Capítulo 27

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- Hinata, vamos logo! - chama Hanabi pela terceira vez em menos de dois minutos.

- Espera só mais um pouco, já estou indo - respondo, colocando o brinco e borrifando um pouco de perfume no pescoço.

- Ai, meu Deus, eu tinha esquecido o quanto você demora pra se arrumar. O papai já está te esperando, Hina! - insiste, impaciente. Abro a porta do quarto com certa teatralidade.

- Pronto, terminei. E eu também tinha me esquecido de como você pode ser irritante às vezes - retruco, ao que Hanabi apenas revira os olhos.

- Vamos logo, não quero ouvir o papai reclamando da sua demora!

- Já peguei minha bolsa, vamos - digo, enquanto desço as escadas ao seu lado.

- Até que enfim. Se a gente chegar atrasada pro almoço, a culpa vai ser sua.

- Sempre tão controladora, não é?

- Só estou sendo realista.

Assim que chegamos à sala, Itachi nos observa com um sorriso gentil.

- Minhas cunhadas estão deslumbrantes hoje.

- Obrigada... - murmura Hanabi, corando.

- Obrigada, Itachi - agradeço, com um aceno.

- Infelizmente não poderei levá-las. Uma reunião urgente surgiu em Hokkaido. Mas o motorista sabe exatamente onde fica a casa e as levará em segurança - diz ele, com a habitual cordialidade.

- Obrigada. Você sabe onde está nosso pai? - pergunta Hanabi.

- Seu pai já está no carro, esperando vocês. Aproveitem o encontro - conclui, despedindo-se logo em seguida.

- Hina, eu não sabia que o Itachi era tão bonito assim. A Mei tem um bom gosto, hein!

- Desde quando você fala desse jeito, Hanabi?

- Hinata, eu já tenho quinze anos. E não sou cega, ok?

- Ok...

- Anda logo.

A viagem transcorre de forma tranquila. Papai e Hanabi conversam sobre algo que mal presto atenção. Me distraio observando a paisagem pela janela - tudo parece tão diferente, e ao mesmo tempo, acolhedor. Sempre gostei de lugares frios, e do mar. Imagino que me adaptaria bem a um cenário assim.

Quando percebo, já chegamos. Nunca havia visto de perto uma casa tradicional japonesa, mas este lugar parece uma pequena vila. Logo ao chegarmos, somos recebidas por tio Hizashi. É curioso como ele e papai são tão parecidos, e ao mesmo tempo, tão distintos.

- Hinata, como você cresceu... Está muito bonita - diz ele, sorrindo. Não consigo evitar um pensamento irônico: é como se meu pai estivesse me elogiando - o que, convenhamos, é raro.

- Sou eu mesma, tio - digo, retribuindo o sorriso.

- E você deve ser a Hanabi. É muito parecida com sua mãe - observa ele, enquanto Hanabi sorri, envaidecida.

- Meu irmão... é bom revê-lo - diz meu pai.

- O prazer é meu - responde tio Hizashi, e os dois se abraçam. Sorrio diante da cena incomum: meu pai expressando sentimentos.

- Entrem, todos estão ansiosos para reencontrá-lo, Hiashi.

O ambiente é completamente diferente do que estou acostumada. Tio Hizashi usa roupas tradicionais - assim como outras pessoas que suponho serem parentes distantes. Ao adentrar a casa, percebo as portas de correr e os detalhes em madeira. Não conheço muito bem os costumes tradicionais, apenas que devo demonstrar respeito aos mais velhos e agir com cortesia. Fora isso, estou perdida.

- Tenho certeza de que você quer ver o Neji, não é? - diz meu tio, olhando diretamente para mim. - Sei que não está acostumada com esse tipo de ambiente, eu entendo. Neji também quer muito ver você. Já se passaram alguns anos... e agora ele tem responsabilidades maiores. Nem acredito que já sou avô - comenta, sorridente. - Ele está na última casa da vila, está te esperando. Vá tranquila, eu e seu pai temos muito o que conversar.

Aceno com a cabeça e me retiro. Vejo Hanabi interagindo com outras meninas da sua idade. Caminho lentamente pela rua de pedras, enquanto penso em como teria sido minha vida se tivesse crescido aqui. Acredito que teria gostado.

Avisto Neji ao longe, com os cabelos longos presos em um rabo de cavalo baixo. Ele segura uma menininha nos braços e sorri. E então eu entendo. Entendo o que é felicidade. Não é apenas estar com quem se ama, mas sim compartilhar com essa pessoa algo ainda maior - algo que é parte de você e parte dela. E naquele momento, senti inveja. Uma inveja serena, quase doce, do Neji e da Mei. Pela família que construíram, pelo amor que ampliaram. Uma inveja que me fez pensar, ainda que brevemente, em um futuro possível.

Quando nossos olhares se encontram, sorrio e apresso o passo. Abraço-o com força, tomando cuidado para não machucar a criança.

- Que saudade de você, Neji! - digo, com os olhos marejados. Apesar da distância, sempre fomos próximos. Nas férias de verão, ele costumava passar semanas na minha casa. - Você sumiu! E de repente descubro que está casado e já é pai!

Me afasto um pouco e olho para a menina de cabelos castanhos-claros e olhos azuis - olhos que carregam o sangue Hyuuga.

- Ela é linda - digo, sorrindo.

- Também senti sua falta. Me perdoa por não ter mandado notícias. Aconteceram muitas coisas... e uma delas está aqui nos meus braços - diz ele, olhando para a bebê com ternura. Seu sorriso se abre ainda mais, e nos olhos dele vejo o amor transbordar.

- Devia ter me contado. Eu teria ido ao seu casamento.

- Foi tudo muito rápido, por conta da gravidez - responde. - Você não faz ideia de tudo que aconteceu até aqui.

- Lembro que você dizia que casamento não estava nos seus planos...

- As coisas mudam. Minha vida ficou um pouco mais complicada, mas não me arrependo de nada - responde, sorrindo enquanto a filha puxa seu cabelo. - Elas foram as melhores coisas que me aconteceram.

- Estou feliz por você estar feliz - digo, abraçando-o novamente. - Hyori, não é?

- Sim. Hyuuga Hyori.

- Lindo nome. Posso segurá-la?

- Claro.

Tomo nos braços aquela menininha que é a cópia fiel de Neji. Ela segura meu cabelo e solta um risinho.

- E onde está a mãe dessa princesa?

- A Tenten está trabalhando. Ela é professora.

- E você?

- Trabalho em uma fábrica de produtos alimentícios, sou gerente. Mas estou de férias agora.

- Então está cuidando da bebê por enquanto.

- Tentando, né? Não é fácil... mas estou aprendendo.

- Eu te admiro. Vocês dois, na verdade. Finalmente construíram uma família, e estão felizes.

Sorrio e devolvo Hyori ao pai.

- Um dia você também terá isso. Mas tem que ser com um cara legal... e eu vou ter que aprovar! - diz ele, fingindo seriedade. Rio, feliz por revê-lo.

- É claro.

𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪Onde histórias criam vida. Descubra agora