Você acredita em amor a primeira vista?
Sasuke uchiha não, ele nunca foi o tipo de cara que sonhava em encontrar o amor da sua vida numa esquina, muito menos a primeira vista.
Digamos que ele é até um pouco fechado em relação á sentimentos amorosos...
- Eu realmente queria falar com você. Antes de ir embora... obrigado por ter vindo. - Sua voz soa triste, o semblante tão abatido que chega a me causar incômodo.
- Só diz logo o que você quer. - Respondo seco. Não posso transparecer o quanto isso me afeta.
- Eu sei que sou um fudido de merda! Sei que o que eu fiz não tem como apagar, mas, Sasuke... - Ele respira fundo. - Só Deus sabe o quanto eu sinto muito. O quanto eu estou quebrado desde aquele maldito dia. Eu me amaldiçoo diariamente por ter feito aquela merda... por ter destruído nossa amizade de anos por um desejo idiota! - Lágrimas começam a escorrer por seu rosto bronzeado. Suspiro.
- Olha, Naruto... se você quer meu perdão, tudo bem. Está perdoado. - Seus olhos se arregalam, um sorriso pequeno brota nos lábios. - Mas não ache que vamos voltar a ser amigos. Pelo menos, não como antes. Evite me procurar. Não entre em contato comigo outra vez. - Digo, olhando profundamente em seus olhos. Suspiro. - Eu não quero te ver desse jeito, e apesar de tudo... eu realmente espero que você fique bem. - Levanto da cadeira e caminho até a saída do bar.
- Sasuke! - Naruto chama, exaltado. - Por que você sempre foge dos problemas? Acha mesmo que eles vão se resolver sozinhos? Você sempre foi assim: um covarde de merda! Acha que eu não tenho orgulho também, seu arrombado do caralho?!
Uma onda de raiva me atravessa. O sangue ferve. Tudo aquilo que enterrei, toda mágoa e rancor voltam à tona. Num impulso, parto pra cima dele e acerto um soco em sua cara.
- QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA FALAR ASSIM?! SEU FILHO DA PUTA! - Grito fora de mim, sentindo minhas veias latejarem. - QUEM É VOCÊ PRA JULGAR ALGUMA COISA SOBRE MIM?!
Naruto se levanta do chão e revida com um soco no meu rosto.
- EU SOU SEU AMIGO, IDIOTA! - berra, ficando por cima de mim e desferindo mais golpes. Desvio de alguns, reúno toda força que tenho e o empurro para o lado, ficando agora sobre ele. Começo a socá-lo sem parar.
- AMIGO O CARALHO! QUE TIPO DE AMIGO TRANSARIA COM A NAMORADA DO OUTRO?! QUE TIPO DE AMIGO É UM FUDIDO COMO VOCÊ?! - Grito, sentindo o peito queimar de ódio. - QUE TIPO DE AMIGO FAZ UMA MERDA DESSA?!
Cada soco carrega todo o ódio que reprimi desde o dia em que vi aquela cena. Todo o ressentimento guardado em mim se transforma em golpes secos e desesperados contra o rosto de Naruto. Até que mãos me puxam para trás. Alguns caras do bar me afastam dele e me impedem de continuar.
Naruto se ergue com ajuda de outro homem. Limpa o sangue no canto da boca com as costas da mão e... sorri. Um sorriso debochado. Tento avançar novamente, mas sou contido pelos que me seguram.
- Sabe de uma coisa, Uchiha? Eu me senti um lixo pelo que fiz. Mas nunca me vitimizei por isso. - Ele ajeita a camisa suja de sangue e se aproxima. - Você mais do que ninguém sabe que, apesar de tudo, sempre fomos melhores amigos. E se você decidiu virar esse covarde inútil, então azar o seu. Só saiba: essa foi a última vez que tentei consertar nossa amizade. - Ele me encara nos olhos e passa por mim, batendo o ombro no meu.
Me desvencilho dos caras, passo a mão no cabelo, suspiro e saio do bar. Caminho até o carro sem rumo.
Quando percebo, estou em Nagoya, parado numa loja de conveniência. Não sei como vim parar aqui. Pego o celular: várias ligações perdidas do Itachi. Provavelmente quer saber como foi o encontro com Naruto - e eu não estou pronto pra falar disso.
Desde que a Karin me ligou dizendo que o idiota queria me ver, eu sabia que era uma péssima ideia. E pior ainda foi contar pro Itachi. Aquele desgraçado sabe como me convencer.
Agora estou aqui. Na cidade onde os parentes da Meyrumi moram. Onde a Hinata está, com o pai e a irmã. E aí você, leitor, me pergunta: "Mas, Sasuke, de todos os lugares, por que diabos você foi pra onde ela está?"
Eu não sei.
A única coisa que sei é que, quando saí daquele bar, a primeira pessoa em quem pensei foi ela. E isso está me deixando louco. Não só pelo que aconteceu... mas por essa necessidade insuportável de ouvir sua voz.
O celular vibra. Atendo uma das tantas ligações do Itachi.
- Fala. - murmuro, sem energia.
- Que porra aconteceu? Tô tentando falar com você faz horas.
- Quer saber se a gente se resolveu? Não. Isso responde a sua dúvida? - olho para o interior da loja. - Eu sabia que essa merda ia dar errado, Itachi. Ele zombou de mim e eu acabei socando aquele filho da puta!
- Você o quê?! - suspira do outro lado. - Já era de se esperar... Mas onde você está? Nossa mãe passou no seu apê e você não estava.
- Em Nagoya... eu acho.
- Nagoya?! O que você tá fazendo aí?
- Não sei, tá legal?! Só saí dirigindo... e acabei aqui. - Solto um suspiro cansado.
- E agora? Tem dinheiro pra um hotel?
- Não se preocupa com isso. Me viro. - Olho pra TV da loja. A previsão do tempo anuncia uma geada se aproximando. Ótimo. - Vou ver o que faço por aqui. Só quero ficar sozinho. Qualquer coisa, te ligo. - Encerro a chamada, pago o café e pergunto ao caixa onde posso encontrar uma pousada.
Saio da loja e entro no carro. O frio é de foder. Ligo o aquecedor e o celular toca de novo. Suspiro. Número desconhecido.
- Alô?
- Oi, sou eu... Hinata. - diz com a voz suave.
- Hm.
- O Itachi me ligou. Disse que você está em Nagoya e não tem onde ficar. - Sorrio seco. Claro que ele ligaria pra ela. - Você pode vir pra casa do meu tio. Já falei com ele e não tem problema.
- Obrigado, mas não precisa. - Tento parecer educado, mesmo recusando.
- Ele me contou o que aconteceu. - Reviro os olhos. Itachi e sua mania de cuidar da minha vida. - Eu não quero ser intrometida, mas... você tá bem?
- Não. Não tô nada bem. - Deixo escapar.
- Que saco, né? - diz mais pra si do que pra mim. - A gente podia passar a noite falando o quanto esse cara é um babaca. Mas, pra isso, você teria que vir pra cá. - Sorri, e eu escuto.
- Eu não quero ser um intruso.
- Fala sério! Vem logo ou, quando eu te vir de novo, vou rir da sua cara. - diz em tom brincalhão. - E sério, Sasuke... você não vai incomodar. Amanhã vamos embora, e você pode comer uma boa comida caseira, dormir num futon... o que mais você pode querer? Sem contar que vai conhecer meu primo. - Sua voz animada me faz sorrir, mesmo sem perceber.
- Não sei... - minto. A verdade é que quero ir. Quero vê-la. Só de ouvir sua voz meu coração acelera. Que merda tá acontecendo comigo?
- Não aceito "não" como resposta. Vou te mandar o endereço. - Suspiro, pela milésima vez. - Tô te esperando. Tchau.
- Tchau. - Digo, e olho meu reflexo no retrovisor. - Você tá apaixonado, Sasuke. É isso que você tem. - Falo pra mim mesmo e sorrio.
Uma notificação aparece no celular com o endereço. Ligo o carro e sigo em direção a ela.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.