que dizer, sem muitas palavras desnecessárias - como sempre foi com a gente. Bastou aquele olhar, aquele sorriso torto e aquele abraço que mais parecia um reencontro de duas metades que passaram tempo demais fingindo que não pertenciam uma à outra.

Conversamos... muito. Sobre o passado, sobre o que queríamos, sobre os medos, sobre como ambos éramos péssimos em admitir sentimentos, e sobre como... talvez... isso não precisasse ser tão difícil assim.

Quando, em meio ao café da manhã ele falou com palavras tão sutis e genuínas que ficaria pra sempre ao meu lado, com um anel - prateado, sem pedras, sem firulas - e me perguntou se eu queria construir uma vida com ele... eu simplesmente disse sim. Sem drama, sem hesitar. Simples, direto... e absolutamente certo.

E então, no dia seguinte, veio a parte menos romântica: contar ao meu pai.

A conversa... foi mais difícil do que eu gostaria, mas menos devastadora do que eu temia. Pai é como é. Frio, metódico, sempre acreditando que as emoções são armadilhas. Ele reagiu... como eu esperava. Com aquela mistura de incredulidade, reprovação, mas - no fundo - com aquele amor torto que ele não sabe demonstrar direito.

E Hanabi, claro, estava mais animada que nós dois juntos.

Mas agora... agora começava uma parte ainda mais surreal.

Estou sentada no tapete da sala, cercada por papéis, planilhas, rascunhos e uma pilha de revistas de decoração - todas abertas em páginas com temas absolutamente diferentes, que vão de "casamentos minimalistas no campo" até "festas temáticas inspiradas em dragões medievais".

Sasuke, deitado no sofá, observa tudo com aquele ar blasé que é praticamente uma extensão da sua personalidade. Uma caneca de chá na mão - chá, porque eu o proibi terminantemente de encher a casa de café depois das três da tarde, sob pena de ele virar uma coruja insone.

- Me explica... - ele começa, cruzando as pernas, a voz arrastada - ...por que raios você está olhando essa matéria sobre decoração viking?

- Porque é bonita! - respondo, rolando os olhos. - E quem sabe... uma referência para o salão.

Ele arqueia uma sobrancelha, daquele jeito típico de quem está segurando uma piada maldosa. - Hinata... a gente tá se casando, não saqueando aldeias.

Atiro uma almofada nele, que desvia com aquele reflexo absurdo que me dá raiva e tesão na mesma medida.

- Tá, tá... risos. - Pego outro papel, riscando a opção "temática medieval". - E sobre flores? Prefere lírios, rosas ou... - olho a imagem -...essas coisas que parecem... espigas de milho?

Ele inclina a cabeça, analisa por dois segundos e então responde, absolutamente sério:

- A que for menos capaz de provocar uma reação alérgica no Naruto.

Paro. Pisco. E então caio na risada. - Você não tá pensando no Naruto.

Ele ergue o queixo, teatralmente ofendido. - Eu sou um homem consciente.

𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪Onde histórias criam vida. Descubra agora