Capítulo 44

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ATENÇÃO!

O capítulo a seguir trata de assuntos delicados, caso você não se sinta confortável sobre o tema depressão, não leia. Se você está se sentindo triste e tem pensamentos suicidas, procure por ajuda, lembre-se que você não está sozinho.

- Tenho refletido muito desde aquele dia - digo, um tanto frustrado. - Reconheço que agi como um imaturo, mas não pude conter o ímpeto. Meu sangue ferve só de imaginar que todos, inclusive os amigos de infância, têm pena dele. - Suspiro e apoio a mão no rosto. - Veja, Shikamaru, sempre fui reservado e discreto, mas desde aquele episódio, não me sinto mais à vontade entre as pessoas. Tornei-me motivo de chacota.

- Sasuke, ninguém jamais falou mal de você. Pelo contrário, todos ficaram abalados e consternados com o ocorrido. Vocês eram inseparáveis, como irmãos! - Ele traga o cigarro, pensativo. - Porém, o ponto crucial é o estado dele. Está deplorável! - Suspira profundamente e retorna o olhar ao celular. - Sei que isso lhe causou uma dor imensa, muito além de uma facada. Perdoar uma traição é tarefa árdua, sobretudo quando provém de alguém quase fraterno. Contudo, somos adultos agora. Há coisas que precisamos sepultar no passado. - Respiro fundo; por mais que relute, sei que há verdade em suas palavras. - Peço-lhe que faça um esforço, pois ele não buscará ajuda se você não estiver ao seu lado.

- Shikamaru, descobri algo recente. - Engulo em seco; ele me observa atento. - Há dois meses, Sakura esteve em meu apartamento e me confidenciou que está grávida. - Ele arregala os olhos, largando o celular.

- O quê? Seu filho? - pergunta, surpreso.

- Não. - Suspiro profundamente. - Disse que Naruto é o pai.

- Puta que pariu! - Shikamaru exclama, sério. - Como assim? Ela foi atrás do Naruto? Então ele sequer sabe que é pai?

- Parece que não. - respondo.

- Sasuke, precisamos falar com ele imediatamente! - Levanta-se da cadeira.

- Já tentei, Shikamaru. Não vou me humilhar desse modo. Ele não quis reatar comigo, e além disso, já voltou para a Coreia.

- Não, ele não voltou. Está morando na casa do Jiraya. - Passa a mão pelo cabelo. - Conversou comigo dias atrás. Está atormentado pelo que disseram naquele encontro. Ele não voltou para reconciliar, aguardava o momento certo. Mas com essa notícia, devemos agir rápido.

- Eu... não posso. - digo, abatido.

- Sasuke!

- Não consigo encará-lo. Sinto-me profundamente traído. Não me importo tanto com ela, mas ele... ele era meu melhor amigo. Só de pensar, fico impossibilitado.

- Sei, mas isso pertence ao passado. Você sabe o que ele enfrenta? - Sua voz se tinge de angústia. - Tem semanas que ocorreu algo grave. Fui visitá-lo e o encontrei desmaiado, cercado de frascos vazios de sonífero. - Me olha com seriedade e revela, surpreendentemente: - Naruto tentou tirar a própria vida.

Aquelas palavras me atingem com uma força que jamais imaginei. Meu coração acelera vertiginosamente, e um arrepio percorre meu corpo ao imaginar Naruto em um caixão.

- Isso é impossível... Shikamaru, conhece o Naruto; ele jamais faria tal ato. Sempre foi a alma mais vibrante entre nós!

- Sasuke, ele está consumido pela depressão. Não confidenciou a ninguém, mas há tempos sofre sozinho. Tudo piorou após ir à Coreia cuidar da tia falecida. Sua mente está em ruínas. Entretanto, esta notícia pode ser um novo propósito. Se você estiver ao lado dele, talvez tudo mude. - Antes de refletir, levanto-me e caminho até o carro. - Sasuke, pare de se acovardar...

𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪Onde histórias criam vida. Descubra agora