Subo na garupa da motocicleta conduzida pelo loiro de cabelos esvoaçantes, que acelera sem hesitar, rumando em direção ao estúdio de tatuagem. A estrada se desfaz em borrões velozes ao nosso redor quando, inesperadamente, Deidara rompe o silêncio com uma pergunta, no mínimo, inusitada.
- Então, cabelo de ameixa... anda interessada em alguém? - Sua voz surge descontraída, porém carregada de uma curiosidade surpreendente.
Demoro um instante para processar, mas respondo, entre divertida e desconfiada:
- Não. E por que a pergunta, cabelo de maracujá? - retruco, adotando um tom irônico, embora genuinamente intrigada.
- Sei lá... nunca te vi com nenhum cara. E, pra ser sincero, você até que é legal... e, bem... uma gatinha. - Como é? Espere um pouco. Deidara me chamou de gatinha? Há, com certeza algo fora do lugar aqui.
- Perdão... deixa ver se entendi direito. Você, Deidara, o loiro de cabelo cor de maracujá, acabou de me chamar de gatinha? Deve haver algum engano... estou começando a achar que subi na moto errada. - Surreal. Absolutamente surreal. Deidara, justo ele, falando sobre relacionamentos e, pior, me elogiando? Algo está profundamente errado.
- Ah, qual é, Hinata. Nem posso mais te elogiar? Sério, o teu caso é grave... tá precisando urgentemente de um namorado. Alguém... alto, forte, bonito, de boa aparência... - Ele faz uma pausa dramática - ...e, veja só, loiro. Alguém que eu conheço muito bem, aliás.
- E que, claro, aprecia tatuagens - acrescenta, quase como uma provocação.
- Deidara, onde exatamente você quer chegar com essa conversa? Está me assustando. - E não é força de expressão. De fato, não o reconheço.
- A lugar algum, sinceramente. Apenas até o estúdio. E, se não se importa, você está me distraindo demais com esse falatório. - Finalmente, este sim é o velho cabelo de maracujá que conheço. Ainda assim, essa conversa... certamente não se encerrará aqui.
Alguns minutos depois, Deidara estaciona diante de um edifício cuja fachada, pintada em vermelho vibrante, ostenta grafites ousados. Uma placa elegante informa: Konan Studio - Tattoo & Piercings. Descemos e entramos.
O interior do estúdio quebra por completo todas as imagens equivocadas que minha mente, munida de preconceitos tolos, havia construído. Onde imaginei um lugar decadente, mal iluminado, tomado por fumaça e figuras soturnas, encontrei um ambiente moderno, limpo e acolhedor. Um sofá de couro preto repousa em um dos cantos, enquanto quadros, exibindo tatuagens que mais parecem obras de arte, adornam as paredes. Sobre um balcão em tom vinho, repousam revistas e um computador elegante.
Pouco depois, uma mulher de cabelos azuis surge, elegante e segura, trajando piercings que reluzem em seu rosto.
- Boa noite. Em que posso ajudá-los? - Sua voz é profissional, mas calorosa.
Deidara, por sua vez, dispensa qualquer formalidade:
- Ah, Konan, poupe-me dessa encenação de moça educada. Vim fazer uma nova tatuagem. Marquei com o Yahiko na semana passada. Dispenso sua cara de uva-passa! - Grosseiro. Sempre.
- Ha! Como sempre, um cavalheiro, não é, cabeça de melão? - rebate ela, lançando-lhe um olhar de poucos amigos. É evidente que se conhecem há bastante tempo... e que essa troca de farpas faz parte do ritual.
Aliás, reflito... por que esse homem insiste em apelidar todos com nomes de frutas? Uma peculiaridade deveras intrigante.
- E quem é sua amiga? - questiona Konan, arqueando uma sobrancelha.
- Essa é a cabelo de ameixa. Minha colega da faculdade. Veio me acompanhar. - Como sempre, convenientemente omite meu nome. Isso me tira do sério.
- Hinata. Meu nome é Hinata. Não cabelo de ameixa. E, por favor, não se impressione com as bobagens desse maracujá falante. Já estou acostumada. - Respondo, oferecendo um sorriso de cumplicidade.
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𝓕𝓸𝓽𝓸𝓰𝓻𝓪𝓯𝓲𝓪
RomanceVocê acredita em amor a primeira vista? Sasuke uchiha não, ele nunca foi o tipo de cara que sonhava em encontrar o amor da sua vida numa esquina, muito menos a primeira vista. Digamos que ele é até um pouco fechado em relação á sentimentos amorosos...
