Capítulo 16

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Duas semanas depois

- Então, como andam os preparativos para o casamento do ano? - perguntou Itachi ao adentrar a sala de jantar de sua casa. Convidara-me para um jantar em família, celebrando mais um contrato assinado com êxito.

- Não sei. Sou apenas o padrinho - respondi, com visível desinteresse.

- Que entusiasmo comovente, o seu - disse ele, sarcástico.

- O que você quer dizer com isso?

- Sei lá... imaginei que, sendo um dos melhores amigos de infância do noivo, você estaria mais animado. - Sorriu e sentou-se ao meu lado. - Só isso.

- Eu estou... só não estou particularmente contente com a escolha do padrinho da noiva. - Fixei os olhos nas mãos. - Logo depois de me pedirem para ser padrinho, o Suigetsu me ligou à noite e revelou, com a maior naturalidade do mundo, que o padrinho da Karin seria o Naruto. Disse que não mencionou antes justamente para eu não recusar o convite.

- Bem, era de se esperar. Afinal, ele é primo dela - ponderou, passando a mão no queixo. - Mas acredito que seja justamente essa uma razão a mais para você ir ao casamento. Mostrar a ele que está bem, que tudo ficou no passado... mesmo que, na prática, não tenha ficado.

- Fácil para você dizer.

- Talvez não se sentisse tão deslocado se levasse uma acompanhante. Alguém bonita... que despertasse certa inveja em "algumas pessoas". As mulheres detestam isso - sorriu, e, apesar de mim mesmo, acompanhei o gesto.

- E quem eu levaria? Uma das amigas divorciadas da Mey? Não, obrigado. Já tenho problemas o suficiente.

- Ou quem sabe... - Itachi apontou discretamente para a porta da sala, por onde Hinata e Meyrume surgiam carregando os pratos - ...a minha cunhadinha. - Concluiu com um sorriso malicioso. - Sei que vocês já se conhecem, pode ser mais fácil interagir com ela.

- Não! Definitivamente não! - sussurrei, quase em desespero.

- O que estão cochichando aí? - perguntou Mey, já próxima da mesa.

- O Sasuke está precisando de uma acompanhante para o casamento do ano - disse Itachi, com a ousadia de sempre. Lancei-lhe um olhar fulminante, suplicando silenciosamente que não fizesse aquilo. O problema é que Itachi sempre faz exatamente o que quer. - E eu sugeri que ele chamasse minha cunhada.

Hinata continuava a dispor os pratos sobre a mesa, serena, como se nada tivesse ouvido.

- Eu... - tentei intervir, mas Itachi me interrompeu de imediato.

- Meu irmãozinho tolo, porém, não tem coragem suficiente para convidá-la. Então, proponho eu mesmo. - Olhou para mim, depois voltou-se para Hinata, que o encarava com atenção. - Minha querida cunhada, sei que nos conhecemos há pouco tempo, mas poderia fazer a caridade de quebrar esse par de galhadas coladas na cabeça do meu irmão, só por um dia?

Como sempre, ele jamais perdia uma chance de zombar da minha cara.

- Itachi, acho melhor o Sasuke resolver os próprios assuntos - disse Meyrume gentilmente. Agradeci, mentalmente, por ela ainda ter algum bom senso.

- Finalmente alguém que me entende! Obrigado, Mey!

- Amor, é que a situação não vai ser das mais confortáveis pra esse idiota - disse ele, e seus olhos se voltaram para mim com um brilho zombeteiro. - O Naruto vai estar lá! Ele não pode parecer que ainda está sofrendo... mesmo que esteja.

- Itachi, eu sei que isso é delicado, mas o Sasuke não gosta que você se intrometa na vida íntima dele. Tente entender - Mey insistiu, com paciência.

𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪Onde histórias criam vida. Descubra agora