Assim que ouço a porta se fechar, volto minha atenção para o homem loiro à minha frente. Isso só pode ser uma piada de mau gosto.
- O que está fazendo aqui, Deidara? - indago, com a voz firme. Ele sorri para mim e se aproxima ainda mais.
- O que você acha que vim fazer no Japão, um lugar onde nunca imaginei que pisaria, Ameixa? - responde ele, com sarcasmo, tentando segurar minha mão, mas eu a retiro rapidamente.
- O que você quer? - pergunto, já irritada.
- Quero você, isso está bem óbvio. Você continua tão ingênua quanto antes, não é, Ameixa? - ele provoca, com aquele mesmo tom presunçoso que sempre me enfureceu. - E além disso... quem era aquele cara?
- Isso não é da sua conta - respondo, secamente. Ele me lança um olhar surpreso diante da minha frieza. - Responda: o que veio fazer aqui? Ou melhor, como descobriu o endereço da casa da minha irmã?
- Foi muito simples. Tenho alguns amigos que conhecem seu cunhado; eles também são do ramo jurídico - responde, com um suspiro. - Acho que você sabe bem que não sou um homem fácil de dissuadir... eles acabaram me contando. Insistência sempre foi uma das minhas qualidades - completa, sorrindo de canto.
- Isso só pode ser uma brincadeira - murmuro mais para mim mesma do que para ele. - Você realmente acha que pode simplesmente reaparecer, do outro lado do mundo, na casa da minha irmã, fingindo que nada aconteceu? Fingindo que você não sumiu e partiu sem ao menos se despedir? Que eu estaria bem com isso?
Ele permanece em silêncio, o que apenas intensifica a minha raiva.
- É sério que você pensou isso? Meu Deus... - solto uma risada amarga. - Você continua sendo um completo idiota, Deidara! Faça-me o favor de desaparecer, como fez da última vez. Saia da minha frente! - digo, virando-me para entrar na casa, mas ele segura minha mão e me puxa de volta.
- Escuta, Hinata... eu sinto muito, tá legal? Eu sei que fui um babaca, mas achei que seria o melhor... - suspira, passando a mão pelos cabelos, visivelmente aflito. - Eu não pensei direito nas coisas. Além do mais, nós dois sabíamos que seguiríamos rumos diferentes... Naquele momento, parecia ser o mais certo para mim.
Liberto meu braço de seu aperto e o empurro com força.
- Me deixando sozinha, como uma qualquer? Tem ideia de como isso me fez sentir? Como uma idiota... como uma ninguém! Você sequer teve a decência de se despedir! Simplesmente me deixou sozinha, após uma noite de sexo, como se eu não passasse de uma vagabunda! - empurro-o a cada frase, tomada por uma fúria misturada à humilhação. - Isso foi tão degradante... você não faz ideia. E agora, quando finalmente estou te superando, você aparece do nada, como se tudo pudesse voltar a ser como antes? Vai embora! Eu te odeio, Deidara! Some da minha vida! - nesse momento, lágrimas já escorrem pelo meu rosto.
- Eu só quero uma segunda chance... apenas uma, para mostrar que mudei - ele diz, tentando me tocar.
- Vai para o inferno! E não ouse me tocar, seu canalha! - exclamo, exatamente quando ouço a porta se abrir. Vejo Sasuke se aproximando, com o semblante fechado.
- O que você quer com ela? - pergunta Sasuke, encarando Deidara, que revira os olhos antes de me lançar um olhar inquisidor.
- Quem é esse idiota?
- Com quem acha que está falando? - Sasuke se aproxima, ameaçador.
- Com você é que não é. A conversa é entre nós dois - Deidara gesticula, apontando para mim e para ele. - Quem é ele, Hinata?
- Eu sou o namorado dela. E você... quem é? - responde Sasuke, firme. Deidara me olha, atônito.
- Ele é o quê?
- Você é surdo? Sou o namorado dela, idiota!
- Está brincando com a minha cara? Eu sou o namorado dela, babaca! - Deidara se aproxima de Sasuke, e os dois se encaram de uma forma que me causa temor. - O que esse cara está falando, Ameixa?
- Você deve ser o cretino que a abandonou... eu devia socar a sua cara - diz Sasuke, entredentes.
- O que você achava, Deidara? Que eu ia continuar te esperando? - ele permanece calado. - Agora vai embora, por favor... - suplico, já exausta de toda essa situação.
- Isso é uma loucura... não pode ser verdade. Ameixa... e tudo o que vivemos? Não significou nada para você? - ele insiste, quase implorando.
Suspiro, sentindo-me esgotada.
- Isso importa agora? O que eu sentia acabou no momento em que você me deixou - respondo, e percebo Sasuke me olhando, talvez surpreso com a firmeza da minha voz. - Agora... vá embora.
- Tudo bem... - ele finalmente cede. - Eu vou... mas não pense que desisti de você, Hinata... - suas palavras provocam um arrepio em minha espinha, mas não de uma forma boa. Ele se vira e parte. Volto meu olhar para Sasuke, que ainda mantinha a expressão fechada.
- Me desculpa... eu nunca imaginei que ele apareceria assim - digo, limpando as lágrimas do rosto.
- Por que não me disse que ele era o tal cara? - pergunta Sasuke, sério.
- Eu... eu só não sabia o que fazer. Achei melhor você não se envolver nisso. Mas... acabou acontecendo... - ele suspira.
- Vamos entrar - diz, num tom seco. Apenas o sigo, em silêncio.
- Vocês demoraram... o que aconteceu? - pergunta Mey, desconfiada.
- Nada de mais - respondo, evitando detalhes.
- Desculpem... eu preciso ir pra casa - Sasuke anuncia, todos o observam e Mey me lança um olhar preocupado.
- O que aconteceu, Sasuke? - indaga Itachi.
- Nada... só não estou me sentindo bem - ele responde, pegando sua jaqueta de couro. - Desculpa não ficar para o almoço, Shisui.
- Sem problemas - Shisui responde, compreensivo.
- Sasuke... - começo a chamá-lo, mas ele não me permite concluir.
- A gente conversa depois, tudo bem? - assinto, em silêncio. - Tchau.
Então ele se vai.
Que droga... por que ele tinha que aparecer? O que ele quer?
Eu te odeio, Deidara.
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𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪
RomantizmVocê acredita em amor a primeira vista? Sasuke uchiha não, ele nunca foi o tipo de cara que sonhava em encontrar o amor da sua vida numa esquina, muito menos a primeira vista. Digamos que ele é até um pouco fechado em relação á sentimentos amorosos...
