Capítulo 11

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Me levanto do sofá e olho ao meu redor. Por alguma razão, me sinto só. Talvez Itachi esteja certo: já está na hora de deixar o passado no passado.

Com certeza, Sakura nem lembra de mim. Naruto, muito menos. Tenho que seguir em frente. Os dois estão fazendo isso, e eu continuo o mesmo Sasuke de antes: o mesmo medroso e idiota, o mesmo cara de um ano atrás que levou um chifre do melhor amigo e chorou como um imbecil a noite toda por uma garota estúpida de cabelos rosas.

- Como você é idiota, Sasuke! - digo a mim mesmo, e, de fato, não há mentira nisso.

Caminho em direção à porta e saio em disparada até as escadas. Corro sem cessar. Mais trovões são ouvidos. O que raios estou fazendo?

- Mas que merda! - grito enquanto continuo a correr escada abaixo. - O que você está fazendo? Por que está correndo que nem um louco atrás dela?

Meus pulmões doem com a respiração descompassada. Um forte clarão cega meus olhos por poucos segundos. A chuva está ganhando mais intensidade. Como será que ela está? Encharcada, com certeza.

- Por que raios eu deixei ela sair nessa chuvada? - grito outra vez ao chegar à porta das escadas de emergência.

Corro pelo corredor até o saguão do prédio e, enfim, saio para a rua. Uma forte rajada de vento me atinge em cheio, juntamente com a chuva. Fico completamente encharcado.

Olho para os lados em busca de uma cabeleira longa e preta, até encontrá-la no final da esquina, em seu vestido lilás.

- Ah... graças a Deus - digo, aliviado, sem saber exatamente o motivo.

Volto a correr em direção à morena azulada. Outro raio corta o céu. Nunca vi uma chuva assim antes. Olho em sua direção: ela está parada, encarando o céu enquanto a chuva cai sobre seu rosto branco e delicado. Diminuo o ritmo e paro, a uns seis metros de distância. Fico apenas observando. Um pequeno sorriso se forma em seus lábios.

- Itachi vai me matar se você ficar resfriada! - grito.

- Pensei que não ligasse pro que ele diz! - ela responde, também gritando.

- Nem um pouco! - respondo e caminho em sua direção. Sei que não deveria pensar em coisas indevidas, mas é impossível evitar. A chuva fez seu vestido colar ao corpo.

- Então por que está aqui? - pergunta, com as bochechas rosadas pelo frio.

- Porque minha consciência não me permite deixar uma mulher sair sozinha, durante a noite e com essa chuvarada - respondo. Ela sorri.

- Muito cavalheiro da sua parte... Mas, já disse antes: não me incomodo com a chuva. Pelo contrário.

Ela se aproxima, ficando a poucos centímetros de mim. Minha respiração falha.

- Mesmo sendo tentador, ainda sim... tenho 21 anos e quero viver até os 75. Me ajuda a durar até lá - digo, brincalhão. Nunca me senti tão bem. É como voltar no tempo e ser aquele garoto de sete anos banhando na chuva.

- Que dramático! - diz, dando um leve tapa no meu ombro. - Parece até uma criança pedindo pro pai não bater.

Não consigo conter a gargalhada.

- Só estou tentando salvar minha pele dos tabefes da sua irmã.

Ela ri, mais leve.

- Duvido muito que a Meyerumi te bateria - diz com malícia.

- Acredite... ela bateria! - a olho profundamente. Meu coração acelera. Por que isso está acontecendo comigo? - Bem, acho melhor voltarmos pro meu apartamento.

𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪Onde histórias criam vida. Descubra agora