Capítulo 38

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Assim que Sasuke sai da casa, volto minha atenção para a mesa, onde todos me observam em silêncio. Sorrio, fraco e contido.

- Sinto muito, mas não estou me sentindo bem - digo, virando-me em direção às escadas. Ouço Mey mencionar que gostaria de falar comigo. Entro no quarto em que estou hospedada, com Mey logo atrás. Não consigo mais conter as lágrimas; sempre tento ser forte e não demonstrar o que sinto, mas toda essa situação parece um pesadelo do qual não consigo despertar.

- Ei, o que houve? - Mey aproxima-se e me abraça. - Vocês brigaram?

Negando com a cabeça, esforço-me para conter o choro, mas ele só aumenta.

- Eu só queria nunca ter me apaixonado, Mey! Eu só queria ter uma vida normal. Por que a minha é tão complicada? - digo, entre soluços.

- Ei, Hinata, não fale assim! Você tem uma vida maravilhosa. Tem a mim, ao papai e à Hanabi. Seja lá o que aconteceu, você sempre terá nós três - ou melhor, nós seis - o Daysuke e o Yusuke também se importam com você, e tenho certeza absoluta de que esse bebê que carrego dentro de mim também! Então, pare de chorar - ela sorri. Mey sempre sabe como me confortar, mesmo quando ela mesma não está bem.

- Obrigada - respondo, fungando.

- Agora, pode me contar o que aconteceu? - Mey pergunta. Olho para o chão, sentindo-me idiota.

- Lembra que eu estava namorando durante o intercâmbio?

- Sim, um rapaz loiro, certo? Você falou pouco sobre ele - concorda. - Mas o que isso tem a ver?

- Ele apareceu aqui do nada e disse que veio para que voltássemos. Sasuke viu tudo. Eu não sabia o que fazer ou dizer - suspiro. - Aquele idiota apareceu justamente quando eu estava feliz!

- E o que Sasuke disse?

- Ele acha que eu menti para ele, ou foi isso que deu a entender - passo a mão pelos cabelos. - Isso tudo é uma loucura, Mey! Eu só queria dormir, acordar e perceber que tudo não passou de um pesadelo.

- Relaxa, foi apenas um mal-entendido. Tenho certeza de que Sasuke não pensa isso. Ele tem o gênio forte, como o irmão, mas sua autoestima é baixa, mesmo que não aparente. Agora ele deve estar se sentindo insuficiente. Isso já aconteceu antes, eu vi muitas vezes. Ele sempre se compara com os outros e acaba se preocupando demais.

- Você tem certeza?

- Sim. Conheço ele há mais tempo que você e logo ele virá falar contigo. Só precisa de tempo, assim como você.

- Eu te amo. Não sei o que faria sem você - digo, abraçando-a. Mey sempre foi como uma mãe para mim, mesmo antes da morte da nossa mãe. Depois que Hanabi nasceu, ela se tornou ainda mais. Hana não tem lembranças da mãe, e Mey assumiu esse papel tão naturalmente. Nosso pai sempre esteve presente, mas não é a mesma coisa.

- Eu sei. Agora, tome um bom banho e descanse - ela vai até a porta. - Tenho certeza de que você se sentirá melhor.

- Tudo bem, obrigada, Mey.

- De nada. Agora vai dormir um pouco - diz, saindo do quarto.

Vou até o banheiro e me olho no espelho. Meus olhos estão vermelhos, e o nariz entupido me faz parecer ridícula. Tomo um banho e vou para a cama, tentando não pensar em nada e apenas dormir. Mas é impossível. Justo agora ele volta - aquele filho da puta.

Que diabos ele pensa? Acha que sou idiota a ponto de esperá-lo? Eu já sabia que não daria certo, mas aí ele aparece na pior hora, quando estou mais feliz? Qual é o problema da minha vida afinal?

- Hinata, você é uma idiota - falo para mim mesma, rolando na cama. Pego o celular; Sasuke não está online.

- O que será que ele está fazendo? - suspiro. - Que droga - fecho os olhos e finalmente adormeço.

- O que você está fazendo, ameixa? - Deidara me pergunta. Estamos deitados em minha cama, após um momento casual. Ele parece um cachorro molhado.

- Estou tentando pintar algo - digo, passando as mãos em suas costas.

- Você não está me sujando, né? Odeio ficar sujo de tinta - diz, fazendo bico.

- Que pena. Vai ter que tomar um banho depois então - respondo sorrindo.

- Você não fez isso! - ele se levanta e vai até o banheiro. - AMEIXA!

- Hahaha - sorrio. Deidara aparece na porta do banheiro completamente nu, sem a menor vergonha, exibindo o abdômen definido e uma expressão engraçada.

- O que? Minha obra de arte está linda.

- Sério que você desenhou um pênis nas minhas costas e chama isso de obra de arte? - sorrio ainda mais e viro-me na cama.

- Achando engraçado? Você vai ver o que é engraçado! - ele avança em minha direção, pega-me nos braços e começo a me debater, sorrindo ao mesmo tempo.

- Me solta, seu maracujá azedo!

- Não! Vou fazer algo bem melhor em você, sua ameixa - ele corre para mim e sorrio, fugindo pelo quarto.

De repente, estou em outro lugar, num parque. Ao meu lado, Sasuke sorri e segura minha mão. O tempo está frio; encosto-me em seu braço, sentindo uma calma momentânea.

- Não será tão fácil me deixar... Ameixa, eu não vou desistir... Você vai ser minha! - aquela voz grita ao longe, e meu coração acelera.

- Você sabe que não tem como fugir, não é? - a voz agora vem do meu lado. Levanto a cabeça para ver quem está ao meu lado, e fico sem reação. Não é Sasuke, mas Deidara, com um sorriso macabro nos lábios.

Acordo assustada, as costas suadas e a respiração ofegante. Levanto da cama e vou até a janela, abrindo-a. Já amanhece. O vento frio me faz arrepiar, trazendo o desconforto daquele sonho - aquele sorriso e aquela voz me causam medo. Pego o celular; nenhuma mensagem. Ele realmente deve estar zangado comigo.

Desço as escadas e vou até a cozinha. Creio que todos ainda estejam dormindo. Quando me aproximo da geladeira, encontro Mey sentada no chão com um balde de sorvete e a boca suja.

- Te peguei no flagra! - digo, e ela sorri. Sento ao seu lado no chão.

- Estava com muita vontade de comer sorvete, deve ser um desejo - responde, colocando uma colherada na boca.

- E o Itachi? Não veio te ajudar nessa tarefa?

- Ele está muito cansado e tem uma viagem daqui a duas horas - concordo com a cabeça.

- Então posso comer um pouco também? - pergunto, encostando a cabeça em sua barriga.

- Não sei, titia. Minha fome é enorme, mas vou deixar você passar - Mey responde, fazendo uma careta. Sorrio.

- Obrigada, a titia agradece - pego a colher de sua mão e ponho um pouco de sorvete na minha cabeça.

- Vai devagar, ou você vai...

- Congelar meu cérebro - digo, pondo as mãos na cabeça. Ela sorri.

- Você sempre foi assim.

- Será que tudo isso vale a pena? - pergunto.

Ela me olha, sem entender.

- O quê?

- Isso tudo. Às vezes me sinto parada no tempo. Você e Neji já têm suas próprias famílias, enquanto eu ainda estou aqui, pensando se errei ao não falar nada para o meu namorado - suspiro. - Fico me perguntando se valeu a pena passar anos estudando.

- Ei, cada coisa acontece no seu tempo. Você vai ver como tudo vai dar certo - ela fala, abraçando-me. Sei que diz isso para me confortar, mas preciso pensar em outra coisa.

- Obrigada - respondo, sorrindo.


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