Você acredita em amor a primeira vista?
Sasuke uchiha não, ele nunca foi o tipo de cara que sonhava em encontrar o amor da sua vida numa esquina, muito menos a primeira vista.
Digamos que ele é até um pouco fechado em relação á sentimentos amorosos...
Ao chegarmos ao aeroporto, seguimos até o desembarque do portão 4. Dona Mikoto nos aguardava com um sorriso radiante, e por um breve instante, senti-me culpado pela forma como agi durante o jantar. Hinata decidira permanecer com o pai e com Hanabi, restando apenas nós. Meu pai me fitou por alguns segundos antes de caminhar em minha direção.
- Fiquei surpreso com a sua atitude hoje - disse com seu tom de voz habitual.
- Acho que sou bom em te surpreender - respondi.
- Sasuke, sei que nunca fui um bom pai. Admito que não concordo com a sua escolha profissional, mas quero que saiba que pode contar comigo.
Olhei para ele, genuinamente surpreso. Jamais imaginei que ouviria algo assim da boca do meu pai. Aquilo me tocou mais do que eu gostaria de admitir.
- Não leve tudo o que sua mãe diz ao pé da letra. Você sabe que não sou de tomar decisões precipitadas - completou.
Entendi imediatamente o que ele queria dizer. A adoção não havia sido apenas um capricho de dona Mikoto. Ele também desejava isso.
- Eu não levo - disse simplesmente. Mas sei que ele compreendeu o que eu realmente queria expressar.
- Vamos lá. Não vai ser um bicho de sete cabeças, irmãozinho tolo - disse Itachi, interrompendo a breve conversa que tive com nosso pai.
Minha relação com ele sempre foi distante. Nunca fui próximo dele, e isso se agravou depois da mudança de bairro. Com o tempo, nos tornamos quase estranhos, trocando apenas palavras pontuais. Não é que eu o odiasse - longe disso -, apenas não havia laços fortes entre nós. Talvez por Itachi ser o primogênito, tenha recebido mais atenção. Mas isso nunca me incomodou de verdade. Nem mesmo dona Mikoto tem uma afinidade especial comigo. Desde cedo, soube o que queria: controle, independência, um espaço só meu, onde não precisasse dar satisfações a ninguém. E isso nunca mudou.
- Idiota - murmurei, seguindo em direção a dona Mikoto. Era evidente que ela estava ansiosa.
- Como a senhora está? - perguntei.
Ela me lançou um sorriso caloroso.
- Estou ótima. Você vai gostar dele, tenho certeza. Ele é um amor de menino. Vocês vão se dar muito bem.
- E como isso vai acontecer, se eu não falo mandarim?
- Ele é muito inteligente - respondeu com entusiasmo. - Contou-me que, por ser um dos mais velhos do orfanato, sabia que um dia teria de partir. Queria estar preparado para quando esse momento chegasse. Passava a maior parte do tempo estudando. Aprendeu japonês, coreano, inglês e até um pouco de português. E, claro, fala mandarim fluentemente.
Admito que isso me surpreendeu. Eu mal aprendi inglês - e só por insistência da minha mãe -, enquanto esse garoto, aos dezessete anos, já era praticamente um poliglota.
- Olha, é ele! - exclamou dona Mikoto, acenando animadamente.
Vi então um garoto de cabelos escuros, pele pálida, magro e com o rosto marcado por cicatrizes. Vestia uma calça jeans preta surrada e uma blusa de mangas compridas. Sorriu abertamente ao ver minha mãe e correu em nossa direção. Para minha surpresa, meu pai foi ao seu encontro, e os dois se abraçaram.
- Que bom que chegou - disse meu pai. Sorriu. Ele realmente sorriu. Um gesto que não via em seu rosto há muito tempo. - Como foi a viagem?
- Foi muito boa - respondeu o garoto, com um japonês perfeito.
- Finalmente! Estava tão ansiosa pela sua chegada - disse minha mãe, abraçando-o. - Fico feliz que tenha dado tudo certo.
- Olá, sou seu irmão mais velho agora. Itachi - cumprimentou-o, estendendo a mão.
Mas Itachi, no lugar de um aperto formal, puxou-o para um abraço caloroso.
- Meninos, digam oi para o titio Shisui - disse Mey.
- Oi, titio! - disseram os gêmeos em uníssono. Ele se abaixou para ficar na altura deles e sorriu.
- Olá, meninos. Vocês são muito bonitos - disse, passando as mãos carinhosamente pelos cabelos dos dois.
- Vamos lá, é a sua vez - disse Itachi, voltando-se para mim.
Todos me olharam. Ele se levantou e encarou-me. Aquilo não poderia ser mais constrangedor, mas me obriguei a manter a compostura. Afinal, ele agora fazia parte da família. Aproximei-me e estendi a mão.
- Oi, Shisui. Sou seu segundo irmão mais velho, Sasuke - disse.
Ele sorriu e apertou minha mão. De perto, pude ver as cicatrizes: uma próxima ao olho, outra na testa.
- Bem-vindo à família.
Ele assentiu com a cabeça, ainda sorrindo. Seus olhos começaram a avermelhar e, em instantes, lágrimas brotaram.
- Está tudo bem? - perguntei, confuso.
- Sim. Estou muito bem - disse, enxugando os olhos com as costas das mãos. - É só que... estou muito feliz.
Minha mãe aproximou-se e o envolveu em um abraço apertado. Ele retribuiu e chorou alto - um choro de alívio. Meu pai juntou-se aos dois, assim como os gêmeos, Itachi e Meyrumi. Permaneci onde estava até ouvir um sussurro de Mey:
- Vem logo.
Mesmo sem muita vontade, fui. Não queria ser o estraga-prazeres dessa vez. Parecíamos um grupo de lunáticos no meio do aeroporto. Mais constrangedor, impossível.
- Acho que já está bom - murmurei, afastando-me. - Vocês vão acabar matando o garoto antes mesmo de chegarmos em casa.
- Como sempre, você estragando o momento - provocou Itachi, pegando Shisui nos braços.
- Ele está certo. Você deve estar cansado da viagem, não é, filho? - perguntou minha mãe, e foi a primeira vez que a ouvi chamá-lo de "filho".
- Sim, mas estou bem. Estou muito feliz por estar aqui, mãe - respondeu, e essa também foi a primeira vez que ouvi alguém chamar minha mãe de "mãe".
- Vamos. Preparamos um almoço especial para você na casa do Itachi - disse meu pai, pegando a mala de Shisui.
Seguimos para a saída do aeroporto. Meus pais foram com ele no carro deles; decidi ir com Itachi e Mey.
- Ele parece ser um ótimo garoto. E o japonês dele é incrível - disse Mey, animada.
- Sim - respondeu Itachi.
- E você, Sasuke? O que achou dele? - perguntou.
- Não sei... Mas notei algumas cicatrizes no rosto dele - comentei, olhando pela janela.
- A mãe contou que, antes de ir para o orfanato, ele vivia com o padrasto. Parece que era espancado com frequência. Após a morte da mãe, o padrasto tornou-se seu tutor legal, mas era um homem violento. Uma noite, embriagado, tentou agredi-lo de novo. Shisui fugiu. A diretora do orfanato disse à mamãe que o padrasto já tinha antecedentes por tentativa de homicídio.
Suspirei. Não imaginei que sua vida tivesse sido tão cruel até agora.
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