Acordo no meio da noite com a garganta implorando por um copo d'água. Eis uma das inúmeras razões pelas quais eu odeio beber. Me levanto da cama e saio do quarto; a casa está mergulhada na escuridão. Minha única intenção é chegar até a cozinha, mas um som estranho me detém - vindo do quarto de hóspedes, onde Hinata está.
Mudo de direção e sigo até a porta de onde vem o barulho. Parece alguém vomitando. Ou seja, ela.
- Que droga... - ouço sua voz abafada, como se tentasse conter a frustração do outro lado da porta. Fico paralisado, em um dilema absurdo entre bater ou não. Opto por bater.
Ela abre a porta com o semblante péssimo.
- Oi - diz, sem entusiasmo algum.
- Você tá bem? - pergunto, sabendo o quanto a pergunta é estúpida.
- Não. Tô péssima - responde, cobrindo a boca com a mão antes de correr para o banheiro. Entro no quarto e a sigo até a porta entreaberta do banheiro. Lá está ela, ajoelhada, praticamente com a cabeça inteira dentro do vaso sanitário, e emitindo os sons mais desagradáveis possíveis. A cena é patética, pra dizer o mínimo - e eu falo com propriedade. Já estive nesse lugar, exatamente assim. Só não esperava que algumas taças de champanhe a deixassem tão mal.
- É, você realmente não tá nada bem - comento, como um idiota. Ela ignora (felizmente), senta-se no chão e passa as mãos pelo rosto.
- Pode me trazer um pouco de água? - pede, com a voz fraca. Apenas assinto e sigo para a cozinha.
Ao retornar, dou uma olhada no relógio da parede: cinco da manhã. Suspiro. É domingo. Provavelmente vou passar o dia todo dormindo. Não estou reclamando, mas, sinceramente, só queria voltar logo pra cama.
- Aqui está sua água - digo ao entrar. Ela está sentada na cama, com um resquício de pasta de dente no canto da boca. Sorrio com isso.
- Obrigada - ela pega o copo e bebe a água de uma vez só.
- Você estava com sede.
Ela apenas balança a cabeça em concordância. Me sento ao seu lado, e ela deposita o copo no criado-mudo.
- Então... o que você bebeu no casamento pra estar tão mal assim? - pergunto, desconfiado. Ela sorri e se ajeita entre os lençóis.
- Que eu me lembre, foram só algumas taças de champanhe.
- Bom... pode ter sido algo que você comeu. Ou sei lá - respondo, desviando o olhar para meus pés descalços no chão.
- Ei - ela chama minha atenção. Quando olho, está batendo com a mão no espaço vazio da cama ao seu lado. - Deita aqui.
A encaro por alguns segundos. Não deve significar grande coisa. Não é como se já não tivéssemos dormido lado a lado antes. Ela se senta e puxa meu braço, fazendo com que meu corpo caia sobre o dela. Nossos rostos ficam tão próximos que posso sentir seu hálito. Um sorriso brinca em seus lábios.
- Me beija? - sussurra. Eu a encaro nos olhos. Já consegui escapar disso uma vez. Agora, não tenho tanta certeza.
- Você pode me beijar? - repete, dessa vez sem desviar o olhar.
A beijo. Com calma, suavemente, mas com profundidade, como se desejasse eternizar aquele instante.
Desde a primeira vez que a vi, soube que havia algo nela que me desmontava. Só não sei exatamente o quê. Seus braços envolvem meu pescoço enquanto se senta em meu colo. Minhas mãos deslizam por suas coxas e costas. O quarto, que até pouco tempo estava frio, agora parece uma extensão do inferno de tão quente.
Seus lábios macios descem até meu pescoço e clavícula, provocando arrepios por todo o meu corpo. Meu coração dispara; a adrenalina toma conta. Eu tentei resistir, juro, com todo o autocontrole que me restava... mas ela é de outro nível.
Seus dedos buscam a barra da minha camiseta de algodão. Ela me olha com desejo - o mesmo desejo que devolvo no olhar. Eu sei que, no fim das contas, isso vai ser só uma transa movida pelo momento e que, provavelmente, trará constrangimento depois. Mas, sinceramente? Que se dane.
Quando ela se livra da minha camisa, é minha vez. Minhas mãos deslizam até a barra da blusa azul escura que ela usava para dormir - uma que, nela, parece mais um vestido. Seus seios são fartos, como eu já suspeitava, sua cintura, fina. Sua pele, branca como papel, é absurdamente macia. Ela é linda. Em todas as formas.
Nossos lábios se reencontram. Ao mesmo tempo, as últimas peças de roupa desaparecem. Está tudo tão perfeitamente encaminhado que chega a me assustar.
Ela me lança um sorriso - um que nunca vi em seus lábios. Um sorriso cheio de intenções: segundas, terceiras, até quartas. E eu confesso, gostei disso. Desço os beijos pelo pescoço alvo até chegar aos seios, os tomo com vontade, provocando nela gemidos baixos e entrecortados de prazer. Alterno entre um e outro, saboreando cada reação sua, com calma, para que nada se perca no tempo.
Desço ainda mais, beijando sua barriga até chegar ao seu ponto mais íntimo. Ela me encara, envergonhada, mas também faminta - o que só intensifica meu desejo. A acaricio com a boca e, quando ela joga a cabeça para trás e solta gemidos mais altos, sei que estou no caminho certo. Seus dedos se enroscam nos meus cabelos, seus suspiros são descompassados. Suas pernas tremem. Ela está quase lá.
Então, a penetro lentamente. Nossas respirações se confundem, nossos corpos suados se colam. Seus gemidos no meu ouvido, seu corpo colado ao meu... tudo parece perfeito demais para ser real. Quando atingimos o ápice, ela morde meu ombro e...
Abro os olhos.
A luz da manhã me cega por um instante. Tempo suficiente pra entender o que aconteceu.
- Merda... - murmuro, frustrado. Eu não sei o que é pior: acordar com uma ereção matinal ou perceber que acabei de ter um sonho erótico com a cunhada do meu irmão - que, por sinal, está dormindo no quarto ao lado. Onde, veja só, eu fantasiei uma transa casual.
- Puta que pariu - solto, jogando-me de volta na cama. A realidade: Hinata está no quarto de hóspedes e, com toda a certeza, ainda dorme.
Que idiota.
Vou até o banheiro e encaro meu reflexo no espelho. Parecia tão real. Seus lábios, seu corpo... Não é como se fosse meu primeiro sonho erótico - isso era até comum na adolescência. Mas esse foi diferente. Tão vívido. Ainda consigo sentir o toque dela, seu cheiro, seus beijos, seus gemidos...
- Sasuke? - ouço sua voz me chamar.
Caminho até a porta e a abro. Hinata está ali, com os cabelos bagunçados, o rosto inchado, vestindo minha camiseta azul escura e minha calça de moletom. As roupas largas fazem parecer que ela pegou emprestado algo do pai.
- Sim? - pergunto, tentando manter a compostura. Mas flashes do sonho invadem minha mente.
- A Mey me ligou. Meu pai chegou de viagem, preciso ir pra casa dela - diz, coçando os olhos. - Você pode me levar?
- Claro - respondo. Ela continua parada, me encarando por um tempo. Só então percebo o motivo.
- Desculpa... eu não queria te atrapalhar em nada, eu...
- Não é o que você está pensando! - corto. Ela fica sem graça. - Também é... quer dizer, não é! - me embanano. - Eu só... eu tive uma ereção matinal, tá? Acontece, às vezes. Só isso.
Ela me olha em silêncio, constrangida.
- Acho melhor você parar por aqui - diz, já vermelha. - Eu vou tomar um banho.
Concordo com a cabeça. Ela entra no quarto e me deixa plantado ali, desejando desaparecer da face da Terra.
- "Eu não faço isso há um bom tempo"... Sério, Sasuke? Brilhante - murmuro para mim mesmo, voltando para o banheiro com a dignidade em frangalhos.
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𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪
Roman d'amourVocê acredita em amor a primeira vista? Sasuke uchiha não, ele nunca foi o tipo de cara que sonhava em encontrar o amor da sua vida numa esquina, muito menos a primeira vista. Digamos que ele é até um pouco fechado em relação á sentimentos amorosos...
