Capítulo 34

389 51 27
                                        

- Tenho certeza de que vai gostar do seu quarto - disse minha mãe, enquanto atravessávamos o interior da casa de Itachi. Hinata surgiu assim que entramos, sorridente, e veio ao meu encontro.

- Sim, tenho certeza disso - disse Shisui, maravilhado. Observei como seus olhos se arregalaram ao ver o lugar. Embora não fosse tão grande quanto a casa dos nossos pais, a residência de Itachi ainda era espaçosa, e provavelmente muito além do que Shisui imaginava. Talvez ele não soubesse que nossa família era rica.

- Eu não sei como agradecer. Serei eternamente grato por tudo isso - completou, com os olhos marejados.

- Ora, não diga isso - respondeu minha mãe, abraçando-o com ternura. - Você sabe que nós amamos você, não sabe?

- Isso é tão lindo... - murmurou Mey, visivelmente comovida.

- Está bem, vamos parar com esse clima emocional - interrompeu Itachi, tentando aliviar a tensão. - Temos um almoço especial à nossa espera.

Seguimos então para a sala de jantar. Hinata se aproximou de mim e segurou minha mão. Sorri. Ainda restavam duas semanas com ela, e eu pretendia aproveitar cada segundo.

- Preciso resolver uma coisa rapidamente - anunciei de repente. Todos me olharam. - Vem, Hinata.

Segurei sua mão com mais firmeza e a conduzi até o jardim, parando num canto mais discreto e protegido.

- O que foi? Aconteceu alguma coisa? - ela perguntou, um tanto preocupada.

Balancei a cabeça.

- Nada demais. Só queria ficar um pouco a sós com você - respondi com um sorriso. Ela desviou o olhar, envergonhada, mas sorriu.

- E também... eu queria muito te beijar - acrescentei.

Ela sorriu ainda mais e passou os braços ao redor do meu pescoço. Enlacei sua cintura, puxando-a para mais perto.

- Então você quer mesmo? - provocou ela, com o olhar malicioso.

- Quero - sussurrei, roçando meus lábios nos dela.

- Será que devo deixar?

- Acho que você já sabe a resposta.

Nossos lábios se encontraram com intensidade. Minhas mãos desceram lentamente por suas costas até alcançar sua cintura e, depois, suas curvas. Não posso negar: estava excitado. Mas queria ir com calma. Hinata bagunçava meus cabelos com os dedos, e nossas línguas dançavam com uma sintonia quase perfeita. O beijo era tão bom que me perguntei por que diabos demorei tanto para beijá-la dessa forma. Ela suspirou, e nos separamos por falta de ar.

- Você é bem atrevido, hein, Uchiha - disse ela, num tom brincalhão.

- Você não faz ideia - murmurei ao seu ouvido.

- Bem... então estamos quites. Você também não faz ideia de quem eu sou - retrucou ela, com um brilho desafiador nos olhos.

Confesso que, por um instante, tive o impulso de levá-la direto para meu apartamento e fazer amor com ela como um louco, em todos os cantos possíveis. Mas me contive.

- Tá bem, vamos voltar pra dentro - disse.

Ela assentiu, e entrelaçamos os dedos enquanto caminhávamos de volta. Estávamos quase alcançando a porta quando uma voz masculina nos fez parar.

- Hinata!

Viramos juntos, e me surpreendi ao ver um homem loiro, tatuagens cobrindo-lhe os braços. Ele corria em nossa direção. Olhei para Hinata - seu rosto perdera a cor. Ela apertava minha mão com força, visivelmente nervosa.

- Quem é ele, Hinata? - perguntei, sentindo o estômago revirar.

Ela não respondeu de imediato. O homem chegou até nós, ofegante.

- Finalmente te encontrei! - disse ele em inglês. Mas eu entendi cada palavra. Ele olhou para mim, depois para nossas mãos entrelaçadas. - Quem é esse cara, Ameixa?

"Ameixa"? Olhei para Hinata, esperando uma explicação. Ela virou-se para mim com um tom suave, mas trêmulo.

- Sasuke, pode ir na frente?

- Não. Eu fico com você. Quem é ele?

- Por favor... eu prometo que já volto.

Hesitei. A forma como ele a olhou, como se ela lhe pertencesse, me incomodou profundamente. Serrei os punhos. Só porque ele era estrangeiro, achava que eu não podia socar a cara dele?

- Não! Quem é esse cara? - insisti, elevando o tom.

Ele me lançou um olhar hostil. Minha vontade era mandá-lo calar a boca com um direto no queixo.

- Sasuke! Vai logo! Preciso resolver isso sozinha! - gritou Hinata, desesperada.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando me controlar. Então assenti, mesmo a contragosto.

- Tudo bem - murmurei, virando as costas. Antes de entrar, olhei mais uma vez por cima do ombro. Ele sorria para ela. Um sorriso que me fez arder por dentro.

Quem diabos é esse cara?


𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪Onde histórias criam vida. Descubra agora